Ponte promete alavancar negócios do Estado

Redução do custo de hortifrutes, construção de um porto, agilidade no transporte de cargas e passageiros e expansão de empresas do comércio varejista de eletroeletrônicos e móveis domésticos são alguns dos benefícios aguardados com a conclusão da ponte Manaus-Iranduba. A obra será finalizada em agosto de 2010 e diminuirá em 30% o preço de frutas, verduras e legumes produzidos no interior, além de aumentar a área de atuação das transportadoras, que atualmente dependem dos rios para levar as encomendas.
De acordo com o titular da Sepror (Secretaria de Estado de Produção Rural), Eron Bezerra, a ponte será a maior da Amazônia e viabilizará o escoamento da produção local. “Os produtores estão contando os dias para ter mais esse acesso para levar seus produtos mais rápido e gastar menos com transporte. Em Manicoré (a 333 km de Manaus), por exemplo, toda a produção de banana da cidade -1,5 milhões de cachos por ano- é vendida em Porto Velho por meio da incompleta BR-319”, disse Bezerra, explicando que hoje é mais fácil e barato levar os produtos para fora do Estado que até Manaus.
O uso da ponte promete reduzir o preço de alimentos com a possibilidade de caminhões para transporte, acabando com a dependência das balsas que fazem o percurso entre Manaus e municípios próximos. Considerando que as cidades dependem quase exclusivamente da extração vegetal, criação de animais e agricultura e os produtos rurais só podem desmatar 20% da área total da propriedade, o novo acesso promete levar desenvolvimento para o interior. A maioria depende atualmente do funcionalismo público para gerar receita e movimentar a economia da cidade.
O presidente da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), Valdelino Cavalcante, disse que Novo Airão (a 115 km de Manaus), Manacapuru (a 68 km) e Iranduba (a 34 km) compõem o maior polo de produção de hortifrutes do Estado, de acordo com pesquisa da agência.
“Na área onde a ponte encontrará Iranduba será construído o porto de Cacau Pirêra, nos moldes da Ceasa de Manaus, porém adequado à ponte. A nova estrututura vai possibilitar o escoamento da produção adequadamente e o acolhimento das mercadorias da capital”, adiantou Cavalcante.
Diferente do que ocorre no interior dos estados do Centro-Sul brasileiro, as cidades do Amazonas parecem congeladas no tempo. A população total do Estado é de 2,8 milhões de habitantes, de acordo com o último Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizado em 2000. A densidade demográfica é de 1,79 habitantes por quilômetro quadrado. Em torno de 98% da área estadual possui cobertura florestal preservada, assegurou a assessoria de comunicação da SDS (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável).
“Se levarmos em conta que a maioria das cidades não é coberta por sinal de telefonia móvel ou internet e a inexistência de grandes extensões rodoviárias, a construção de uma ponte de 3,6 quilômetros é comemorável”, ponderou Bezerra.
Algumas redes de comércio varejista de eletroeletrônicos e móveis para o lar já cogitam a abertura de filiais ou a ampliação das unidades existentes nas localidades que poderão ser alcançadas pela central de distribuição das empresas através da ponte Rio Negro, como é popularmente chamada pelos seus empreiteiros e moradores da capital amazonense.
O gerente regional das lojas City Lar, Alberto Makaren, confirmou a intenção da empresa de abrir filiais em Parintins (a 325 km da capital) e Tefé (a 525 km) no primeiro semestre do próximo ano. “Estamos estudando a melhor maneira de implantar as lojas. Será uma em cada cidade e somará com a unidade de Itacoatiara”, explicou. A empresa contabiliza 20 lojas no Estado e 200 em todo o país.

Capital descobre potencial econômico do interior

A rede de lojas de departamentos e eletroeletrônicos Bemol com 13 lojas em Manaus, uma em Itacoatiara (a 170 km de Manaus) e duas em Porto Velho (RO), espera a conclusão da ponte com grandes expectativas. “A empresa está finalizando um estudo de viabilidade de mercado em algumas cidades do interior e até o início de 2010 estaremos abrindo novas lojas, aproveitando a ponte”, disse a gerente de marketing da companhia, Sheila Sobreira.
Manacapuru, Novo Airão e Iranduba serão beneficiadas diretamente pelo caminho seco oferecido pela ponte. Aliado ao grupo, mais 30 municípios da região metropolitana de Manaus também desfrutarão das benesses da obra a ser concluída em agosto de 2010, segundo dados da assessoria de imprensa do Consórcio Rio Negro, formado pelas empreiteiras responsáveis pela obra -Camargo Corrêa e Construbase. O custo total é de R$ 574 milhões, com recursos do Governo do Estado, por meio de financiamento no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O empreendimento deve reduzir o tempo de entrega de mercadorias, principalmente na região metropolitana. “A empresa torce para que a ponte fique pronta o quanto antes. O transporte para o interior é feito hoje por via fluvial, mas a ponte vai aumentar a concorrência e diminuir o tempo de viagem. Além disso, as empresas de transporte terrestre terão mais esse mercado”, afirmou a responsável pelo setor administrativo da Universal Transportes, Iranila Soares.

Fluxo reduzido

A Raça Transportes pretende explorar mais a capacidade dos empresários do interior em comercializar produtos até o momento só encontrados em Manaus. “Nosso fluxo de trabalho no interior é reduzido devido às dificuldades logísticas, mas estamos estudando ampliar nossa atuação nas cidades próximas da capital logo que a ponte entrar em operação”, declarou o subgerente operacional da empresa, Bergue Coelho. Segundo ele, hoje, com o regime de cheia e seca dos rios, a transportadora não pode enviar as cargas com a mesma regularidade durante todo o ano. A ponte eliminaria o empecilho.
A Dantas, firma especializada no transporte de passageiros, não descarta a ideia de abrir uma filial em Iranduba, caso o fluxo de pessoas cresça o suficiente. “Alguns clientes não contratam mais veículos devido ao custo da balsa que representa até 40% do valor do contrato. Com a ponte, nosso serviço será mais barato e com certeza mais intenso”, animou-se o gerente da firma, Fernando Ferreira. A transportadora promove a circulação de, no mínimo 1.500 pessoas por mês a partir das balsas que saem de Manaus com destino a Iranduba.

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