Presidente Bolsonaro recebe título no Amazonas

O deputado estadual Delegado Péricles (PSL-AM) aponta motivos de sobra para justificar a concessão do título de cidadão do Amazonas a Jair Bolsonaro (sem partido). Aprovada por quase unanimidade pela Assembleia Legislativa, a proposta suscitou polêmicas, dividindo opiniões (prós e contras) entre parlamentares e a população.

Péricles é autor do projeto em homenagem ao presidente que obteve um placar favorável de destaque no Parlamento – 12 votos a 1, uma abstenção. E seis deputados não votaram.

Nessa sexta-feira, Jair Bolsonaro deve vir a Manaus para participar da segunda etapa das obras de ampliação do Centro de Convenções Vasco Vasques, ocasião que também receberá a comenda concedida pela Assembleia.

Entre os deputados estaduais que votaram a favor do projeto, figuram Belarmino Lins (MDB), Ricardo Nicolau (PSD), Wilker Barreto (Podemos), Mayara Pinheiro (Progressistas)) e Adjuto Afonso (PP).

Ontem, aliados teriam aconselhado o presidente a cancelar sua agenda em Manaus devido à polêmica criada com a concessão da honraria, segundo informações de analistas políticos que acompanham o caso.

O deputado Delegado Péricles ressaltou que o presidente acumula várias medidas beneficiando o Amazonas. Ele enumera alguns benefícios:  as quase 1,5 milhão de doses de vacinas contra a Covid-19 enviadas ao Estado, o aumento do faturamento do PIM (Polo Industrial de Manaus) e o trabalho para a concretização da BR-319, uma via estratégica para aumentar a competividade dos produtos fabricados no Amazonas.

“O título de cidadão do Amazonas é um reconhecimento justíssimo por todo o trabalho já realizado pelo presidente Jair Bolsonaro pelo nosso Estado”, argumenta o deputado Delegado Péricles. “A compra de vacinas e a transferência de recursos para Estados e municípios são grandes motivos para conceder a cidadania amazonense ao presidente”, acrescenta o parlamentar.

Mais ações

De acordo com o parlamentar, as ações do governo Bolsonaro são promissoras, visíveis – o faturamento do PIM saltou de R$ 79,2 bilhões em 2015 para R$ 119,68 bilhões em 2020. “Isso resulta das boas atuações do presidente. Tudo precisa ser reconhecido. Ele merece esse reconhecimento”, salientou.

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) foi o único a votar contra o projeto do deputado Delegado Péricles. Para ele, o presidente Jair Bolsonaro subestimou a pandemia e ainda foi indiferente à falta de oxigênio durante a fase mais aguda da crise sanitária no Amazonas.

“Eu votei contra esse projeto. O presidente (Bolsonaro) não tem sido amigo da Amazônia e nem de Manaus. Ele não comprou vacinas quando era para comprar, o seu ministro negligenciou na crise do oxigênio”, questionou Serafim Corrêa.

Em resposta, simpatizantes de Jair Bolsonaro argumentam que o presidente deu toda a assistência ao enfrentamento da pandemia no Estado, mas as ações do governo do Amazonas, da prefeitura e das outras instituições envolvidas no combate à Covid-19 é que foram desastrosas.

Pelo menos 62 entidades se manifestaram contra a concessão do título ao presidente Jair Bolsonaro após o projeto ser aprovado em regime de urgência na Assembleia Legislativa. A mobilização teria levado o presidente a cancelar sua agenda em Manaus.

Até o fechamento desta edição, o Planalto não havia confirmado se (realmente) Bolsonaro viria para participar da inauguração das obras do Centro de Convenções Vasco Vasques depois da repercussão negativa da honraria. A agenda não estava disponível online até às 20h de ontem. 

Cúpula do clima

O presidente Jair Bolsonaro se comprometeu, ontem, a alcançar, até 2050, a neutralidade zero de emissões de gases de efeito estufa no país, antecipando em dez anos a sinalização anterior, prevista no Acordo de Paris. “Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”, disse Bolsonaro em discurso na Cúpula de Líderes sobre o Clima.

A neutralidade zero (ou emissões líquidas zero) é alcançada quando todas as emissões de gases de efeito estufa que são causadas pelo homem alcançam o equilíbrio com a remoção desses gases da atmosfera, que acontece, por exemplo, restaurando florestas. De acordo com Bolsonaro, “como detentor da maior biodiversidade do planeta e potência agroambiental”, nos últimos 15 anos o Brasil evitou a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera.

Bolsonaro disse ainda que é fundamental contar com os recursos financeiros de países, empresas, entidades e pessoas “dispostos a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas”. 

Os artigos 5º e 6º do Acordo de Paris tratam sobre os procedimentos financeiros para alcançar a redução das emissões, tema que deverá ser debatido na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP26, que será realizada em novembro em Glasgow, na Escócia.

“Os mercados de carbono são cruciais como fonte de recursos e investimentos para impulsionar a ação climática, tanto na área florestal quanto em outros relevantes setores da economia, como indústria, geração de energia e manejo de resíduos. Da mesma forma, é preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação”, disse Bolsonaro.

Foto/Destaque: Marcos Corrêa/PR

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