Problemas enfrentados pelos africanos ameaçam se repetir em Manaus

As semelhanças com o Brasil fazem da África do Sul uma referência quanto aos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Trata-se, afinal, de uma realidade mais próxima do que as últimas sedes do evento: Alemanha (2006), Japão e Coreia (2002) e França (1998). Ao examinar os problemas enfrentados pela Construção Civil nas cidades-sedes sul-africanas, fica claro que os entraves da África do Sul revelam grande semelhança com a realidade da região Norte e do Brasil. Começa, hoje, o evento mais importante para o esporte brasileiro no continente africano, e junto com a Copa, iniciam-se as preocupações para Manaus, como cidade-sede do mundial de 2014.
Estouro nos orçamentos, atrasos nas obras, greves e paralisações dos canteiros, transporte público deficiente nas cidades, além do receio à iniciativa privada foram alguns dos erros africanos para a edição deste ano do Mundial, que as cidades-sedes da Copa de 2014 precisarão evitar. A região Norte, por exemplo, enfrenta, atualmente, uma escassez de mão-de-obra no setor de construção que deve piorar ainda mais com o aumento da demanda para as obras da Copa de 2014. A preocupação maior, para Manaus, é por conta da importância que esta edição do evento terá para o Brasil, que já está sendo chamada de Copa Sustentável, tendo a Amazônia como foco principal.
O diretor de comunicação do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Cláudio Guenka, afirma que o problema com a falta de mão-de-obra na construção não é recente. Segundo ele, a demanda crescente da região faz com que os donos de construtoras tenham que lidar com esse déficit há muito tempo. Para evitar que a escassez de mão-de-obra prejudique as obras da Copa de 2014 o Sinduscon/AM juntamente com o Sintracomec/AM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Amazonas) estão oferecendo cursos para qualificação dentro dos canteiros. “Num primeiro momento a idéia é qualificar os operários que já lidam com obras, o auxiliar de carpinteiro, de pedreiro, pintor”, afirmou Guenko.
Para o presidente do Sintracomec/AM, Roberto Bernarde, o problema não é déficit de mão-de-obra qualificada, mas de toda sorte de profissionais da construção. “Em Manaus, estão os melhores profissionais da Construção Civil, mas a demanda é muito grande”, declarou Bernarde. Na opinião do presidente do Sintracomec/AM, a solução é buscar profissionais naqueles lugares que não serão sede em 2014, além de, qualificar aqueles que já trabalham com a construção civil.

Greves nos canteiros

Um dos maiores problemas enfrentados pelo Comitê organizador da Copa da África do Sul foram as constantes greves nos canteiros dos estádios. De acordo com o Portal Copa 2014 (www.copa2014.com.br), que conta com o apoio do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), há entidades de classe com experiência internacional especializadas em assessorar sindicatos locais para promover paralisações de operários que trabalham nas obras dos estádios da Copa. A melhor solução, segundo os diretores da Safcec (The South African Federation of Civil Engineering Contractors), entidade que reúne as construtoras de obras públicas do país, seria o fechamento de acordos coletivos preliminares para cada uma das obras, isoladamente.
Segundo o Portal Copa 2014, a África do Sul enfrenta agora uma retração no setor de construção. Mesmo com tantos gastos e a quantidade de obras viárias em execução nos arredores das grandes cidades, menos de dois meses antes da Copa. De acordo com a Safcec, o setor decresceu 10% em 2009 e deve encolher mais 25% em 2010.
Os culpados, segundo o diretor-executivo da entidade, Henk Langenhoven, são a crise financeira mundial, a ausência de capacitação técnica dos contratantes de obras públicas, os baixos investimentos em infraestrutura (as principais realizações datam da década de 70), problemas com marcos regulatórios e a insegurança jurídica para os investidores. O investimento, para realização do evento, foi praticamente todo governamental. O governo sul-africano tem muito receio das propostas que vêm do setor privado.

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