Preço dos imóveis de Manaus volta a crescer em agosto

O metro quadrado dos imóveis de Manaus emendou uma quinta rodada mensal seguida de elevação nos preços médios, entre julho e agosto, mas voltou a desacelerar. A variação mensal subiu 0,77%, passando de R$ 5.449 para R$ 5.491, mas avançou menos do que no mês anterior (+1,14%), embora tenha batido a média brasileira (+0,50%). Os dados são do Índice FipeZap, estudo mensal da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) que acompanha as flutuações do mercado imobiliário de 50 cidades brasileiras.  

Na média nacional, o Índice FipeZap de agosto (+0,50%) desacelerou ante o recorde de julho (+0,64%). Mas, ainda ficou aquém do IPCA do mesmo mês (+0,87%) –a maior variação desde agosto de 2000, segundo o IBGE. No acumulado de oito meses, os respectivos percentuais foram +3,34% e +5,67%. O dado anualizado do indicador também apresentou um aumento médio significativo para os imóveis em todo o país (+5,27%), igualmente abaixo da inflação oficial (+8,99%).

O aumento mensal (+0,77%) fez Manaus ficar na sétima colocação do ranking das 16 capitais analisadas pelo indicador –que tomou como base 1.440 anúncios imobiliários locais. Vitória (+2,73%) seguiu em primeiro lugar, seguida por Curitiba (+1,78%), Maceió (+1,77%), Florianópolis (+1,45%), Goiânia (+1,39%) e Fortaleza (+0,82%). Já Campo Grande (+0,73%), Porto Alegre (+0,64%), João Pessoa (+0,44%), Brasília (+0,40%), Recife (+0,38%), São Paulo (+0,35%), Belo Horizonte (+0,33%), Rio de Janeiro (+0,20%) tiveram altas inferiores. O único dado negativo veio novamente de Salvador (+0,20%). 

No acumulado do ano, a capital amazonense (+7,60%) se segurou na sexta posição, com mais do que o dobro do número brasileiro (+3,34%). Vitória (+13,13%) ainda lidera a lista, enquanto Maceió (+10,88%), Curitiba (+9,91%), Florianópolis (+9,81%), Goiânia (+8,28%) também aparecem à frente de Manaus. Abaixo desse patamar estão Brasília (+5,71%), João Pessoa (+4,80%), Porto Alegre (+4,44%), São Paulo (+2,99%), Fortaleza (+2,51%), Recife (+2,41%), Rio de Janeiro (+1,47%), Salvador (+1,45%), Campo Grande (+1,17%) e Belo Horizonte (+1,16%), em uma lista sem retrações. 

Na variação de 12 meses, Manaus (+13,71%) caiu da terceira para a quarta colocação entre as capitais brasileiras e corresponde a quase o triplo do dado nacional (+5,27%). Foi superada apenas por Vitória (+18,33%), Maceió (+15,55%) e Curitiba (+14,50%). Completam a lista Florianópolis (+11,94%), Goiânia (+11,80%), Brasília (+9,11%), João Pessoa (+8,59%), Recife (+7,28%), Fortaleza (+5,75%), Porto Alegre (+5,58%), São Paulo (+4,33%), Salvador (+3,71%), Campo Grande (+3,43%), Rio de Janeiro (2,84%) e Belo Horizonte (+2,18%).

Bairros em alta

O bairro Adrianópolis (R$ 6.437), na zona Centro-Sul, se manteve com o metro quadrado mais caro de Manaus, seguido pelo Ponta Negra (R$ 6.215) –na zona Oeste. O Aleixo (R$ 5.912) ultrapassou Nossa Senhora das Graças (R$ 5.532) –ambos na zona Centro-Sul –e Dom Pedro (R$ 5.389)  na zona Centro-Oeste. Apenas Nossa Senhora das Graças encolheu em relação a julho, enquanto o Dom Pedro se manteve estável. Em 12 meses, todos avançaram (+1,2%, +17,2%, +22,5%, +11,3% e +19,4%, na ordem).

No sexto lugar está a Compensa (R$ 4.814) –na zona Oeste –, após subir duas posições e registrar variação mensal de 30,5%. Foi seguido por Parque 10 de Novembro (R$ 4.617) e Flores (R$ 4.310) –os dois na zona Centro-Sul, com incrementos anuais de 5,7% e 17,3%. De um mês para o outro, o Centro (R$ 4.455) caiu da sexta para a nona colocação, sendo seguido pela Chapada (R$ 3.740) –na zona Centro-Sul. Os dois se recuaram ante julho, mas ainda se valorizaram em 12 meses (+2% e +16,4%).

A despeito da nova alta, o preço médio do metro quadrado de Manaus (R$ 5.491) está 29,04% aquém da média nacional (R$ 7.738), com preço próximo a cidades médias, a exemplo de Campinas (R$ 5.440), Santos (R$ 5.386) e Vila Velha (R$ 5.508). Segue em 12º lugar entre as 16 capitais brasileiras listadas pelo FipeZap, à frente de Salvador (R$ 5.325), Goiânia (R$ 4.870), João Pessoa (R$ 4.729) e Campo Grande (R$ 4.362), e logo atrás de Maceió (R$ 5.868). Os valores mais caros estão em São Paulo (R$ 9.602), Rio de Janeiro (R$ 9.584) e Brasília (R$ 8.503). 

“Tendência de alta”

Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Henrique Medina, lembrou que o segmento imobiliário e a demanda das famílias por reformas domiciliares se mantiveram aquecidos, gerando impactos na inflação dos insumos e na precificação de imóveis. O dado mais recente do IBGE aponta que o custo da atividade no Amazonas acelerou 1,08% de expansão, entre julho e agosto. Ficou acima da média brasileira (+0,99%) e foi puxado mais uma vez pelos dispêndios com materiais (+1,37%).

O dirigente observou, contudo, que o valor do metro quadrado da cidade ainda é um dos mais baixos do Brasil, em razão da predominância de produtos de padrão econômico, apesar de os custos de construção ainda serem mais elevados do que os da maior parte dos Estados, em face de fatores logísticos. Medina avisou ainda que, depois de um período de preços “descalibrados”, a tendência do mercado imobiliário de Manaus ainda é de alta, ainda mais com o avanço da taxa Selic. Por isso, “a hora de comprar” seria “agora”. 

Já o Presidente do Creci AM/RR (Conselho Regional de Corretores de Imóveis dos Estados do Amazonas e Roraima – 18ª Região), Paulo Carvalho Mota Junior, observou, também em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, que os valores de metro quadrado seguem alinhados com a flutuação de demanda e oferta. Apontou ainda que a maior procura de incorporadores por áreas gera maior necessidade de negociação, para não elevar o preço final do produto. A pandemia e a necessidade de ficar mais em casa, por outro lado, teriam feito as pessoas buscarem imóveis maiores e melhores, ajudando dinamizar o mercado imobiliário manauense. 

Foto/Destaque: Divulgação

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