Preço da cesta básica avança 0,84% em Manaus

Resultado apontado pelo Dieese corresponde a praticamente o dobro da inflação apresentada no período, mensurada pelo IPCA-15, do IBGE

O custo da cesta básica de Manaus no mês de novembro subiu 0,84% em relação aos trinta dias anteriores e fechou em R$ 218,99, mantendo-se na oitava posição na lista das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). Os principais responsáveis pela alta no preço da cesta da capital amazonense foram o açúcar (4,35%), manteiga (5,04%) e óleo de soja (7,14%). O acumulado do ano apresenta queda 3,03%, sendo influenciado pelo feijão (- 36,82%), carne bovina (- 7,20%) e tomate (- 7,45%).
De acordo com a economista e supervisora técnica do Dieese em Manaus, Alessandra Cadamuro, o feijão é um alimento tipicamente brasileiro e não existem outros países com plantações significativas para abastecer o mercado internacional, já que quase toda a demanda é originária do Brasil. “Toda a produção brasileira de feijão é consumida no mercado interno e praticamente não há importação do produto, exceto quando são grãos especiais para a alta gastronomia”, disse Alessandra. A especialista explicou ainda que a área de cultivo do feijão foi ampliada neste ano e “quando a oferta é grande o preço cai obrigatoriamente, como estamos vendo agora”.
O relatório do Dieese aponta a quebra na produção da Índia como responsável pela elevação do preço do açúcar no mercado internacional, aliada às fortes chuvas que atingiram a região sudeste do Brasil, maior produtor mundial de cana-de-açúcar.
O departamento realiza a pesquisa mensal da cesta básica com 12 itens e, além de contabilizar a variação de preços ao consumidor final, analisa o poder de compra da população economicamente ativa com base no salário mínimo.
Um trabalhador que ganha R$ 465 por mês precisa desembolsar 51,19% do salário para custear a alimentação de sua família. A quantidade de horas trabalhadas para garantir a cesta básica em Manaus foi de 103 horas e 36 minutos, enquanto a jornada nacional ficou em 98 horas e 58 minutos.
De acordo com a Constituição Federal o salário mínimo deveria suprir as necessidades básicas: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, de uma família com quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças, o que não é possível com a remuneração atual. O Dieese calculou que o salário mínimo necessário para cobrir as necessidades básicas de quatro pessoas seria de R$ 2.139,06, com base na cesta básica mais cara (Porto Alegre). Esse valor ideal para o salário mínimo equivale a 4,6 vezes o valor atual.
Apesar do preço da cesta básica levar 51,19% do mínimo, o custo com alimentação de uma família manauense em novembro chegou a R$ 656,97, sendo R$ 5,46 mais caro do que o registrado no mês de outubro.

Cidade é a oitava mais cara do país, destaca Dieese

O economista e presidente da Fecomércio/AM (Federação do Comércio do Amazonas), Roberto Tadros, lembrou que a cidade de Manaus sempre esteve entre as dez capitais com a cesta básica mais cara do país, principalmente devido às dificuldades com transporte das mercadorias.
“Não é de se estranhar que Manaus esteja entre as capitais com a cesta básica mais cara porque praticamente não existe produção agrícola e a cidade está longe dos grandes centros produtores. Essa distância, logicamente, encarece o preço dos produtos, ainda mais pela quase inexistência de estradas do Estado”, ponderou Tadros.
O dirigente salientou a sobreposição da variação mensal da cesta básica em relação à inflação do mês passado. “A elevação do preço da cesta básica em Manaus ficou com 0,40 pontos percentuais acima da inflação de novembro”.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam inflação de 0,44% em novembro, segundo o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15), configurando alta de 0,18% sobre outubro.

Alimentação registrou alta em 14 capitais brasileiras

O preço dos produtos alimentícios essenciais que compõem a cesta básica brasileira registrou alta em 14 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese no mês de novembro.
As maiores elevações foram apuradas em Fortaleza (6,97%), Goiânia (4,04%) e Natal (3,71%).
Variações negativas foram registradas em Brasília (-2,63%), Recife (-0,31%) e Aracaju (-0,17%).
A cesta mais cara foi encontrada em Porto Alegre (R$ 254,62), com custo quase R$ 20 superior ao valor registrado em São Paulo (R$ 234,99).
Em Vitória a cesta custou R$ 227,81. Aracaju (R$ 167,87), João Pessoa (R$ 175,62) e Recife (R$ 175,91) apresentaram os menores custos.
Ainda segundo o Dieese, o salário mínimo ideal em novembro, para suprir alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, seria de R$ 2.139,06, o que equivale a 4,60 vezes o mínimo vigente (R$ 465).
Este valor é levemente superior ao de outubro (R$ 2.085,89, que correspondia a 4,49 vezes o mínimo em vigor). Em novembro de 2008, o salário mínimo necessário era estimado em R$ 2.007,84, ou seja, 4,83 vezes o mínimo então em vigor (R$ 415).

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