Prazeres e desafios de ser professor

15 de outubro, data que homenageia o profissional que forma todos os demais profissionais, o professor. Em 15 de outubro de 1827 foi quando D. Pedro I instituiu o Ensino Elementar, no Brasil, criando escolas onde houvesse vilarejos, normatizando conteúdos a serem ministrados e condições trabalhistas para os professores. Passados 193 anos, nem tudo são flores na carreira de professor. Mas eles amam a profissão que abraçaram

“É uma missão. O desafio é forte, e não é pouco não. As condições que o sistema nos dá não se adéquam à nossa realidade como agora, por exemplo, com o retorno às aulas pós isolamento social. Os alunos precisam vir duas vezes por semana para a escola, enquanto o professor precisa vir todos os dias, como se estivéssemos imunes ao coronavírus”, falou o professor Maurício Gonçalves Grillo, do Colégio Estadual D. Pedro II.

Atualmente Maurício ministra História, mas também já ensinou Língua Inglesa, Filosofia e até Religião.

“Já lecionei no Leopoldo Neves, em Santa Luzia; no Arthur Soares Amorim, na Cidade Nova; e no Francisco Albuquerque, na rua Joaquim Nabuco. Há mais de 20 anos sou professor”, destacou.

“Para mim é um prazer passar os meus conhecimentos, estar na sala de aula, estar com jovens, ver meus projetos com os alunos serem desenvolvidos. Se um aluno se interessa pela minha aula, já é um prazer para mim. Para nós, professores do D. Pedro II, é um orgulho saber que o colégio é um dos que mais aprova alunos nas universidades públicas graças aos nossos esforços” lembrou.

“Quando ainda estudava, dizia que a última coisa que queria ser na vida era professor. Como sempre gostei de história, cursei História, e acabei me tornando professor de História”, riu.

Como num templo grego

Aguinaldo Nascimento Figueiredo também é apaixonado por História, e já tem vários livros publicados sobre o assunto.

Aguinaldo Figueiredo, e seu pupilo, o historiador Fábio Augusto

“Os problemas enfrentados pelo professor, no dia a dia, são muitos. Extrapolam os portões da escola. Vivemos numa sociedade deteriorada onde disputamos nossos alunos com a bandidagem que nos cercam. Vivemos num momento de inversão de valores onde tudo de bom que ensinamos dentro de uma sala de aula, o aluno vê ao contrário nas ruas, comportamentos anti-éticos e amorais”, lamentou.

Da mesma forma, Aguinaldo lamentou a relação existente entre o poder público e os professores.

“São atitudes sempre vindas de cima para baixo, atitudes tomadas sem nos consultar. Somos a categoria, com formação acadêmica, que recebe o menor salário no serviço público, como se não tivéssemos valor, não tivéssemos gastos, impedindo até que possamos investir na nossa própria formação em outras cidades e mesmo países”, afirmou.

Em 25 anos de atuação, Aguinaldo já deu aulas em oito escolas estaduais e municipais. Iniciou no IEA e hoje trabalha na escola Carlos Farias de Carvalho, no Monte das Oliveiras; e na escola Ernesto Pinho Filho, no Galiléia, com aulas de História e Sociologia.

“É indescritível a relação que estabelecemos com colegas, alunos e pais de alunos. A maioria dos pais reconhece o bem que estamos fazendo para os seus filhos. Já fui um professor muito rígido. Hoje procuro entender o meu aluno enquanto ser humano e ajudá-lo da forma que puder. Quando entro numa sala de aula, uma força espiritual toma conta de mim e me sinto como se estivesse ensinando num templo grego”, revelou.

Mãe professora

Glaunara Mendonça de Oliveira é filha de professora do IEA (Instituto de Educação do Amazonas), professora que formava outros professores.

“Ficava encantada vendo os alunos aprendendo com minha mãe e, ainda criança, comecei a ensinar outras pessoas. Não tinha como não me tornar professora”, lembrou.

Com 18 anos na profissão, Glaunara já deu aulas de Língua Inglesa, Artes, e atualmente ensina Língua Portuguesa e Literatura, no D. Pedro II.

“Comecei dando aulas numa escola particular, e já dei aulas em outras três municipais e três estaduais”, recordou.

“Enquanto professora, preciso estimular meus alunos a entender a importância de estarem na escola. A maioria se diz obrigada pelos pais a estarem ali. Na periferia essa situação é ainda pior, então, além de professora, eu necessariamente preciso ser educadora e saber reconhecer as dificuldades dos meus alunos. É maravilhoso quando eles, adolescentes, começam a entender a importância do que ensino para eles”, contou.

Glaunara realiza um trabalho junto a seus alunos no qual eles, através de redações, desenvolvem a capacidade de escrever textos e colocar ali as suas angústias, os seus sonhos e os seus desejos.

“São vários os prazeres que sinto enquanto professora, um deles é partilhar o que sei. Você fica mais rico quando compartilha os seus conhecimentos e melhor ainda quando vê um aluno evoluindo na vida graças ao que você ensinou para ele”, afirmou.

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