Preço do pescado não ficará ‘salgado’

Em Manaus o preço do pescado não deverá aumentar na Semana Santa. Quem garante suprir a demanda do produto com preços acessíveis para o consumidor, é o Sindifeira (Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus) ao revelar que o responsável pelo abastecimento de pescado na capital amazonense é o feirante, incluindo os produtos hortifrutigranjeiros. O Pirarucu seco, que é um dos produtos mais vendidos na Semana Santa, está sendo comercializado a R$ 20 o quilo do produto enrolado e R$ 25 o quilo do filé.
Segundo o presidente do Sindifeira, Davi Lima da Silva, 90% do Tambaqui consumido em Manaus vem de Porto Velho (RO) e de Boa Vista (RR). O feirante adquire o peixe, nas capitais vizinhas, com recursos próprios sem subsídio. “O abastecimento do peixe hoje é feito pelo feirante, inclusive a verdura, legumes e frutas. Não tem incentivo algum do governo federal, estadual ou municipal. As duas secretarias de produção rural e abastecimento, não abastecem a capital amazonense porque nada produzem”, disse.
De acordo com Davi Lima, não haverá aumento de 40% a 50% no preço do peixe na Semana Santa. “Isso é boato, hoje o Pirarucu seco, que é um dos mais vendidos nesse período se encontra por R$ 20 ele enrolado e R$ 25 o filé. Eu asseguro que vai permanecer esse preço e se aumentar vai ser R$ 1 a R$ 2 o quilo”, garantiu.
Porém, a comercialização do pescado no TPP (Terminal Pesqueiro Popular) de Manaus é intermediada pela figura do atravessador que majora o produto, elevando de forma desleal o preço do pescado. “É muito fácil dizer que é o feirante que explora. Quem explora são os atravessadores, os despachantes. Um Pirarucu que custa R$ 10 hoje, na Semana Santa eles estão vendendo de R$ 20 lá no Terminal Pesqueiro”, explicou.
O TPP foi construído com dinheiro público, mas é explorado por terceiros que cometem abusos de ordem comercial. “Infelizmente nosso terminal pesqueiro não funciona. Não temos os frigoríficos, que armazenariam os peixes para serem vendidos com preço mais barato, para a população e o próprio feirante”, lamentou.
Sem os frigoríficos não há como armazenar o peixe para ser vendido com preço mais acessível para a população e para o feirante repassar o produto sem onerar o custo. “Por incrível que pareça, estão cobrando aluguel de barco e de caixas sem beneficiar o produtor nem o feirante, só o atravessador que se aproveita desse descaso do poder público”, informou.
Na opinião de Davi Lima, que também administra a Feira da Manaus Moderna, a maior feira coberta da América Latina, tanto a Sempab (Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento) quanto a Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural) não produzem o suficiente para abastecer o mercado de Manaus. No interior do Estado a pesca de consumo é muito maior que a pesca comercial. “A Sempab não faz porque não tem dinheiro. Já a Sepror, que é milionária, poderia fazer e ajudar, mas não ajuda em nada também”, desabafou.
O repasse do TPP de Manaus para o MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura) e a posse do Conselho de Gestão do Terminal Pesqueiro Público de Manaus aconteceu no dia 12 de setembro de 2013. A solenidade contou com a presença do Ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, autoridades, representantes de entidades de classe e pescadores. O evento foi realizado na sede do Terminal Pesqueiro Público de Manaus, localizado na rua Vista Alegre, bairro Educandos, zona Sul da cidade.

Estratégia de venda
O preço do Tambaqui praticado nas feiras de Manaus está em torno de R$ 20 a R$ 25 a unidade pesando 3 a 4 quilos. O presidente do Sindifeira reiterou que o preço não sofrerá aumento porque os feirantes costumam comprar uma tonelada na semana normal e duas toneladas na Semana Santa. “Ao invés de aumentarem o preço eles aumentam o volume de compra e venda. Então se os feirantes vendiam mil quilos eles vão vender dois mil quilos de peixe. Essa é até uma orientação que nós do sindicado damos para os feirantes, porque não adianta aumentar o preço e não vender”, esclareceu.
Ainda segundo Lima, oito anos atrás na Feira da Manaus Moderna, o setor de carne não abria durante a Semana Santa, só funcionava a venda de pescado. A população ainda tinha a crença de só consumir o peixe nesse período e a demanda e o preço aumentavam na mesma proporção. Hoje em dia a situação mudou, na Quinta-feira Santa dia de maior movimento na feira, vende-se a carne e o peixe na mesma proporção dos domingos. “Aquele costume que as pessoas mais antigas tinham, mudou de oito anos para cá”, observou.

Segurança alimentar
Preocupado com a segurança alimentar, Davi Lima alerta para o retorno da comercialização indiscriminada dos pescados nas ruas de Manaus. Outra situação que prejudica o feirante é o excesso de oferta que está concentrado nas mãos dos vendedores ambulantes. “Hoje em cada esquina de rua tem um vendedor de peixe, antigamente eram só os feirantes que vendiam o peixe. Hoje em qualquer bairro nobre de Manaus tem uma barraca de peixe em algum canto que vende porque tem quem compre sem se preocupar com a origem desses pescados”, alertou.
O governo do Estado, por meio da Sepror, ampliou a oferta de peixe para a Semana Santa e colocará para comercialização mais de 215 toneladas de pescado no período de 12 a 19 de abril. O pescado será vendido na Tenda do Peixe com a participação direta de 25 produtores e piscicultores.

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