"Precisamos estar unidos, de mãos dadas"

No final da tarde de quinta feira (24), em nota oficial, o deputado Belarmino Lins (PP) desistiu de concorrer à presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A desistência transformou o deputado Josué Neto (PSD) no candidato único à presidência da Assembleia. A dúvida fica apenas pela forma que Josué deverá voltar a comandar o Poder legislativo Amazonense, pois se não aparecer nenhum outro candidato, deverá ser aclamado.  Logo após receber a notícia da desistência de Belão, Josué Neto falou com o JC.

Ele disse que o momento é de se investir em comunicação e tecnologia para que o deputado possa realizar o seu trabalho. A Aleam, segundo Neto, vai chegar onde nunca chegou. Audiências públicas serão realizadas em comunidades rurais e áreas indígenas. A Assembleia também quer ser o palco das discussões de temas importantes para o Estado, como por exemplo, a questão da BR 319, o monitoramento mais efetivo das nossas fronteiras e a busca pelos novos negócios. Por sinal o futuro presidente da Assembleia defende a exploração do gás de Silves e de minérios como o nióbio e potássio para gerar emprego e renda para os que vivem, principalmente, no interior.

Josué Neto, ao seguir um ensinamento do seu pai, o ex-deputado, ex-presidente da Aleam, e conselheiro do Tribunal de Contas do estado, Josué Filho, quer com muita humildade ser o presidente de todos os deputados e fazer o melhor para os servidores. Antes de entrar nos estúdios da TV Cultura para entrevistado no Programa Roda Viva, Josué conversou com o JC.

Jornal do Commercio Deputado, como o senhor recebeu a nota de desistência da candidatura do deputado  Belarmino Lins?

Josué Neto –  É uma atitude nobre do dep. Belarmino Lins. É uma atitude difícil de ser tomada e que eu recebo com muito respeito. Principalmente, por que na nota enviada para a imprensa, o  Belão fala exatamente o que eu penso, é o que a minha vontade de fazer com que o Parlamento trabalhe em paz e união. A nota fala isso. A Assembleia Legislativa tem 24 deputados é o Poder dos  poderes. É o Poder que mais representa a população. A população escolhe os seus representantes com diversas orientações políticas, partidárias, gênero, idade, bandeira de trabalho, enfim, é o Poder mais representativo. Diante disso pretendo fazer um trabalho de  pacificação e coalizão. Queremos trabalhar em paz para que os debates e os anseios da população sejam prioridades na Assembleia .

JCQual vai ser a diferença do ex-presidente para o futuro presidente?.

Josué – Bem, tudo que deu certo , nós vamos continuar a fazer. Vamos avançar na questão da Democracia, principalmente na valorização dos nossos servidores e na valorização do trabalho realizado pelos deputados, além disso nós vamos chegar em lugares onde a Assembleia nunca chegou. Vamos realizar Audiências Públicas na Zona Rural, nas áreas Indígenas. Para se ter uma ideia da importância dessas audiências, nada contra o presidente Bolsonaro, mas nós não poderíamos ter descartado de uma vez o trabalho dos médicos cubanos por meio do Programa Mais Médicos. Isso nos causou um problema muito sério. Atualmente, não temos médicos nas zonas indígenas e rural. Nós sabemos que o recém formado não vai querer trabalhar nos lugares distantes da Amazônia. Sentimos  mesma dificuldades com outros profissionais como defensores públicos, juízes e delegados. Sem querer fazer críticas aos outros Poderes, mas, reconhecemos as dificuldades de morar nos lugares com difícil acesso.

JCUma grande mobilização, encabeçada pela ALEAM, envolvendo a bancada federal, é possível?

Josué – Esse é um assunto prioritário. É prioridade que nossa bancada federal trabalhe nesse sentido por que a nossa voz na Assembleia Legislativo não ecoa no Governo Federal. Se faz necessário que nossa bancada trabalhe nesse sentido, PIS já estamos a dois meses sem médicos nas nossas comunidades, causando um grande prejuízo para os nosso irmãos que vivem nos lugares distantes.

JC Como o senhor pretende aproximar a população da Aleam?

Josué – Uma das metas é garantir aos 24 deputados meios para que eles estejam nos municípios. Não só na sede, mas,  principalmente, nas zonas rurais onde ficam as comunidades. Seremos 24 formiguinhas trabalhando em todos os municípios do Estado. Fundamental  para alcançar esse objetivo, será o trabalho da comunicação. Precisamos nos comunicar bem para que as pessoas entendam qual é o trabalho de cada um dos deputados.

JC Com um orçamento maior do que aquele que o senhor administrou, quyais serão as prioridades?

Josué – Nós vamos investir muito em comunicação e tecnologia. Nós já passamos por diversas obras ,nos últimos dez anos. Por enquanto, não há mais necessidade de obras. Vamos investir em meios para melhorar ainda mais o trabalho do colega deputado e que esse trabalho chegue à população. O deslocamento das assessorias dos deputados é um ponto fundamental nesse processo. Tecnologia e comunicação vão ajudar muito para que todo o Estado receba os serviços prestados pela Assembleia.

JCNa próxima Mesa Diretora  que tem o senhor como presidente, as mulheres estão garantidas?.

Josué – Sim, estou muito feliz por isso. Afinal a mulher tem uma sensibilidade diferente, a mulher consegue enxergar também de forma diferente. Tenho certeza que a experiência da deputada Alessandra Campelo (MDB) como deputada de segundo mandato, vai contribuir muito para o nosso trabalho. Ela é uma parlamentar atuante em defesa de diversas causas como a segurança e a família.  Ela já participou do movimento estudantil e de partido de esquerda. A Dra. Mayara como vice rpefeita de Coari, também tem experiência administrativa. As duas devem fazer parte da Mesa Diretora.

JCE o relacionamento com o governo Wilson Lima?

Josué – Hoje é um relacionamento extremamente institucional. Temos um novo governador que vai precisar muito da Assembleia. Na minha vida aprendi que não se deve bater numa pessoa quando ela está num momento frágil. Ao invés disso, é preciso estender a mão. Não que ele esteja frágil, pelo contrário, o governador tem o apoio da maioria da população, mas existem temas onde a união é fundamental. Um bom exemplo é o caso da Zona Franca de Manaus. Precisamos estar unidos, de mãos dadas para enfrentar as guerras que serão travadas em defesa desse modelo. Bancada federal, estadual, vereadores, além da classe empresarial, todos unidos. Afinal,  ainda é o modelo que garante boa parte de nossos empregos.

JCPor falar em ZFM, como a AEAM, pode ajudar o governo estadual a buscar novos negócios e tirar um pouco mais a dependência da Zona Franca?

Josué – Nós vamos discutir na Assembleia, estratégias e instrumentos de como buscar esses novos negócios. Estamos ouvindo muito o próprio Governo Federal falar disso. O presidente Bolsonaro tem falado de mineração, do potássio, do gás do Campo do Azulão e tem falado da BR 319. Por enquanto, os discursos, tanto do governador quanto o do presidente estão em consonância e harmonia. Na Aleam vamos trabalhar para que esses projetos saiam do papel, o mais rápido possível. Em Silves, por exemplo,  o gás deverá proporcionar a geração de emprego no município, além de movimentar a economia com compras de produtos e a prestação de serviços. Outro exemplo é a extração mineral do Alto Rio Negro. Temos as maiores reservas do Mundo de Nióbio. Oficialmente não houve a extração de um quilo desse mineral. No mesmo caminho, é o caso da BR 319. A estrada é fundamental para o escoamento de nossa produção, tanto industrial, quanto mineral. Podemos falar também, opróprio potássio. Principal componente dos fertilizantes, o Brasil importa esse produto. Nossas jazidas são as maiores do Brasil e não são aproveitadas. Tudo isso,  serão temas que os deputados vão debater e procurar soluções para que haja o aproveitamento de todo esse potencial de novos negócios.

JCOutro tema é a Segurança. A fiscalização nas fronteiras deve ser perseguida?

Josué – O nosso principal problema na questão segurança é o não monitoramento efetivo das nossas fronteiras. Para isso acontecer de forma ideal, é uma parceria do Governo do Amazonas com o Governo Federal, principalmente por meio das Forças Armadas e Polícia Federal. Infelizmente,  a realidade nos diz que nós somos a principal rota do tráfico de drogas do Brasil. Alguns de nossos vizinhos, são os maiores produtores de drogas do Mundo. De uma vez por todas é preciso uma ação do Governo Federal no sentido de evitar que parte da droga que passe por aqui, acabe ficando por aqui. A ALEAM já vem tratando desse tema há bastante tempo. Já dissemos inúmeras vezes da necessidade desse monitoramento mais efetivo das nossas fronteiras. O próprio relatório do consultor em segurança,o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giulliani, confirmou o que nós já sabíamos.

JCDeputado, ficaram rusgas dessa campanha?

Josué – Ainda não sou o presidente, mas espero contar com voto dos colegas. A grande maioria conhece o meu trabalho. Tenho apoio importantes que simbolizam que o trabalho desenvolvido foi convincente, foi parceiro. Posso citar, rapidamente, os votos declarados da deputada Alessandra, do deputado Ricardo Nicolau, do deputado Cabo Maciel e do deputado Augusto Ferraz. Eles votaram em mim em 2015 e deverão repetir agora em 2019. A democracia permite que exista vencedores e vencidos e que os vencidos possam ser tratados da mesma forma que os primeiros aliados. Caso meeleja, tratarei os colegas que ainda não estão comigo, mesma forma que os aliados de primeira hora. Esse é o meu espírito público e a responsabilidade de dirigir uma instituição importante, não só par aos 24 deputados, mas entendendo que o trabalho deles é muito importante para o povo do Amazonas.

JCE o que o senhor  tem a dizer para o o servidor da Assembleia?

Josué – Tudo que eu puide fazer pelo servidor da ALEAM, foi feito. Nós tivemos uma crise em 2015 que fez com nenhuma instituição brasileira concedesse aumento de salário. Conseguimos para o servidor a data base com aumento real de oito por cento. Conseguimos continuar com o aumento do ticket alimentação. Nesse novo momento o que tenho a dizer é que  podem contar comigo, pois tudo que for possível fazer para melhorar a vida do servidor e as condições de trabalho dele, nós faremos.

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