Antes que pensem que eu sou egoísta, vou explicar por que não dou mais caronas. Tudo começou em 1978, eu estava estreando a minha CNH e iria viajar do Rio de Janeiro para a cidade de Pindamonhangaba-SP. Ao sair da garagem de casa, meu vizinho me perguntou se eu ia viajar e para onde. Eu disse que ia para São Paulo. Então ele me pediu para levar a sogra dele de carona, pois ela ia para São Paulo também. Pensei, como é um grande amigo, vou fazer este favor. Bem, quatro horas depois, a senhora entrou no meu fusca. Evidentemente a minha viajem já iniciou em atraso. Enfim, saímos eu a senhora, emburrada, calada, séria. Que bom! Pelo menos não me atormentou, ainda cru na CNH. Lá pelas tantas, decidi perguntar aonde ela ia ficar. Me disse: São José dos Campos. Ai.

Eu ia ficar quilômetros antes. Ia. Na madrugada, deixei a senhora na porta da casa de outro genro. Me deu bom dia e nunca mais a vi. Perdi meu compromisso, gastei uma fortuna em gasolina. E tudo sem se alimentar. Bem, me penitenciei por não ter dito o meu objetivo final ao meu vizinho e apenas falei o Estado onde eu ia: São Paulo. Prometi a mim mesmo que nunca mais daria carona. Promessa quebrada só em 2009. Eu havia comprado uma L 200, zero quilômetro, linda, carrão. Então, em um final de semana, surgiu uma viagem de negócios a partir de Brasília para o interior de Goiás. Como eu não conhecia o trecho e tinha que fazer alguns relatórios durante a viagem, convidei um jovem do escritório para ir comigo e dirigir a L 200. Correu tudo certo, como um relógio suíço. Na ida. Na volta, de noite, depois de meia-noite, na BR, o jovem me pediu: chefe, posso dar uma carona à minha sobrinha? Pensei: vou me arrepender, mas, como ele está me ajudando, vou retribuir o favor. Pode sim, sem problemas, falei. E perguntei onde iríamos pegar a tal sobrinha. O jovem me respondeu: bem ali. Enfim, depois de 328 Km além do percurso que faríamos, inicialmente, deixamos a tal sobrinha em casa. Na hora do almoço, do dia seguinte, cheguei em casa. Uma noite sem dormir, na estrada. Mas, pelo menos, terminei todos os relatórios possíveis que eu devia ao escritório. Pensei depois: nunca mais compro carro.

Mas, experimente morar e trabalhar no Plano Piloto, em Brasília, sem carro. O tempo passou. Anos depois, um lindo domingo, outro vizinho me pede o carro para pegar os filhos na casa da ex-esposa. Não vou dizer a cidade pois, até hoje, este fato é comentado. Eu sempre soube que não se empresta carro e nem escova de dentes. Mas, carro se compra e amizade se conquista. Emprestei! E era um Meriva, na época. O vizinho me pediu o carro às 2 da tarde daquele domingo. E a ex-esposa morava a cerca de 15 minutos da minha casa. Enfim, na tarde de segunda-feira, alguns policiais foram na minha casa e solicitaram a minha presença em determinada Delegacia. Fui. Eles não me adiantaram o assunto, mas  disseram que não precisava de advogado, pois apenas iriam me informar de uma ocorrência. Claro que eu pensei que era algum encrenca com o meu Meriva. E era! Depois de 3 horas na tal Delegacia, fui esclarecido da confusão: a ex-esposa e o meu vizinho tiveram um discussão muito “acalorada”. Fruto desse “conflito”, ela, a ex-esposa do meu vizinho, tocou fogo no meu Meriva e com o vizinho dentro. O vizinho sobreviveu. O Meriva, não. Enfim, 37 dias depois, meu vizinho me deu um  Lada, russo, como forma de restituir o meu Meriva, que, claro, não tinha seguro e, ainda, não estava quitado. Aprendi a lição e a vida seguiu o seu destino. Enfim! Mas, a arte de dar carona é uma coisa e a  arte de pedir carona é outra. Só sei que, até hoje, a palavra carona me dá arrepios. E a vida segue !

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