Povo comparece em massa para último adeus

Mais de 10 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, compareceram na manhã de terça-feira, ao funeral do ex-governador Gilberto Mestrinho, no cemitério São João Baptista, em Manaus, para onde o corpo do ex-governador e ex-senador seguiu após um cortejo pelas principais ruas da zona sul.
Escoltado por cerca de 50 policiais da guarda de honra, o caixão saiu em carreata do Palácio Rio Negro, antiga sede do governo amazonense, sobre o carro do Corpo de Bombeiros às 9h, percorrendo o antigo reduto político do ex-parlamentar.

Povo dá o adeus a Gilberto

Ao longo das principais avenidas dos bairros Cachoeirinha e Praça 14 até o cemitério São João Baptista (zona centro-sul), as pessoas acenavam com bandeiras do Amazonas e cartazes de campanhas antigas, cujo slogan “mestre comandante” tinha como símbolo o timão de um barco regional. “Isso mostra o carisma que meu pai possuía junto às mais diversas camadas da sociedade manauense. Por conta da simplicidade no trato com as pessoas, ele foi durante a vida o grande timoneiro do barco chamado Amazonas”, avaliou o filho do ex-governador, João Thomé de Medeiros Raposo.
O caixão de Gilberto Mestrinho coberto com a bandeira do Amazonas foi recebido com honras de chefe de Estado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar. Uma salva de três tiros ao som de marchas fúnebres executadas pela banda da PM, além de um helicóptero militar, que do alto lançou pétalas de rosas, marcaram a chegada do corpo ao cemitério.
Ao lado do jazigo da família, as homenagens ao ex-senador que presidiu por três vezes consecutivas a Comissão Mista de Orçamento seguiram-se por meio de discursos proferidos pelo filho, João Thomé, pelo governador Omar Aziz e pelo líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio Neto. “Ele não foi apenas um pai e, sim, um amigo e um político admirado. E, morreu como sempre desejou, na sua terra”, disse emocionado João Tomé.
Outro visivelmente emocionado foi o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, que fez questão de frisar, quando perguntado sobre as desavenças políticas, que ele e Mestrinho eram adversários políticos por conta de ideologias partidárias, mas o respeito e a admiração sempre marcaram a amizade entre as duas famílias. “Eu analisei a história e as duas figuras mais importantes do século 20 são, sem dúvida, Álvaro Maia e Gilberto Mestrinho. Amargou o exílio por 16 anos, as doenças e as diferenças sem perder a dignidade e, preferiu morrer entre seus índios simplesmente para homenagear o Amazonas”, disse Artur Neto.

Antigos aliados

Sob aplausos do público visivelmente emocionado que cantava “Feitiço do boto navegador”, hit que marcou a campanha para o governo em 1983, o enterro foi marcado ainda pela presença de antigos aliados e rivais políticos de Mestrinho, deixando claro o respeito e a influência que a figura do político exerceu até o fim de sua vida.
No cemitério, as pessoas se utilizaram das árvores do entorno como apoio para ver melhor o cortejo. “Bem se vê que se foi aquele considerado por muitos como um pai. Agora, parece que fica um vazio na alma e na mente dos amigos e admiradores”, disse o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB).
O sol forte não desanimou os populares que esperaram até perto do meio-dia para ver o túmulo onde o ex-senador foi enterrado sob uma salva de palmas do público presente. O sepultamento foi realizado sob toque de silêncio executado por um corneteiro da Polícia Militar.

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