Precisamos ajudar Gaia, a Mãe Terra (Parte 1)

A mãe terra está sofrendo e precisa de ajuda. 

Para alguns, a introdução pode parecer fake-news ou até sentimental demais, mas não é o que pensam os cientistas, conforme mostrado abaixo:

1o) aumento do aquecimento global. Segundo um Relatório do Serviço Europeu Copernius <https://bit.ly/3iLB0Nb>, o ano de 2020 foi o mais quente do mundo ao lado de 2016, seu sistema que monitora a temperatura mostrou que 2020 foi 1,25 graus mais quente que a média obtida entre 1850 e 1900, no período pré-industrial. Sua análise dos satélites revelou que a concentração de dióxido de carbono tem continuado a subir em 2020, alcançando uma média global sem precedentes com valor de 413,1 ppm;

2o) aumento no nível do mar e de megaincêndios. O efeito do aquecimento global pode ser percebido pelo rápido degelo de nossas calotas polares, bem como pelo aumento do desconforto térmico e pela ocorrência de megaincêndios com proporções inéditas na Austrália, Bacia do Congo, Indonésia, Sibéria, Califórnia, Amazônia e Pantanal. 

Os últimos megaincêndios ocorridos na Austrália em 2019 e início de 2020 assolaram um território quatro vezes o tamanho de Nova York, cerca de 600 mil hectares, com temperaturas subindo para 40 graus. Para se ter ideia do tamanho do estrago, os incêndios florestais de 2020 foram os mais devastadores na Austrália e cientistas <https://bit.ly/3wtxaw0> estimam que eles mataram ou deslocaram cerca de três bilhões de vertebrados nativos, dos quais 2,46 bilhões de répteis, 181 milhões de pássaros, 143 milhões de mamíferos morreram, incluindo 61 mil Coalas, 51 milhões de sapos, 50 milhões de camundongos e ratos nativos, 39 milhões de gambás e planadores, cinco milhões de Cangurus, cinco milhões de morcegos, um milhão de vombates, etc. Se o leitor fica chocado com esses números, se sentirá pior se um dia tentarmos estimar o número de seres vivos que morreram nos dois últimos anos, tanto na Amazônia (perdeu 1,5 milhões de hectares somente em 2020) quanto no Pantanal, regiões com recordes sucessivos de queimadas e desflorestamento;

3o) poluição do ar tem se tornado mais letal. De acordo com pesquisa da Organização State of Global Air <https://bit.ly/3cFO2YE>, publicada em 2020, a poluição do ar foi considerado o 4o maior fator de risco de morte precoce em todo o mundo no ano de 2019, atrás apenas de pressão alta, tabagismo e má alimentação. O mesmo relatório estimou que o ar poluído contribuiu para a morte de 6,67 milhões de pessoas em todo o planeta em 2019, incluindo 500 mil bebês. E de acordo com relatório da IQAir <https://bit.ly/3zqIvik>, publicado em 2020: a) a emissão de combustíveis fosseis fará com que a poluição do ar gere um custo anual ao planeta de mais de 2,9 trilhões de dólares; b) entre 7 a 33% das mortes por covid19 são atribuídas à exposição de longo prazo ao ar poluído; c) exposição crônica ao ar poluído aumenta o risco de complicações respiratórias e cardiovasculares associados a desfechos mais graves da Covid19; d) o ar poluído enfraquece os pulmões e sistema imunológico, etc; 

4o) aumento nos desmatamentos têm sérias consequências sanitárias para populações urbanas e ao orçamento da saúde, valendo citar que nos últimos 10 anos as queimadas na Amazônia foram responsáveis pelo aumento nas internações hospitalares por problemas respiratórios no Amazonas (87%), Pará (70%), Mato Grosso, Rondônia e Acre (mais de 60%), com gastos anuais adicionais estimados em R$ 1 Bilhão para o sistema público de saúde <https://bit.ly/3gt11zj>;

5o) pandemias e epidemias estão se tornando mais frequentes. Entre 2001 e 2021 (20 anos) temos registrado mais pandemias no planeta do que em outras duas décadas anteriores. Somente entre 2001 e 2021 registramos a SARS-Cov (2002 e 2003), a Gripe Suína (2009-2010), a MERS-Cov (2021 até o momento), o Ébola (2014-2016) e agora a Covid (2019 até o momento). Se incluirmos os surtos e epidemias registradas nos últimos 20 anos, o número pode ultrapassar 71 casos espalhados pelo planeta, tais como dengue, cólera, malária, hepatite, chikungunya, febre amarela, sarampo, zica vírus, etc. Aqui lembro que: a) 70% das doenças modernas são de origem animal, causadas em maior parte pelo aumento do consumo de carne, exploração de animais silvestres e expansão de terras agrícolas <https://bit.ly/2Ttj9jt>; b) o desmatamento, o garimpo e a transformação de ambientes florestais em pastos para áreas agrícolas aumentam o risco de seres humanos entrarem em contato com animais hospedeiros de vírus desconhecidos, assunto que é fartamente conhecido pela comunidade científica, mas que não têm recebido a devida atenção por parte de nossos empresários e autoridades <https://go.nature.com/3iF9hNW; https://bit.ly/3cEq8fY; https://bit.ly/2U9TNYh, https://bit.ly/3cIRDVT>;

6o) Secas, enchentes, ciclones, tempestades mais severos e em menor tempo. Segundo a OMS <https://bit.ly/35jxT71, https://bit.ly/3cJmGka> entre 80% e 90% de todos os desastres naturais documentados no planeta, entre 2000 e 2010, foram resultados de inundações, secas, ciclones, ondas de calor e fortes tempestades. Segundo um artigo publicado na Nature <https://go.nature.com/3pUBwJX>, os pesquisadores apontaram que na Europa os danos das secas podem aumentar fortemente com o aquecimento global e causar desequilíbrio regional. Eles também apontaram que na ausência de ação climática, as perdas por conta das secas na UE e no Reino Unido podem aumentar para mais de 65 bilhões de Euros por ano. 

E nem precisa ir longe, pois este ano testemunhamos a maior cheia do Rio Amazonas desde o início do registro, em 1902. Basta o leitor buscar os números junto à CPRM para verificar que as três maiores cheias ocorreram em 2021 (30m), 2012 (29,97m) e 2009 (29,77m), ou seja, estão acontecendo em menos tempo e em maior intensidade. Não precisa complicar na linguagem científica pois os Amazonenses, especialmente os mais velhos, já perceberam que o Rio Amazonas está ficando descontrolado, causando prejuízos para feirantes, lojistas, agricultores e milhares de pessoas. No entanto, quem gosta de conferir números científicos que mostram que os eventos envolvendo o Rio Amazonas estão ficando cada vez mais extremos, basta acessar esse artigo científico publicado em 2018 na Revista Science Advances <https://bit.ly/3zua8H9>.

Todos esses fatos são reais e o mais revoltante de tudo isso é que foram previstos no passado, pois há décadas nós cientistas estamos alertando, chamando a atenção, propondo alternativas, mas a visão de curto prazo, a avareza, o poder e o lucro a qualquer custo falam mais alto. Quem tem poder de planejar, prevenir, mudar, não demonstra muito interesse, agindo de forma reativa aos eventos, se tocando quando sentem perdas no bolso e até dentro da família.

Diante do exposto, temos que agir rápido, pois os cientistas estimaram em 2018 e em 2019  <<https://bit.ly/3uT5peH, https://go.nature.com/3zuuGiL> que o ponto de não retorno da Terra poderá chegar antes de 2035, ou seja, se não migrarmos para energias renováveis e adotarmos um novo modo de vida, corremos o sério risco de termos um planeta desestabilizado, hostil e inabitável. 

Apesar de ser resiliente, precisamos ajudar a Mãe Terra, e um dos maiores expoentes no assunto, o Dr. Joan Rockstrom, mostra como isso é possível, valendo à pena assistir esse vídeo <https://bit.ly/3xmXWX6> para entender as métricas que ele e sua equipe desenvolveram para avaliar a dinâmica dos 15 grandes sistemas biofísicos que regulam o clima, bem como as propostas para colocar a Mãe Terra de volta para o caminho da sustentabilidade e proteger futuras gerações.

Recomendo também a assistir pela Netflix o documentário “Rompendo Barreiras: Nosso Planeta”, nele uma equipe de cientistas (incluindo Dr. Joan) analisam o colapso da biodiversidade na Terra e apresentam possíveis soluções para reverter a crise atual, as quais serão abordadas com mais detalhes nos próximos artigos do JC-AM.

Finalmente, temos poucos anos para tratar da Mãe Terra ou corremos o sério risco de Gaia se transformar em nossa pior inimiga.

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