Presidente da Gradiente deixa cargo

Depois de 37 anos no comando da Gradiente, o empresário Eugênio Staub, de 65 anos, deixa a presidência executiva da empresa em meio a mais uma crise. A partir do dia 1º de outubro, Nelson Bastos, de 64 anos, assume a presidência executiva com a missão de tornar a Gradiente rentável até meados de 2008, cortando custos e lançando produtos mais lucrativos, como, por exemplo, a TV digital de bolso. Staub vai para a presidência do conselho administrativo. “Não vou ficar em casa, mas olhar a empresa mais no longo prazo” avisou .
A companhia também acaba de contratar por seis meses a Integra Associados, consultoria especializada em reestruturações, do qual Bastos é sócio. A consultoria foi responsável pela reestruturação da Parmalat. Bastos, por sua vez fundou a Gradiente, posteriormente comprada pela família Staub. Ele ainda mantém uma participação minoritária na empresa.
Staub admitiu que as mudanças no comando fazem parte de um plano de reposicioná-la, trazendo “sangue novo” para companhia. Ele Argumentou também que a escolha foi feliz porque Bastos conhece os meandros da Gradiente. Ponderou, no entanto, que já planejava implantar uma nova regra de aposentadoria para seus executivos quando completassem 65 anos.
Com dívidas acumuladas de R$ 300 milhões, entre fornecedores e bancos, a Gradiente inicia mais uma reestruturação. “Com 43 anos de mercado, a economia mudou várias vezes. A Gradiente fez diversas reestruturações para se adaptar, por isso que ela é uma sobrevivente”.

Estrutura custa caro

Staub observou que o mercado de aparelhos de áudio e vídeo está em crise, mas admitiu que a companhia cometeu erros para chegar a essa situação. Entre os “pecados” da Gradiente apontados pelo executivo estão os gastos excessivos com assistência técnica, que chegaram a 8% da receita, a elevação dos custos de logística para tirar os produtos de Manaus em razão do custo do frete e a estrutura “cara” da empresa para o ramo em que atua. Staub ponderou que a companhia cresceu por meio de aquisições e, que por isso, acumulou vários ativos. “Tínhamos três plantas em Manaus.”
O enxugamento de custos já começou. A empresa vendeu a marca Philco por R$ 22 milhões para um grupo de investidores brasileiros, disse o executivo. “Fizemos um bom negócio porque vendemos a marca pelo mesmo valor que compramos todos os ativos da Philco”.
A companhia também vendeu para a Moto Honda uma das unidades de Manaus que havia sido comprada da Telefunken. O negócio, em vias de ser finalizado, é de R$ 27 milhões. A empresa também negocia a venda das unidades onde funcionava inicialmente a Gradiente. Staub contou que hoje as instalações estão alugadas e que há dois grupos de investidores interessados num negócio que deverá render à companhia entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões.
A redução de custos não termina aí. Os quatro andares de um prédio luxuoso vizinho da Daslu na Vila Olímpia em São Paulo, ocupado pela administração da empresa, serão reduzidos a dois. Entre Manaus e São Paulo, a companhia já demitiu 150 funcionários desde junho. Hoje emprega 770 pessoas.
Segundo Nelson Bastos, a mão-de-obra direta será ajustada às necessidades de produção. Ele disse que também pretende terceirizar algumas atividades. Isso sinaliza a possibilidade de mais cortes. “Custo é como unha, a gente tem que cortar toda a semana”, disse o novo presidente executivo da Gradiente.
O novo presidente executivo quer ampliar as receitas da companhia para dar a volta por cima e alcançar resultados operacionais positivos em meados de 2008. O último balanço da empresa apresentado à Comissão de Valores Mobiliários, de dezembro de 2006, apontou prejuízo de R$ 114,48 milhões e receita líquida de R$ 1,381 bilhão.
A empresa vai deixar de produzir TV com tubo de imagem convencional e se concentra em modelos com telas mais finas de 21 e 29 polegadas, de maior rentabilidade. Até o fim do ano, lança a TV digital de bolso, que será importada da Ásia.
A empresa pretende voltar ao mercad

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