Prefeitura realiza 16 mil atendimentos na pandemia

O acesso à alimentação e à higiene pessoal são direitos básicos de qualquer ser humano. A Prefeitura de Manaus, durante a pandemia da Covid-19, tem redobrado esses cuidados com a pessoa em situação de rua, ao realizar aproximadamente 16 mil atendimentos em dois espaços socioassistenciais administrados pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc). 

A oferta de serviços básicos (alimentação e higienização), cruciais no atual momento, foi registrada desde a segunda quinzena de março até a primeira quinzena de maio. Os espaços são o Centro Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP), localizado no bairro Petrópolis, e a estrutura de acolhimento provisório montado no Centro de Convivência do Idoso (CECI), no bairro Aparecida.

“Nosso foco nesse período de pandemia é garantir a segurança alimentar das pessoas em vulnerabilidade social, incluindo a população em situação de rua. Mas nossas ações também se voltam a orientação, higiene e doação de roupas e outros itens”, disse a presidente do Fundo Manaus Solidária, Elisabeth Valeiko Ribeiro, destacando a instalação de 14 pias na área central da cidade como forma de oferecer condições, para que esse público mantenha as medidas de prevenção ao novo coronavírus, com a lavagem das mãos.

No Centro POP, aproximadamente 8 mil refeições (café da manhã e almoço) alimentaram os usuários, o acesso ao banho também fica disponível, de segunda a sexta-feira e feriados, enquanto no Ceci, implantado no dia 1° de abril, fruto de uma parceria entre prefeitura e governo do Estado, 8.462 almoços foram distribuídos e 900 banhos ofertados, neste o funcionamento é todos os dias.

Além de alimentação e higiene pessoal, os dois pontos também têm serviços de atendimento social, psicossocial, saúde, palestras e doação de roupas. O Centro Pop, por ser um espaço especializado e voltado para pessoas em situação de rua, oferece ainda oficinas, atividades de lazer, encaminhamento para emissão de documentos e oportunidade para o desenvolvimento social dessas pessoas.

“É importante ressaltar que, mesmo antes da pandemia, o trabalho com a população em situação de rua sempre foi um trabalho permanente na Prefeitura de Manaus. Com a pandemia, esse atendimento foi ampliado sob o olhar sensível da presidente do Fundo Manaus Solidária, a primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro, que por meio da campanha #ManausSolidária possibilitou intensificar nossas ações e oferecer novos serviços”, destacou a secretária da Semasc, Conceição Sampaio.

Conflitos em família, vícios em drogas e bebidas, transtornos mentais e migração são alguns dos motivos que levam as pessoas a ficarem em situação de rua, como afirmou a assistente social Tatiana Viana, 39, que já esteve no Centro Pop e agora atua no atendimento emergencial realizado no Ceci Aparecida. Ela revelou ainda a forma que eles encontram para se proteger.

“São diferentes casos, cada um deles tem sua história antes de chegar até aqui. A maioria que encontramos é de conflitos em família e de uso de substâncias psicoativas, que alteram a função cerebral e mudam temporariamente a percepção”, disse ela, para em seguida acrescentar. “Eles encontram uma forma singular e que nossos antepassados usavam, andam em grupos para se manterem em segurança”.

Respeito ao próximo 

O Centro Pop trata e fortalece homens e mulheres para que recuperem suas dignidades. Emerson Rodrigues, 45, que atua no Centro Pop como coordenador há dois anos, conta com o respeito dos usuários que procuram aquele serviço. São pelo menos 80 atendimentos diários, de 8h às 14h, do café da manhã ao almoço, de segunda a sexta-feira, incluindo feriados.

“Não há outra forma de se ter respeito se não for respeitando o outro. Procuro chamar pelo nome, dar atenção e a importância que cada um merece. Aqui nós damos autonomia a eles”, afirmou.

Sem suspeitas de novo coronavírus entre os usuários, eles passam as horas sob tendas na área externa do local, de diferentes formas, alguns tomam banho, outros lavam suas roupas, jogam dominó ou dama. Calmo em seu lugar está Rael Águila, 45, ele faz uso das ações do Centro Pop há 13 anos e conta que o acompanhamento dos profissionais do local o livrou da dependência química.

“Partiu de mim essa iniciativa para querer mudar. Já passei por outras instituições, mas foi aqui que eu consegui o acompanhamento psicológico e social para sair da situação que eu já estive. Sei que a prefeitura tem se esforçado para oferecer um bom trabalho para as pessoas em vulnerabilidade social”, declarou.

O ferimento no braço ainda é recente, foi causado por arma branca pela companheira durante um desentendimento. Diego Araújo, 35, vive em situação de rua há 20 anos, passou a ter essa vida por causa do vício em entorpecentes. Sendo um dos mais ativos, ele aproveita o tempo no centro para se alimentar, tomar banho, lavar suas roupas e ter encaminhamentos como o que lhe garantiu o benefício do Bolsa Família.

“Venho todos os dias ao Centro Pop. Recebi encaminhamento para tratar esse ferimento aqui (apontando para a ferida) e também para receber o Bolsa Família. O que mais gosto aqui é de fazer minhas coisas e jogar bola, mas agora não está tendo por causa do novo coronavírus”, contou ele, que tem fala e jeito inquieto.

Reforço

Há pelo menos 6,5 quilômetros de distância entre o Centro Pop, no Petrópolis, até o Ceci na Aparecida, localizado na área central da cidade. Em parceria entre município e Estado, foi instalada uma estrutura emergencial para auxiliar no atendimento às pessoas em vulnerabilidade social. O funcionamento do local acontece todos os dias com programação alternada em alimentação e higiene pessoal para 250 pessoas. São realizadas, ainda, ações de saúde e conscientização com apoio de organizações da sociedade civil.

Sem dinheiro e com a suspensão do transporte fluvial no Estado, Daniel Caetano, 32, está há mais de um mês em Manaus, sem conseguir voltar para casa, do outro lado da margem do rio Negro, no Cacau-Pirêra. Ele conta que veio à capital em busca de emprego, sem conseguir, ficou sem dinheiro e como voltar para a família.

“Já faço uso do serviço há um mês e tem ajudado a me manter por enquanto. Espero que isso possa passar logo para poder voltar para casa”, disse ele, que chegou às 6h, sendo o primeiro a receber a refeição.

Boa parte do público atendido pelos serviços destinados às pessoas em situação de rua é de homens, mas há também mulheres nessas condições, como é o caso de Rosa Farias, 44, que atualmente está desempregada e coleta sucatas, enquanto o marido repara carros. Dessa forma eles se mantêm. “Esse serviço é bom, porque a gente toma banho, dão roupa e alimento. Não é bagunçado, é organizado. Eu estou gostando e venho todos os dias”, finalizou.

Fonte: Redação

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