2 de dezembro de 2021

Praça do Congresso (do inferno)

Amazonidades

Em 1908 o local foi batizado com o nome de Praça Antonio Bittencourt, em 1942 adotou o nome de Praça do Congresso para lembrar a realização, em Manaus, do 1º Congresso Eucarístico Nacional que teve como palco aquele logradouro situado no alto da Eduardo Ribeiro, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas. O cenário, além do IEA, era emoldurado pela residência dos Miranda Correa, pela sede do Ideal Clube, pelo belíssimo Instituto Benjamin Constant e pelo prédio da Secretaria de Saúde que mesmo tendo uma arquitetura de gosto duvidoso, era socialmente tão importante que aquele espaço também era conhecido como Praça da Saúde.
Em novembro de 2000 escrevi, aqui, um artigo cujo título “Praça do Congresso” abrigava uma denúncia contra o desleixo do poder público com todas as praças de Manaus que guardam monumentos representativos de nossa história e registro isso para tipificar este texto como um apelo recorrente. 787

Progresso relativo

Antes da degradação dos costumes que veio como efeito colateral da implantação do modelo Zona Franca, a Praça do Congresso era um local arborizado e bonito que, nos finais da tarde e começo da noite recebia famílias que ali iam buscar momentos de lazer e tranqüilidade. Durante o dia os bancos sombreados e bem cuidados de suas quatro quadras eram ponto de encontro de estudantes que ali se reuniam, ao final das aulas, para namorar, brincar, conversar. O único valor positivo das mudanças urbanas atuais, foi a transformação daquele espaço em pólo de atividades educacionais com seu entorno ocupado por escolas públicas e privadas, de ensino fundamental, médio, profissionalizante e universitário, caracterizando o lugar como uma verdadeira Praça da Educação.

O descaso

Em vez de garantir vida saudável para a juventude, as autoridades permitiram que os estudantes fossem adotados por galerosos e traficantes cuja ação socialmente deletéria preenche um vasto elenco de irregularidades e ilegalidades que começa no prejuízo aos carros provocados por “skatistas” e termina com a presença de um perigoso homicida (duas mortes) que vive, livremente, na praça praticando furtos, vendendo droga e ameaçando transeuntes e moradores. E entre esses extremos, registra-se uma enciclopédia de exemplos de má conduta.

A praça do inferno
No domingo passado, dia 9 de marco a praça atingiu seu ponto culminante de irregularidades e ilegalidades, transformando-se em uma autêntica Praça do Inferno. Sem todas as autorizações necessárias, um grupo religioso resolveu realizar um comício evangélico cujo início efetivo aconteceu na noite de sábado com a armação de um enorme palanque com suas caixas de som ensurdecedoras, prenunciando um dia de desconforto e sofrimento para os moradores do entorno. Bem no inicio da manhã de domingo um tresloucado baterista iniciou uma exibição de batuque que foi reprimida pelos moradores que resolveram denunciar o problema para a prefeitura, policia, imprensa e Bombeiros, já que o hidrante ali existente, em uma emergência, teria seu acesso dificultado. Por volta das 10h chegou um representante da prefeitura que se declarou o “autorizante” do evento, porém mais tarde, curiosamente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente autuou a “igreja” por falta de licença ambiental. No rol das irregularidades também deve ser registrada a ligação clandestina para roubo de energia elétrica e o fato de, às 18h, quando terminou o evento, haver um único “azulzinho” comandando o complicado trânsito na esquina da praça com rua Ramos Ferreira.
Apesar das irregularidades o evento teve seqüência entre 13h e 18h, com os moradores sendo obrigados a sair de casa ou suportar um inferno de sons e bobagens ditas em nome de um Deus surdo para uma platéia que deixou, como lembrança, enorme quantidade de lixo a ser coletado por funcionários públicos pagos com dinheiro de toda a sociedade. A meu juízo, os eventos com grande público deveriam ser realizados exclusivamente em locais construídos para aglo

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