Pesquisar
Close this search box.

Previsão de seca extrema em 2024

O Inmet, principal órgão federal que monitora a situação climática no Brasil, vem fazendo constantes alertas sobre as mudanças no clima. Particularmente no Amazonas, a previsão é de uma possível nova alta estiagem em 2024.

Os rios não encheram como em outras épocas. Os níveis estão abaixo do esperado para esta época do ano, tanto em Manaus como nos municípios do interior do Estado, situação que leva o governo estadual e outras autoridades constituídas a definir um plano de contingência para enfrentar possíveis novas adversidades em 2024.

Segundo Márcia Seabra, do Inmet, as mudanças no clima atingem todo o mundo. O aquecimento global avança, causando reações catastróficas, como agora no Rio Grande do Sul, avançando para uma nova possível alta estiagem no Amazonas.

Os efeitos do El Niño devem ficar mais evidentes a partir do segundo semestre, atingindo seu ápice por volta de setembro a outubro, os meses mais quentes na região. “As chances de acontecerem eventos severos este ano são muito grandes”, disse ela.

Os rios Negro, Madeira e Solimões ainda não atingiram o seu pico, como costuma ocorrer em junho. A partir de julho, começa praticamente a vazante, o outro fenômeno cíclico que faz parte do ecossistema local.

Porém, desde 2023, as mudanças na natureza desorientaram os fenômenos de seca e enchente, recorrentes a cada ano, surpreendendo os meteorologistas. Desmatamento, contaminação de mercúrio pelo garimpo ilegal, entre outros fatores, são apontados como ações nefastas que impactam diretamente nas condições geográficas do Amazonas. Rios caudalosos baixaram tanto que espalharam sofrimento a quase 1 milhão de pessoas no ano passado.

As previsões não são nada animadoras. O último boletim hidrológico da Bacia do Amazonas, feito pelo Serviço Geológico do Brasil, o rio Negro, em Manaus, ainda está subindo e atingiu a cota de 25,7 metros.

O pico da enchente deverá ocorrer ainda neste mês de junho, mas nada sinaliza que as águas irão avançar ainda mais. Portanto, agora o alerta é para o período de estiagem. Os baixos volumes de precipitação previstos até o mês de julho sobre as cabeceiras dos rios Juruá, Purus e Madeira indicam uma ameaça de seca extrema no Estado do Amazonas.

Todos devem se preparar

O coronel Máximo, coordenador da Defesa Civil, disse que a população deve se preparar. “Todos se preparem para consequências da estiagem, fazendo estoque de água, alimentos e medicamentos para enfrentar o período crítico”, afirmou ele, acrescentando que o pico da vazante deve começar em outubro, no rio Solimões, Negro e Amazonas.

Segundo o militar, o poder público também vai disponibilizar locais para receber as famílias que precisarem deixar suas casas por causa dos isolamentos em consequência da estiagem. “Agora, estamos mais preparados para lidar com essas situações difíceis. E todos, coletivamente, devem contribuir para viabilizar um plano de contingenciamento que atenda a todas as demandas”, acrescentou.

De acordo com informações divulgadas pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), os níveis dos rios em todas as calhas do Estado estão muito baixos, comparados a anos anteriores. No caso de Manaus, o rio Negro, neste período do ano, está mais baixo até do que no ano passado, quando houve a seca histórica. Ou seja, a estiagem este ano pode ser tão ou mais intensa quanto a de 2023, disse ele.

Ainda neste mês, o governo estadual anunciou a emissão de licenças ambientais para a dragagem em quatro trechos de rios. O trabalho será feito pelo governo federal, por meio do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Segundo o governador, a retirada dos sedimentos do fundo dos rios facilita a navegação de embarcações e evita que elas encalhem, quando as águas baixarem. “Outras ações também são consideradas urgentes, como manutenção de portos e aeroportos; soluções para acesso à água potável; e medidas que evitem o desabastecimento de combustíveis e comércio”, acrescentou ele.

Bombeiros militares já desenvolvem ações

Os bombeiros militares também já estão a postos para agir durante uma provável seca severa em 2024. Ainda em junho, o governo do Estado lançou a Operação Aceiro 2024 com envio de 60 militares do CBMAM, equipamentos de proteção e uso individual e 14 veículos -incluindo quatro novos -para 12 municípios do Sul do Amazonas e RMM (Região Metropolitana de Manaus).

Também há outra novidade. Um aplicativo vai reforçar o monitoramento das áreas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.  “A operação com foco no combate a incêndios teve seu lançamento antecipado como parte das ações preventivas para minimizar o impacto da estiagem prevista este ano”, disse o governador Wilson Lima.

E acrescentou. “Já estamos preparando nossa tropa. Iremos enviar ainda neste mês de junho 60 homens para a região Sul do Amazonas, onde há uma pressão maior pela abertura de novas áreas, da mesma forma que o governo federal através da Senasp está encaminhando 60 homens para o Estado, que também atuarão nessa região“, disse Lima.

O coronel Alexandre Freitas, comandante-geral do CBMAM, explicou que a Aceiro é uma ramificação da Operação Tamoiotatá, a maior força-tarefa integrada já realizada pelo governo do Estado na repressão de crimes ambientais, reunindo órgãos de segurança, salvamento e meio ambiente.

“Os homens estão sendo preparados em uma instrução de nivelamento que capacitará a tropa para que todos estejam atualizados em relação às técnicas de combate a incêndio florestal, aos materiais e equipamentos e já preparando para o lançamento desse efetivo para atuação no Sul do Amazonas, no arco do fogo, e na Região Metropolitana“, afirmou o comandante.

A operação Aceiro é composta por seis fases com atuação prevista durante todo o período do verão amazônico. Nesta primeira, será integrada pelos municípios de Humaitá, Apuí, Lábrea, Boca do Acre, Manicoré, Novo Aripuanã, Maués, Canutama, Tapauá, Careiro, Manaquiri e Autazes.

O Corpo de Bombeiros recebeu quatro novas viaturas do tipo Auto Bombas Tanques, com investimento de R$ 5,3 milhões de repasse da União ao Fesp (Fundo Estadual de Segurança Pública), gerido pela SSP-AM (Secretaria de Estado de Segurança Pública). Os veículos irão apoiar diretamente o combate aos incêndios.

Marcelo Peres

Compartilhe:​

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Notícias Recentes

Pesquisar