O destino me levou a conhecer, conviver ou trabalhar com pessoas mais velhas do que eu. Comecei muito cedo e em múltiplas frentes de atuação, observação e avaliação.

As primeiras personalidades com quem pude conviver e marcar minha vida já não se encontram entre nós. Entre outros, Negrão de Lima, o notável estadista  com quem exerci muito jovem funções públicas; Almirante Sílvio Heck, que me mostrou o exemplo de patriotismo de nossos militares; Gilberto Marinho, o exemplar senador do Rio de Janeiro, assim como os também senadores Mozart Lago,  Amaral Peixoto e Nelson Carneiro; Magalhães Pinto, exemplo de bondade, simplicidade  e vocação para a vida pública; o amigo e ídolo Roberto Campos; os inesquecíveis chefes César Cals e José Hugo Castelo Branco e amigos queridos como José Aparecido de Oliveira e José de Castro Ferreira. Quanta falta fazem ao Brasil!

Pensando bem, nestes dias de pandemia, constatei que ainda temos lúcidos e presentes na vida nacional um grupo seleto de grandes brasileiros, acima dos 85 anos, alguns dos 90, homens que deveriam compor um Conselho Consultivo da República, para emprestarem ao poder a experiência e a sabedoria que acumularam ao longo da vida, com relevantes serviços prestados ao Brasil. Homens de mãos limpas.

Ocorre-me personalidades como os ex-ministros da Fazenda Ernane Galvêas, Marcílio Marques Moreira, Delfim Netto e Maílson da Nóbrega, e da Justiça, Bernardo Cabral. Além dos advogados, juristas e pensadores como Ives Gandra Martins, Carlos Velloso, General Villas-Boas, empresários como Rui Barreto, da ACRJ, Alencar Burti, da ACSP, João Sá, da ACB, num suceder de talentos. Homens patriotas sem outra ambição senão ajudar o Brasil a ser melhor e, consequentemente, os governos, inclusive estaduais.

O mundo digital, que, em princípio, poderia colaborar para manter viva a memória nacional, seus exemplos e seus grandes filhos, acabou limitando em 24 horas os acontecimentos.

O que existe de sólido na nossa economia privada é devido aos empreendedores do passado, homens que, com ousadia, coragem e competência, construíram impérios, que nem sempre os herdeiros souberam manter. Mas deixaram um legado de exemplos de trabalho, com honra e espírito público. Hoje, são pouquíssimos os grupos nacionais com liderança efetiva, mas são referência como os Klabin-Lafer e os que controlam empresas fundamentais para a nossa economia, no gás, nas ferrovias, na energia renovável, no agronegócio. A geração que pelos anos sessenta construíram, gigantes da engenharia , como  Sebastião Camargo, Roberto Andrade, Norberto e Emilio  Odebrecht deixaram bons exemplos  e maus sucessores.

A inspiração de um pouco de humildade, ou de informação, ou de respeito à experiência e à ficha limpa deveria inspirar a cúpula da República e dos estados a buscar aconselhamento em quem conhece, sabe onde e como se errou e pode apontar os rumos para o futuro.

 Muito simples, parece-me!

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