7 de março de 2021

Presidente do Simplast contesta indicadores da Suframa

O executivo Ulisses Tapajós argumenta que os números do setor divulgados na semana passada não correspondem à real situação enfrentada pelas fabricantes de peças plásticas

A boa performance do segmento de plásticos do PIM (Pólo Industrial de Manaus) que obteve alta de 28,92% em seu faturamento no acumulado de janeiro a agosto de 2008, ao atingir o montante de US$ 1.169 bilhão ante a US$ 907.36 milhões em igual período do ano passado não agradou dirigentes do setor.
Conforme os indicadores industriais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), divulgados na semana passada, o resultado foi o segundo melhor desempenho dos últimos cinco anos.
Na leitura do presidente do Simplast (Sindicato das Empresas de Plásticos do Estado do Amazonas), Ulisses Tapajós, os números apresentados pela Suframa não correspondem à real situação enfrentada pelo setor, porque o levantamento da autarquia abrange tanto as empresas de injeção plástica quanto as fabricantes de matéria-prima e de garrafas plásticas. “É um resultado genérico, mas se formos analisar separadamente as fabricantes de injeção plástica, aquelas que fabricam partes e peças para televisão e motocicletas, por exemplo, veremos que tiveram um resultado ruim de janeiro a junho, obtendo melhoria a partir do segundo semestre”, Ressaltou Ulisses Tapajós.
Segundo o dirigente do Simplast, nos primeiros oito meses de 2008, as empresas do setor produziram 20% a menos do que em 2006 – considerado o melhor ano da década por conta da Copa do Mundo- e 5% a menos que em 2007, que já foi considerado ruim pelos fabricantes do PIM.
No entanto, Tapajós apontou que, neste segundo semestre, o setor vinha obtendo uma performance positiva, em função do crescimento do mercado brasileiro que passou a comprar mais televisores, motocicletas entre outros produtos. “Infelizmente este bom momento está sendo freado pela crise financeira internacional, que não pediu licença para se instalar”, lamentou .
O mais preocupante na opinião do presidente do Simplast é que a crise deixou todo mundo atordoado com a disparada da moeda americana em relação ao real nas últimas duas semanas.
Das 40 empresas do setor termoplástico, algumas estão com setores parados porque as fabricantes deixaram de produzir, a exemplo do setor de duas rodas e eletroeletrônicos. Segundo Ulisses Tapajós, de um total de 8.000 trabalhadores do setor termoplástico 1.200, o que representa 15% vão entrar de férias até o fim do ano.
Diante de tal quadro, o dirigente disse ficar difícil traçar uma projeção para o próximo ano, porque não se sabe como o mercado vai reagir até o Natal, que prometia ser um período bastante promissor. No início de setembro, a perspectiva de Tapajós era de que o setor iria gerar mil empregos nessa temporada, cuja permanência dos trabalhadores dependeria do cenário mercadológico para 2009. “ A crise dos Estados unidos se agravou e se alastrou para o resto do mundo deixando todos atordoados”, admitiu o executivo.
A indústria plástica que vem enfrentando uma crise acirrada nos últimos dois anos, por conta da transformação tecnológica das TVs e de forte importação de peças plásticas da China, teve uma pequena melhora neste semestre, motivada pelas previsões das vendas natalinas. Com isso, as empresas pararam as demissões -que somaram 2.000 no primeiro semestre deste ano- e iniciaram o processo de contratação de trabalhadores temporários que agora foi suspenso por conta da crise internacional.
A reportagem do JC entrou em contato com a autarquia, através da sua assessoria de imprensa, que preferiu não comentar a metodologia utilizada na apuração dos indicadores industriais.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email