Preciosidades que saem do fundo da terra

A Amazônia é rica tanto em minérios quanto em pedras preciosas e semipreciosas. De acordo com dados do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), do total de minérios extraídos na região, o ferro está em primeiro lugar, com 35,2% de extração; seguido pela alumina/bauxita, com 17,6%; o alumínio, com 15,1%; e o cobre, com 11,3%.
Já para a UFPA (Universidade Federal do Pará), entre as pedras preciosas destacam-se o diamante, com ocorrências no sul do Estado do Amazonas e nos municípios de Barcelos e Maués. O Pará também foi um grande produtor de diamantes, mas a pedra praticamente se exauriu naquele Estado que ainda hoje produz quartzos, ametistas e turquesas.
O que minérios e pedras preciosas têm em comum além de terem ficado escondidos durante milhões de anos sob e sobre o solo amazônico, numa mistura de elementos químicos que formou grandes jazidas? Juntos, polidos e lapidados, eles podem ser transformados em belíssimas joias surgidas das mãos de hábeis artistas, como a designer de joias, Rita Prossi, uma das pioneiras nessa arte no Amazonas.
Rita ficou famosa nacional e internacionalmente porque incorpora às suas peças, elementos da natureza como madeiras, fibras de palmeiras, argila, sementes, caroços, cascas, resinas, escamas e madrepérolas que, depois de trabalhados, ganham o mundo em forma de colares, anéis, brincos, pulseiras, braceletes, pingentes, broches, prendedores de gravata e abotoaduras.
Infelizmente, apesar de estarmos com os pés sobre todo esse minério com potencial imenso para gerar riquezas, praticamente não podemos usufruir deles, enquanto grandes conglomerados estrangeiros de mineradoras os exploram.
Na entrevista a seguir, para o Jornal do Commercio, Rita Prossi, explicou como é o trabalho de quem produz essas peças, no Amazonas.

Jornal do Commercio: Você usa minérios e pedras da Amazônia para fazer suas jóias?
Rita Prossi: As gemas, ou pedras, eu não uso porque não são licenciadas para tal. A maioria das jazidas de pedras, situadas no Amazonas, estão em território indígena ou em reservas florestais e não podem ser exploradas, então eu utilizo pedras vindas de outras regiões do país e minérios recicláveis como ouro, prata e cobre, além das preciosas matérias-primas amazônicas: as sementes, as fibras naturais, os couros de peixes e os resíduos de madeiras.

JC: Então, que pedras você utiliza e de onde elas vêm?
RP: Todas são pedras brasileiras, como turquesa, granada, citrino, ametista, topázio, quartzos, ágatas, entre várias outras, vindas de Minas, São Paulo e Rio Grande do Sul.

JC: Mas elas precisam ser lapidadas para utilização nas peças…
RP: Com certeza. Eu já as compro lapidadas. Essa lapidação também é feita em Minas, São Paulo e Rio Grande do Sul.

JC: E como você escolhe o tipo de lapidação que deseja?
RP: Existem vários tipos de lapidação para uma gema, com tabelas definindo modelo e medidas padrão. Eu apenas especifico o tamanho, a espessura e o tipo de lapidação que desejo. Fiz um curso técnico de gemologia no IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais) para aprender a ter conhecimento sobre esse universo tão lindo dos minerais, das rochas, das pedras brutas. Aprendi tipos de lapidação para cada peça de ouro e prata, peso dos minérios e pedras, seu quilate.

JC: Quem são os principais compradores dessas peças e como estão os preços?
RP: Geralmente são turistas. Quanto ao preço, varia muito, de acordo com a cor, qualidade e raridade do material utilizado na peça.

JC: Onde pode-se aprender a fazer essas joias?
RP: Em Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul, além de várias outras partes do Brasil. No Amazonas, fui a pioneira em ensinar, quando tinha uma pequena fábrica no Distrito Industrial, em 2006. Criei o projeto da primeira oficina de ourivesaria do Amazonas, com apoio do Sebrae e da Fucapi.
Formamos três turmas que agora são os designers que estão atuando por aí, alguns em Parintins, outros no núcleo de design da Fucapi e outros na informalidade vendendo seus produtos em feiras.

As pedras mais usadas por Rita Prossi

Turquesa
É uma gema geralmente entre a cor ciano e o verde, gerando a cor homônima. As variedades mais caras são a “robin’s egg blue,” (cor azul do céu). As inferiores são esverdeadas. A turquesa que se desvanece na cor é também inferior.

Citrino
O citrino é, de longe, um dos cristais mais amados e procurados em todo o mundo. Em sua forma natural, apresenta-se em belíssimas e elegantes tonalidades de amarelo ouro e laranja acinzentado.

Granada
A granada é encontrada no mundo todo. Muito apreciada desde os tempos da Antiguidade, era considerada como a “Pedra da Luz”. Significa “Pedra de Fogo”. É considerada a guardiã do amor e da paixão.

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