15 de abril de 2021

‘Precisamos trazer a Ufam para o século 21’ diz Andrea Waichman

A professora Andrea Waichman defende uma gestão na Ufam (Universidade Federal do Amazonas) que promova uma constante inovação tecnológica, aproxime mais a instituição dos órgãos públicos, das empresas privadas e possibilite ainda o desenvolvimento sustentável com foco nas potencialidades da bioeconomia.

Ela encabeça a chapa 55 que traz como candidata a vice a também professora Margarida Carmo, do polo de Itacoatiara, na disputa pela reitoria da Ufam. Aliás, uma formação revolucionária por trazer duas mulheres atuantes, combatentes por dias melhores, na corrida eleitoral pela nova gestão superior da instituição.

O lançamento da Chapa 55 [email protected] coincidiu com a data em que se comemora simbolicamente o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas).

As duas vão enfrentar os votos da comunidade universitária, tendo principalmente como adversários o reitor Sylvio Puga e Terezinha Fraxe, candidata a vice, também duas figuras atuantes nos meios acadêmicos universitários da região.

“Precisamos trazer a Ufam para o século 21, para possibilitar as transformações que se fazem necessárias. Vivenciamos uma época em que a corrida tecnológica avança rapidamente”, ressalta Waichman.

Andreia diz que a Ufam pouco tem avançado nessas questões num momento em que a universidade deve ser um dos principais vetores para promover mudanças, levando benefícios a toda a população.

“Não vejo essas discussões avançarem na comunidade universitária. A universidade deve ser um canal constante de integração do conhecimento com os poderes constituídos, as empresas, beneficiando a todos”, acrescenta a professora.

Bióloga de formação e com doutorado na área, acumulando ainda atuação dentro e fora da universidade, Andrea Waichman construiu uma trajetória acadêmica promissora na Ufam. Já dirigiu, inclusive, a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), além de ter sido professora visitante em várias universidades europeias.

Ela alerta sobre a necessidade urgente de criação de novos cursos para carreiras que ainda não se fazem presentes, mas que serão demandadas pelo mercado de trabalho nos próximos cinco anos.

“Até agora, não vimos uma movimentação nesse sentido na atual gestão”, salienta Andreia. “Ao contrário, minha chapa prioriza mais pesquisas, inovação tecnológica, possibilitando que todos esses conhecimentos transformem o mundo e melhorem a vida das pessoas. É esse o nosso principal objetivo, nosso principal papel”, afirma.

A professora Andrea Waichman falou com exclusividade ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Quem é a professora Andrea Waichman?

Andrea Waichman – Sou professora titular da Ufam. Ingressei no corpo docente em 1995. Venho desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão na universidade.

E também na pós-graduação. Fui chefe de departamento. Fiz gestão fora da universidade. De 2012 a 2017, dirigi a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas).

E depois voltei, a convite do professor Sylvio Puga, para ser diretora de inovação na Ufam. Muitos me conhecem pelas minhas atividades em gestão, pesquisa, ciência, tecnologia e inovação.

Participo ativamente de propostas de ciência, tecnologia e inovação no Estado. E também na educação.

Tenho experiência dentro e fora da Ufam, inclusive experiência nacional e internacional a partir de projetos internacionais que sempre coordenei. Fui professora visitante em diversas universidades europeias.

JC – O lançamento da chapa coincidiu com a data simbólica do Dia Internacional das Mulheres e Meninas nas Ciências.  O que representa uma chapa formada e encabeçada por mulheres para comandar a Ufam, que é nossa ilha de excelência?

Andrea – Foi uma leve coincidência. Aconteceu por acaso na mesma data simbólica criada pela ONU. A chapa é formada também pela professora Margarida Carmo, que traz pela primeira  vez um representante dos campi do interior para disputar a reitoria da Ufam.

A Ufam tem que abrir mais oportunidades para os docentes que trabalham nos municípios, depois de 15 anos de criação dos campi do interior.

É realmente uma oportunidade de protagonismo para uma gestão superior na universidade. Estando duas mulheres na chapa não está relacionada em nenhuma maneira com feminismo.

Foi um simples acaso. É uma característica feminina, mostrar nosso trabalho e fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Temos, hoje, mulheres ocupando destaques políticos e gestões no mundo.

Como nos Estados Unidos que elegeram pela primeira vez uma mulher vice-presidente. Acho que essa força feminina, essa capacidade de realização, também será importante caso sejamos eleitas como novas gestoras da Ufam.

JC -Como está a participação da mulher na ciência, que enfrenta ainda muitas dificuldades nessa área?

Andrea – Hoje, as mulheres têm um papel muito importante na transformação da sociedade, principalmente nas ciências exatas, nas ciências mais duras.

Vemos também um maior número de mulheres ganhando o prêmio Nobel. Então, é importante o ganho desse espaço, e isso não é muito simples. Porque muitas vezes a gente tem que lutar dentro e fora da academia por um espaço que não nos foi dado por questões históricas.

Mas conseguimos por uma questão de capacidade. Isso tem muito a ver com nossa proposta de promover mais equidade, diversidade.

Temos várias iniciativas no âmbito da universidade justamente para fortalecer, empoderar e promover as meninas nas ciências.

Mas acho que devemos promover todo mundo. Hoje o problema não são as meninas que não estão incluídas. Mas as pessoas vulneráveis, com orientações sexuais que não são aceitas. A gente espera que isso mude.

Que sejam incluídas as pessoas que nascem diferentes, de cores diferentes. O nosso movimento é por todos na universidade. Todos sendo tratados de forma igualitária, todos sendo acolhidos, independente de cor, raça, gênero, etnia.

Com a nossa chapa, vemos como muito oportuno lutar por uma universidade diversa, heterogêneo, e fundamentalmente respeitando os direitos das pessoas.

JC – O que a chapa 55 traz para o seio universitário que a gestão atual não está promovendo na Ufam?

Andrea – A universidade é o local do debate. E divergir é muito salutar. Pessoalmente, tenho amizade com o professor Sylvio Purga. Mas isso não impede, necessariamente, divergir, reivindicar mudanças.

Acho que a gente precisa mudar. A Ufam está pouco transformando o presente. Não está se preparando. A universidade precisaria estar pensando as profissões que a gente terá no futuro.

Hoje deveria estar formando profissionais que o mercado vai demandar nos próximos cinco anos. E isso é uma discussão que eu não tenho visto no âmbito da universidade.

Precisamos de um projeto muito mais robusto e internacionalizado, no sentido de aproveitar esse momento da Amazônia em que ela é vista e defendida em todo o mundo.

Para atrair auxílios financeiros e promover não só a preservação da região, mas também aprimorar pesquisas, inovação tecnológica. Isso ainda é muito tímido por aqui.

Podemos trazer professores visitantes que possam nos ajudar a aprimorar nossos processos de pesquisas e inovação. Recentemente, foi implantado um sistema de documentação federal, mesmo assim a universidade continua extremamente burocrática.

Perdemos muito tempo com burocracia para preencher documentos, os professores reclamam muito disso. Tem conseguido construir muita infraestrutura, mas temos graves problemas de manutenção desses sistemas.

Basicamente, eu sinto muito que a gente planeja muito pouco na universidade. Sempre estamos apagando incêndios de problemas que poderiam muito bem ser evitados. Se tivesse um projeto completo, mais planejamento….

Os próprios professores se ressentem de um canal de diálogo mais próximo da gestão superior. Como gestora, eu ouvirei a comunidade universitária porque é muito importante. E as soluções da universidade não podem sair da cabeça só de uma pessoa. Têm que ser coletivas.

Precisa trazer a Ufam para o século 21. Isso é um esforço de gestão que acho que não foi devidamente realizado.

JC – Como está a Ufam no interior do Amazonas e o que a sra. propõe para se ter um ensino de melhor qualidade?

Andrea – A Ufam é formada por seis campi, cinco dos quais estão no interior do Estado. Mas, infelizmente, eles não participam da gestão superior da universidade.

Eles são simplesmente representados nos conselhos deliberativos. Então, achamos importante, para ter uma universidade mais eficiente, um candidato desses campi que esteja bem conectado com essa realidade.

Avançamos muito no interior com a pós-graduação, pesquisa, infraestrutura, mais professores, e isso é importante como vetor de desenvolvimento.

Mas precisamos fazer mais pela universidade. Temos  gargalos de infraestruturas que são crônicos. Problemas de conexão com a internet.

Não adianta  levar plataformas para o interior se a gente não tem estrutura de internet. A universidade precisa articular isso com os governos pra beneficiar também a sociedade.

A professora Margarida me disse ter o desejo que a pró-reitoria seja instalada nos municípios para mostrar a força que o interior tem. Então, a gente precisa interiorizar mais a universidade.

Para levar ações na educação, pesquisa e inovação. Temos essas propostas pra resgatar também a identidade da população amazonense. Precisamos estar presentes em todos os municípios do Amazonas.

JC – Um dos grandes desafios da educação é olhar para o futuro. Até a formação de profissionais, outras atividades são reinventadas com essa avassaladora evolução tecnológica. Em sua gestão, qual a estratégia que a universidade terá para se antecipar às mudanças que virão com toda essa inovação?

Andrea – A gente precisa primeiro ter um diálogo importante com o mercado. O mundo está em constante transformações, mudando suas condições de trabalho.

Devemos estar nos alimentando sempre com essas atividades. Acho que a universidade se afasta muito disso.

A gente não renova nossos currículos. Então, vou buscar uma maior integração, articulação com a comunidade universitária pra que essas novas transformações sejam implementadas de forma mais rápida.

Estamos muito atrasados e isso vai trazer muito prejuízo à universidade. Já faz um ano que estamos parados. Precisamos adotar mecanismos de mudanças que sejam mais rápidos. Com profissionais que estejam aptos no mercado.

Isso é muito importante. Devemos estar mais antenados porque as mudanças acontecem muito rápido. São habilidades que nossos alunos precisam para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico, com novas tecnologias se sobressaindo.

Criando também novos cursos para carreiras que ainda não estão presentes, mas que serão demandadas nos próximos cinco anos. A gente precisa aproveitar esse momento de crise para empreender grandes transformações, como aconteceu nos piores cenários das guerras mundiais.

Apresentamos uma proposta inovadora de gestão, modernidade, para colocar a Ufam no século 21.

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