Ponte Rio Negro é projeto caro, diz especialista

A ponte sobre o rio Negro é um grande passo para a consolidação e fortalecimento da cidade de Manaus, mas é um projeto caro e não vai compensar significativamente a economia local. A avaliação foi feita pelo presidente da Vantine, consultoria em logística, José Geraldo Vantine, durante workshop sobre os planos de atuação logística e novas aplicações para melhoria e otimização do processo produtivo industrial da cidade. O especialista veio ao Manaus a convite da empresa de transportes São Jorge.

Questionado acerca da construção e usabilidade da ponte sobre o rio Negro, o presidente do grupo Vantine, afirmou que do ponto de vista sociocultural e logístico, a ponte é uma ótima solução para encurtar as distâncias entre as cidades -Manaus, Manacapuru, Iranduba e Novo Airão- e consolidar Manaus como metrópole. Além disso vai extinguir problemas como filas quilométricas de espera e travessia de veículos em ferry-boats sob condições precárias, “problemas sem solução e que se arrastam por décadas”, observou o especialista.

Entretanto, do ponto de vista econômico, o empresário disse acreditar que a via não trará resultados em larga escala favoráveis à macroeconomia regional. Um dos fatores se dá pela inviabilidade de escoamento da produção industrial.

“Hipoteticamente, Manaus vai ser interligada aos outros Estados do Brasil através da ponte e acrescida da rodovia federal BR-319 (Manaus-Porto Velho), o que tem sido inviável desde a BR-230, a Transamazônica”, ironizou o especialista. “O problema da rodovia BR-319, é a base. O solo não permite uma estrada de boa qualidade devido à instabilidade do terreno” complementou.

Vantine apontou que outro fator a se analisar é a questão do público a ser atendido pela rodovia. Para ele, estão sendo investidos R$ 300 milhões numa estrada que talvez não gere retorno, porque vai atender somente a veículos de pequeno porte e não caminhões carregados de produtos. Não tem um função econômica e sim social e politiqueira. “Não faz sentido investir tanto dinheiro público em uma rodovia que não vai gerar retorno econômico” disse.

Ele disse que deve ser realizado um estudo específico sobre a resistência do solo da BR-319 antes de estimativas pretensiosas em relação à conexão interestadual. “Trata-se de um terreno sedimentar e pouco resistente. É como se fosse areia movediça” explicou o especialista.

Segundo Vantine, as cidades vão estabelecer relações econômicas entre si, mas o fluxo de renda pode não ser compensado em face ao investimento de cerca de R$ 550 milhões -valor estimado para a construção da ponte.

Consultor avalia eficácia da logística industrial e expansão do mercado

“É preciso muita atenção para a problemática que envolve a construção da ponte sobre o rio Negro, a fim de podermos analisar se é uma ação que vem realmente contemplar o anseio da população amazonense, ou satisfazer o interesse de poucos num jogo de articulações políticas”, comentou Vantine.

Segundo José Geraldo Vantine, sua empresa é uma das maiores na área de consultoria em logística do Brasil e a única atuante em Manaus. O empresário veio mais uma vez à cidade para realizar uma abordagem técnica sobre a eficácia da logística industrial para a competitividade e expansão de mercado.

De acordo com o especialista, os principais pontos de análise baseiam-se na política de redução de custos em função da otimização do processo produtivo, ou seja, desde a aquisição dos insumos até a entrega ao consumidor final, é preciso rapidez e qualidade no transporte para a obtenção de resultados satisfatórios.

Na avaliação de Vantine, o atual contexto competitivo se dá pela disponibilidade do produto no mercado, em resumo, a mercadoria que chega primeiro às prateleiras é a mais vendida. “Sabemos hoje que a competição ocorre pela disponibilidade do produto no mercado. Se o produto não chega a tempo, não é vendido, por isso, é imprescindível ao empreendedor analisar a relação custo versus tempo como fator de pro

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