Preço dispara e atinge recorde

José da Silva foi assaltado ao sair de um supermercado em São Paulo. Ligou para casa e ouviu a tradicional pergunta da mulher: “Levaram tudo?’’. “Não, deixaram a carteira, mas levaram os dois quilos de feijão que eu havia comprado’’, respondeu Silva.

A piada, que corre entre os funcionários do supermerca-do, mostra como os preços estratosféricos do feijão já afetam produtores, varejo e consumidores.

A saca de feijão do tipo carioquinha de melhor qualidade atingiu R$ 220 no mercado paulista, com alta de 10% no dia e de 51% em 30 dias.

As cotações são do Instituto de Economia Agrícola, órgão ligado à Secretaria paulista de Agricultura. Na Bolsa de Cereais de São Paulo o produto também subiu, sendo negociado a R$ 210 por saca.

A alta ocorre porque já não há uma boa oferta de produto de qualidade, diz um participante diário do mercado de feijão na tradicional Bolsinha da capital paulista, região da área central de São Paulo onde se concentra boa parte da comercialização do produto.

Preços elevados

É a primeira vez que o feijão atinge preços tão elevados no Plano Real. E esses valores seriam ainda maiores se o consumidor não estivesse reagindo. Na avaliação de uma das grandes empresas empacotadoras do setor, o consumo reage no mesmo ritmo dos preços, mas em sentido inverso.

As indústrias de processamento e os consumidores podem esperar por novos preços vindos do campo. O cerealista Geraldo Bortoloto, assíduo freqüentador do campo em busca de feijão na região oeste São Paulo, diz que a saca atingiu R$ 210 na segunda-feira.

A pouca oferta de feijão de qualidade e a disputa pelo produto também pelos cerealistas do Nordeste esquentaram ainda mais o mercado, afirma.

A alta dos preços no varejo passa pela produção. Margorete Demarchi, engenheira-agrônoma do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria paranaense de Agricultura, diz que o setor vive o pico da entressafra. A oferta é menor e só começa a se normalizar a partir de dezembro, quando o Paraná, maior produtor nacional, inicia a colheita da primeira safra -são três por ano.

Produção deve cair

A entressafra deste ano tem oferta menor do produto porque a área semeada no Paraná foi 24% inferior à anterior, devido aos preços e ao clima. Já a produção deve cair 15%.

Demarchi diz que os preços médios do feijão no primeiro semestre desincentivaram os produtores, que optaram por milho, soja ou fumo, culturas com indicação de preços mais rentáveis.

Os preços só começaram a melhorar, no entanto, quando os produtores já se preparavam pela substituição do produto por outras culturas, diz a engenheira-agrônoma do Deral. A primeira safra paranaense, que começa no próximo mês, deve ser de 476 mil toneladas, abaixo das 561 mil de igual período de 2006. Já a área, que havia somado 409 mil hectares em 2006, recua para 310 mil neste ano, conforme a mais recente estimativa do Deral.

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