Prévia do PIB do Amazonas avança em abril

A prévia do PIB do Amazonas avançou em 3,05% entre março e abril, na série com ajuste sazonal. Registrado na flexibilização pós-segunda onda, e já com os preparativos para o Dia das Mães e começo do pagamento dos auxílios emergenciais, os números já apresentam desaceleração ante o mês anterior (+4,15%). Em relação ao mesmo mês do ano passado – quando o comércio e a indústria estavam quase que inteiramente fechados –, o incremento foi de 33,27%. 

O desempenho foi suficiente para tirar o acumulado de 2021 do vermelho, em sua primeira alta do ano, levando o Amazonas a registrar expansão de 5,96% no confronto com os dados capturados em igual intervalo do exercício anterior.  Os dados são do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que aponta um quadro comparativamente mais fraco para a média nacional, que ficou aquém do aguardado pelo mercado. O acréscimos foram de 0,44%, na variação mensal, de 15,9%, no comparativo anual, e de 4,77%, na perfomance do quadrimestre. 

O índice registrou 172,18 pontos do Amazonas, conforme a série histórica do BC. Foi o melhor dado desde dezembro de 2021 (172,86 pontos), período imediatamente anterior à segunda onda, e ainda de aquecimento para indústria e do comércio, em virtude das vendas de fim de ano. Na média móvel trimestral, o Estado aparece com retração de 1,18%. Em 12 meses, houve elevação de 2,62%. Em contraste, a média nacional cresceu 0,53%, no primeiro caso, e encolheu 1,2%, no segundo.

O IBC-Br é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa Selic). Visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, o indicador do Banco Central também é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica e ajuda a autoridade monetária a decidir sobre a taxa básica de juros, além de ajudar investidores e empresas a adotarem medidas de curto prazo. A metodologia é diferente da empregada pelo IBGE, que calcula o PIB brasileiro – e cuja divulgação nacional está prevista para o dia 1º de setembro.

Setores e arrecadação

O cálculo do IBC-Br leva conta estimativas para indústria, comércio, serviços e agropecuária, acrescidas dos impostos. Mas, sua divulgação não inclui o desempenho de cada rubrica. Números do IBGE já haviam apontado um ensaio de retomada em indústria e comércio, a despeito do desempenho negativo nos serviços. Em paralelo, as arrecadações tributárias da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) e da Receita Federal se seguraram no azul.

A indústria amazonense emendou um segundo mês positivo de produção em abril, com alta de 1,9% ante abril, e de 132,8% no confronto com o mesmo mês de 2020 – período de primeira onda e isolamento social. Os acumulados do ano (+17,2%) e de 12 meses (+4,4%) também avançaram. O varejo avançou 7,4% na variação mensal – o melhor resultado da para o mês desde 2000 – e escalou 53,4% na variação mensal. O quadrimestre (+4,3%) voltou ao azul e o aglutinado de 12 meses (+9%) ganhou reforço.

O dado negativo veio do setor de serviços, que interrompeu uma sequência de duas altas mensais para voltar a mergulhar em abril. O volume de serviços foi 1,3% inferior ao de março de 2021, em trajetória inversa do levantamento anterior (+0,5%), que já havia desacelerado. No confronto com o mesmo mês do ano passado, houve elevação de 24,7%, superando o dado de março (+6,9%), em razão de uma base de comparação depreciada pela pandemia. Foi o suficiente para segurar a atividade no campo positivo nos acumulados do quadrimestre (+10,3%) e de 12 meses (+3,6%).

Os números da Sefaz, por sua vez, indicam que o recolhimento estadual emendou o segundo mês seguido de alta, em abril, somando R$ 1,11 bilhão. Foi 2,78% superior a março de 2021 (R$ 1,08 bilhão) e 31,03% melhor do que abril de 2020 (R$ 847,11 milhões). No quadrimestre (R$ 4,30 bilhões), a elevação foi de 11,98%. A arrecadação federal também cresceu pelo segundo mês consecutivo, saltando 12,84% entre março (R$ 1,48 bilhão) e abril (R$ 1,67 bilhão), além de superar em 48,90% o dado de 12 meses atrás (R$ 1,19 bilhão). Em quatro meses (R$ 6,26 bilhões), o crescimento foi de 17,35%.

Auxílio emergencial

Para o economista e conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, o fato de indústria e comércio terem se mantido em alta, se deve em grande parte ao retorno do auxílio emergencial. Segundo o economista, a injeção de liquidez proporcionada pelo benefício, assim como as perspectivas de sua extensão por pelo menos três meses, geraram uma expectativa positiva para consumidores e empresários.

“Há outros fatores também, como o aumento da taxa de juros, que influi em mais investimentos, e a pequena queda no câmbio, que faz uma grande diferença para um Estado importador como o Amazonas. Temos ainda o aumento do ritmo da vacinação, que ajudou a dar mais ânimo na economia. Outro dado positivo vem a abertura do Pronampe, que vai gerar financiamentos para micro e pequenas empresas, ajudando a aquecer os negócios”, listou.

O economista observa que os grandes centros urbanos do país voltaram a consumir, no período analisado, ajudando a alavancar o varejo nacional e as vendas do PIM ao atacado. Os preparativos para o Dia das Mães e a necessidade de repor estoques – especialmente no Amazonas – também ajudaram. Já o incremento na arrecadação teria sido favorecido especialmente pelo aumento das importações, especialmente pelo Polo Industrial de Manaus. O mesmo não pode ser dito para os demais setores.  

“Os serviços vêm em queda e não conseguiram recuperar, apesar da abertura gradual. Acredito que os impactos da primeira e da segunda onda foram muito fortes nesse segmento e vai demorar um pouco para aparecer uma reação. Talvez no segundo semestre. No caso da agropecuária, os efeitos da cheia acabaram contribuindo para interromper a ascendência do setor, que vinha forte no Sul do Amazonas”, encerrou.   

Foto/Destaque: Divulgação

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