Problemas ficam sem explicação

O Ministério da Fazenda convidou economistas-chefes de instituições financeiras para tirar dúvidas de como será a ajuda ao setor elétrico, que enfrenta dificuldades com a falta de chuvas do início do ano e com o custo extra da geração de usinas termelétricas. Eles estiveram em Brasília para discutir os problemas com os secretários Arno Augustin, do Tesouro Nacional, e Márcio Holland de Brito, de Política Econômica.
No pacote de medidas de socorro ao setor, anunciado na semana passada pelo governo, as distribuidoras de energia contarão com empréstimos na ordem de R$ 8 bilhões de instituições financeiras, operações que serão intermediadas pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Segundo José Márcio Camargo, economista da Opus Investimentos, um dos esclarecimentos feito pelo governo é de que parte das receitas das tarifas das distribuidoras será usada como garantia dos empréstimos, e para tanto será editada uma regulação específica.
O economista não deu mais detalhes sobre as operações de financiamento, e afirmou que ainda há muitas dúvidas sobre o setor, inclusive dentro do governo.
“Eu não tinha expectativa de não sair com dúvidas, só acho que não só saí com dúvidas como essas dúvidas existem, provavelmente, dentro do próprio governo”, afirmou, após encontro com o secretário de Política Econômica do ministério, Márcio Holland.
Segundo Camargo, uma das principais dúvidas do momento é se existe ou não falta de energia no Brasil. “O problema é estrutural ou é um problema que tem a ver com a falta de chuva? É uma dúvida importante.”
Segundo Camargo, o encontro serviu para discutir a lógica do mercado de energia e procurar explicações para algumas questões.
Participaram do encontro desta quinta-feira em Brasília, conforme a agenda distribuída pelo Ministério da Fazenda, representantes dos bancos Bradesco, Fator, Itaú-BBA, Santander, Votorantim, Bank of America, Citibank, Crédit Suisse, Gradual Investimentos, HSBC, JP Morgan e Opus Investimentos.
A discussão sobre os leilões futuros de energia também fez parte da pauta. De acordo com Camargo, o assunto foi o que tomou a maior parte do tempo da reunião, que durou duas horas. O economista não quis, porém, informar quais foram as questões colocadas, nem se os secretários deram algum tipo de resposta.
“Existe uma tentativa de resolver a questão. É um setor complicado, difícil de entender, e o objetivo da reunião foi deixar as coisas mais claras”, disse Camargo.
No ano que vem, vencem as concessões de usinas hidrelétricas que somam cerca de 5 mil megawatts, o que irá diminuir o preço da energia para os consumidores. Essa energia, que voltará para o governo, atualmente é comercializada a R$ 100 o megawatt médio. Após a renovação da concessão, o preço cairá para R$ 30 o megawatt médio.
José Maria Camargo ressaltou que não foram tratados no encontro temas como superavit primário e inflação.

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