“Amante do futebol, desde cedo compreendeu que esta atividade seria o esporte das multidões. E mais do que isso, o esporte que poderia irmanar as multidões. Esta era uma paixão e convicção do seo Belmiro que fez de seu amor pelo futebol o lazer profissional de cronista esportivo. O futebol amazonense vivia seu tempo áureo de paixão e o levou a escrever e comentar as pelejas memoráveis no Parque Amazonense, nossa réplica de Wimbledon, destruída pelo descaso da gestão pública”.

Por Belmiro Vianez Filho (*) 

Nosso antropólogo e amazonólogo, Nunes Pereira, dizia que “se nós não homenagearmos nossos mortos, todos os dias eles morrem um pouco dentro da gente”. Isso não se aplica, obviamente à minha história – porque seo Belmiro Vianez vive em mim – mas fortalece a intenção com que a gestão municipal de David Almeida se moveu para definir a denominação dos logradouros públicos de Manaus. 
Um bom gestor prioriza Educação, daí o formato pedagógico para destacar personagens de nossa história que foram apaixonados por nossa cidade. A “Cidade Sorriso” ou a “Paris dos Trópicos” tem sido descaracterizada em sua memória. E para o desenvolvimento do zelo por parte dos munícipes, nada como adubar o sentimento amoroso pela própria terra. Quem ama cuida. E de muito carinho ao fazê-lo.
Tenho visto com muita alegria a modificação humana para melhor que tem se destacado na recuperação de locais simbólicos de nosso município. A homenagem prestada ao Governador Gilberto Mestrinho na restauração do Boto Navegador ilustra a pedagogia do simbolismo histórico. 

Com muita emoção fui convidado pelo prefeito Davi Almeida e seu ilustre secretário Sabá Reis, para  inauguração do COMPLEXO VIÁRIO, PRAÇA E RUA BELMIRO VIANEZ,  em homenagem ao seo Belmiro, meu saudoso pai. É honroso o critério de batismo desses logradouros, de sempre promover o nome de pessoas que amaram Manaus. Com essa homenagem eles vão continuar presentes como os amantes de Manaus e, por isso mesmo, precisam ser lembrados e amados. 

Português de nascimento, seo Belmiro adotou esta cidade como sua e aqui expandiu sua família e seus negócios,  sempre ensinando seus filhos a amar esta terra. E posso dizer que tudo fazer pelo seu engrandecimento. Fui testemunha desde tenra infância de seu amor por Manaus, não apenas pela memória lusitana que borbulha pela cidade da arquitetura neoclássica e de elegantes edificações adaptadas ao calor dos trópicos. Os azulejos lisboetas sinalizam os propósitos da família real portuguesa de construir seu império bem pertinho do Equador. 

Numa cidade em que o calor é principalmente aquele que vem do afeto, seo Belmiro empreendeu em sua nova pátria entendendo as razões pelas quais seus antepassados foram hábeis para fazer da Amazônia o pedaço mais importante do Brasil. Embora o país ainda não tenha se dado conta deste tesouro.

Ele sempre achou que um dia o Brasil do Sul iria acordar para nossa terra e deixar de nos tratar como cidadãos de segunda classe. Ele conhecia o general Humberto de Alencar Castelo Branco, admirava Arthur César Ferreira Reis, e era parceiro de grandes expoentes de atividade comercial na cidade. Convivia na ACA com figuras heroicas e visionárias como Edgar Monteiro de Paula, os irmãos Loureiro, o lendário Cosme Ferreira, entre tantos combatentes de nossa economia e cidadania. 

Tenho orgulho de recordar que seo Belmiro integrou o movimento das lideranças locais para pressionar o governo federal pela instalação definitiva da ZFM. A Zona Franca de Manaus estava paralisada desde que foi homologada pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 1957, a despeito dos esforços de nossa bancada parlamentar. 

Amante do futebol, desde cedo compreendeu que esta atividade seria o esporte das multidões. E mais do que isso, o esporte que poderia irmanar as multidões. Esta era uma paixão e convicção do seo Belmiro que fez de seu amor pelo futebol o lazer profissional de cronista esportivo. O futebol amazonense vivia seu tempo áureo de paixão e o levou a escrever e comentar as pelejas memoráveis no Parque Amazonense, nossa réplica de Wimbledon, destruída pelo descaso da gestão pública.

Quero registrar também meu apreço e alegria pela a homenagem feita pela prefeitura ao ilustre representante da praça 14, o ativista dos direitos civis da negritude no Amazonas, Nestor Nascimento. Trata-se de um reconhecimento digno e justo de um líder que demonstrou, com sua vida, nossa vocação para a liberdade, fraternidade e igualdade. Não foi sem motivos que o Amazonas, juntamente com o Ceará, foi precursor da abolição da escravatura. E Nestor Nascimento, juntamente com o professor Mário Ipiranga Monteiro, o filósofo Alfredo Lopes, o gestor público Roberio Braga, e o historiador Geraldo dos Anjos, trouxeram ao conhecimento público a constatação de que o governador do Amazonas (1891-1896)Eduardo Gonçalves Ribeiro, era filho de escravos, um negro libertado pela Lei do Ventre Livre. Um gestor que colocou o Amazonas no patamar das cidades mais civilizadas do planeta. O Teatro Amazonas está aí para testemunhar essa conquista. 

São gestos todos de amor por Manaus e pelo Amazonas, e tenho certeza que foi essa a inspiração da equipe que esta administrando nossa cidade, atentos em restaurar nossa memória através dos grandes homens que amaram esta terra. À emoção com que participei desta honraria, adiciono minha gratidão pelo zelo urbano, lições de Amor de que Manaus tanto precisa. 

(*) Belmiro é COMERCIANTE.
Foto/Destaque: Divulgação

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