Por que defender a Petrobras e o modelo industrial da ZFM? (final)

Pelo menos até 2050 o mundo ainda dependerá muito dos combustíveis fósseis, pois, 80% das atividades produtivas nas nações possuem com insumo energético carvão mineral e petróleo, vaticinou em entrevista do dia 27 de agosto de 2020, o ex-diretor de exploração da PETROBRAS, Guilherme Estrella.

Sempre me orgulhei do Brasil por seu planejamento estratégico no tema Energia.

Embora não sejamos um país que possua em sua integralidade continental, um Sistema Interligado Nacional em energia, nossa matriz energética já é menos dependente do petróleo (cerca de 45% da nossa energia provêm de fonte renovável).

E, para continuarmos avançando na sustentabilidade e eficiência matricial de nosso Sistema, essencial ao desempenho e desenvolvimento dos diversos arranjos produtivos, entre eles, os do setor industrial, é e será fundamental o exercício e o trabalho pelo movimento em defesa da principal representante da indústria petrolífera nacional: a Petróleo Brasileiro S.A..

No caso do Pré-Sal, onde a empresa trabalhou no limite do conhecimento científico e tecnológico (hoje, totalmente dominado através de uma invejável patente industrial ‘made in Brasil’ construída em parceria com universidades brasileiras como a UFRJ, a UNESP, a UNISINOS, entre outras), desejada mundialmente pelo capitalismo produtivo, ressalto o pensamento estratégico da presença da PETROBRAS como agente de desenvolvimento industrial na nossa região, por sua capacidade de impulsionar novos arranjos produtivos e agregar valores e inovação aos existentes, como os do modelo da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Provocado pelo ex-diretor e ativista empresarial do Polo Industrial de Manaus (PIM) José Renato a pensar para além de 2073, e, diante do ‘silêncio’ das nossas autoridades amazonenses sobre o tema da venda de Urucu e da Refinaria de Manaus, proponho, caro amigo, uma REENGENHARIA sob o domínio do Estado brasileiro e de nossos interesses locais e soberanos na Amazônia.

Sob o comando da SUFRAMA é possível estruturar os interesses comuns das empresas PETROBRAS, ROSNEFT e de outras iniciativas privadas nacionais e internacionais que, consorciadas, possam ser naturalmente atraídas ao potencial gaseifico das nossas bacias sedimentares amazônicas, ampliando os nossos atuais volumes e reservas de petróleo.

Este movimento político regional, para além da queima do gás natural à produção de energia em térmicas, pode construir em parceria com as universidades e instituições de pesquisa locais, programas e projetos direcionados à engenharia e fomento de um cluster industrial de energia no PIM, unindo a realidade viável do polo gás-químico (produzindo ureia, metanol e poliestirenos) às possibilidades de produção de insumos combustíveis de fontes renováveis regionais (frutos e proteínas da Amazônia).

Uma geo e bioeconomia com vocação amazônica, nacional, que muito contribuirá aos desafios planetários no século XXI e para além dele. A SUFRAMA e o pacto federativo têm e terão um papel substancial na condução das articulações à manutenção e atração de novos investimentos em favor da Amazônia nos próximos 53 anos.

Os recursos financeiros já existem e encontram-se previstos na legislação federal e estadual. Há, localmente, uma cultura industrial e pela sustentabilidade em seus arranjos produtivos.

O que não se pode permitir é que fundos municipais, como os de Coari, sejam aplicados nas escolas de samba do Rio de Janeiro.

Que o governo do Amazonas deixe de cumprir suas responsabilidades legais previstas na Constituição Estadual que devem destinar à Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente 20% das receitas advindas da produção mineral e petrolífera, um valor anual aproximado de R$ 100 milhões, que retroalimentariam, pela inovação e produção de conhecimento, o nascimento, ou renascimento, do cluster de energia no PIM.

E que o governo Bolsonaro continue desprezando, através do ministro da Economia Paulo Guedes, o papel estratégico do modelo industrial da ZFM à conservação da floresta e das pessoas que aqui vivem, ao expropriar recursos orçamentários da SUFRAMA, arrecadados legitimamente pelo capitalismo produtivo, destinando-os aos interesses difusos de um orçamento da União que continua privilegiando ‘regalias operacionais’ do sistema político legislativo, judiciário e executivo nacional.

Tenho que corroborar com a dura crítica ao cenário brasileiro feita pelo ex-diretor da PETROBRAS Estrella em sua entrevista: “não podemos permitir que o Brasil volte a se tornar colônia da roleta financeira internacional. […] A pandemia trouxe à superfície os reais compromissos do sistema capitalista financeiro.”

Será que os iluminados economistas ministeriais do governo Bolsonaro desconheceram os sinais do mercado desde agosto de 2019?

Relembro para que leiam o que a Folha de São Paulo reproduziu em 04 de agosto de 2019, matéria do Financial Times que trazia como título: “Fundo do megainvestidor Warren Buffett acumula R$ 460 bilhões em caixa. ” Ao recomprar suas ações gastando cerca de US$ 442 milhões naquele segundo trimestre de 2019, apontava a reportagem, Buffett (CEO da Berkshire Hathaway) apostava numa aquisição empresarial expressiva, mas, em uma carta aos acionistas, divulgada em fevereiro de 2019, alertou que os preços estavam “extremamente altos”, por isso, o grupo estava investindo em suas próprias ações, enquanto espera por uma “aquisição do tamanho de um elefante”. A última aquisição do Grupo da Berkshire foi o investimento de US$ 10 bilhões na Occidental Petroleum.

No mesmo período de 2019, em 16 de agosto, na seção Negócios do site NEOFEED (www.neofeed.com.br), a articulista Eloá Orazem, desde os Estados Unidos, afirmava: “Warren Buffett tem US$ 122 bilhões em caixa. E isso não é bom. E questionava: “a Berkshire Hathaway, de Buffett, está ultra-capitalizada. E os analistas se perguntam: por que o megainvestidor não está indo às compras?

Será que Wall Street teria tido uma bola de cristal que, com seis meses de antecedência, previu a quebradeira econômica planetária pela pandemia? O que isso está relacionado com um vírus ‘comunista chinês’ e com a ‘nova ordem mundial’?

Desculpe-me pela ironia dos ‘questionamentos terraplanistas’.

É que não consigo pensar na maior empresa petrolífera brasileira sendo destruída pela inteligência criminosa comandada pelo ministério da Economia, de gestores descompromissados com o Brasil, com o povo brasileiro, com o desenvolvimento nacional, industrial, científico e tecnológico e dominados por interesses de grandes fundos de investimentos mundiais e transnacionais.

Todos os investimentos ao Brasil são bem-vindos, menos os especulativos. Infelizmente, as atuais propostas de privatizações não estão acordadas num modelo capitalista produtivo.

Em nome do capitalismo financeiro, com lucros máximos, no menor tempo, correndo riscos mínimos, enquanto estão no poder, acompanhamos a destruição de nossas instituições amazônicas; e temos pedido aos nossos soldados que sejam bombeiros, pela incapacidade intelectual e moral, público-privada, de governança e monitoramento das atividades produtivas.

O ‘pai do Pré-Sal”, geólogo Guilherme Estrella lembrou na entrevista, sobre a proposta do senador Requião de chamamento de um plebiscito nacional para avaliarmos, Sociedade Brasileira, o caso da privatização da Petróleo Brasileiro S.A.

Quem sabe no bojo da reforma administrativa e tributária, justificada pelo ministério da Economia, não podemos ser convidados, enquanto amazonenses, amazônidas e brasileiros, a sentar todos à mesa da SUFRAMA e desenharmos juntos, enquanto Sociedade atingida, as nossas soluções e caminhos. Afinal, amigo José Renato, 2073 vai chegar, com certeza!

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