Prefeito Arthur apresenta queixa-crime contra Bolsonaro

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) informou ontem que apresentou queixa-crime contra o presidente da República Jair Bolsonaro. A ação foi protocolizada no dia 1° de junho, no STF (Supremo Tribunal Federal). Na queixa-crime, o prefeito acusa Bolsonaro por crimes de injúria e difamação, durante a reunião ministerial no palácio do Planalto, realizada no dia 22 de abril deste ano, que teve o vídeo parcialmente divulgado dia 22 de maio pelo STF. Reunião essa que é peça central no inquérito no STF que investiga interferência do presidente na Polícia Federal.

Na reunião, quando o presidente Jair Bolsonaro falou sobre a pandemia do novo coronavírus, criticou os gestores que determinaram a abertura de covas coletivas para enterrar as vítimas da doença, entre eles o prefeito de Manaus. Em parte da gravação da reunião, Bolsonaro cita especificamente Arthur Virgílio Neto, fazendo referência ao pai do político, Arthur Virgílio Filho, senador que foi perseguido e cassado pela ditadura militar (1964-1985).

Nesse trecho da reunião, Bolsonaro se refere a Arthur Neto  como: “aquele ‘vagabundo’ do prefeito de Manaus, que está abrindo cova coletiva para enterrar gente e aumentar o índice da Covid. Vocês sabem filho de quem ele é, né?”, teria dito o presidente na reunião, rindo após fazer a pergunta aos participantes da reunião. 

“Não posso deixar que este senhor [Bolsonaro], que não tem a mínima noção de governar um país, me ofenda de forma gratuita e sem motivo, como ele costuma fazer com outras pessoas".

“Assim que tive acesso a essa conversa, que passa longe de ser uma reunião ministerial, decidi denunciar ao Supremo. Espero que o documento seja analisado de maneira séria e que o presidente responda judicialmente pelos seus atos”, disse Arthur Virgílio.

A peça apresentada pelos advogados do prefeito pede que a queixa-crime seja submetida também à Câmara dos Deputados, para ser analisada sobre a possibilidade de abertura de processo penal contra o presidente da República. Ressalta, ainda, com provas em anexo, que as ações tomadas pelo prefeito durante a pandemia da Covid-19 foram necessárias para atender o aumento na demanda por serviços públicos e garantir a segurança da população.

"Afirmar que alguém faça uso político da dor alheia e deseje aterrorizar a população é, efetivamente, agir não apenas para lhe expropriar a honra, enquanto uma das várias expressões da dignidade humana, mas a própria humanidade e, com isso, qualquer respeito que lhe seja devido", afirma parte da ação movida no STF.

Contexto

O contexto que levou o presidente Jair Bolsonaro a agredir o prefeito Arthur Neto, se deu em um dos momentos mais agudos da pandemia Covid-19 em Manaus, com a maior taxa de mortalidade do Brasil. Por conta do aumento abrupto de mortes, a prefeitura optou por abrir covas coletivas para os sepultamentos. 

Nessa fase mais grave da pandemia, Manaus registrou quase quatro vezes o número de enterros da média diária, até então. No dia 26 de abril, foram sepultados 140 corpos, além de duas cremações. Antes da pandemia, a média de sepultamentos girava em torno de 30 a 40. Nesta terça-feira, 2/6, a Prefeitura de Manaus informou que registrou um total de 40 mortes nos cemitérios públicos e privados da cidade, sendo uma oriunda do interior do Amazonas.

Fonte: Severo Neto

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