Polo têxtil avança em abril, mas deixa os pequenos de fora

O setor têxtil e de confecções do Amazonas, teve crescimento de 86,44% no primeiro quadrimestre de 2010, alcançando US$ 3.4 milhões se comparado ao mesmo período do ano passado, que teve saldo negativo de 35,32% e contabilizou US$ 1.86 milhões. Os dados foram fornecidos pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Segundo o presidente do Sindconf (Sindicato de Confecções do Estado do Amazonas), Engels Lomas de Medeiros, o setor poderia crescer muito mais se contasse com políticas de incentivo por parte do governo estadual.
Para o dirigente, os impostos cobrados ao setor têxtil são abusivos se comparados àqueles cobrados a outros setores. Para ele, se acabassem com os impostos de fronteira, facilitaria bastante à vida dos micro e pequenos empresários do setor, que são os que mais sofrem com a tributação. “Para se ter uma idéia, de cada cem calças que produzimos, 40 vão para os cofres do governo, o que é uma falta de respeito para um setor que emprega aproximadamente 6.500 trabalhadores diretos e de 25 mil a 30 mil indiretos”, lamentou.
O presidente do Sindconf conta que o setor, que vinha crescendo bem, sofreu bastante com a crise econômica mundial deflagrada há quase dois anos. “Sofremos um baque. O ano passado chegou muito tímido, mas depois melhorou. Em 2010 estamos evoluindo bastante com um crescente aumento na produção por conta dos muitos pedidos de empresas que estão atuando no mercado local, a exemplo da Cigás [Companhia de Gás do Amazonas], Andrade Gutierrez e de fábricas do PIM [Polo Industrial de Manaus]”, ponderou, salientando que o segmento conseguiu se recuperar também em função de não depender exclusivamente de empresas do polo.

Carga tributária beneficia concorrência que vem de outros estados

A empresária do setor de confecção, Lena Emanuelle Pampolha, destaca que os maiores concorrentes das empresas locais são os empreendimentos de outros estados, pois só o Amazonas é que cobra o imposto de fronteira. Com isso, o empresário local é obrigado a pagar 10% de imposto sobre toda e qualquer mercadoria que precise comprar para suprir suas necessidades.
Emanuelle avalia que só as grandes empresas serão beneficiadas com os incentivos do Governo Federal. “Os governantes do Estado precisam tomar medidas para beneficiar os micro e pequenos empresários locais que deixam de ganhar e, consequentemente, deixam de produzir e crescer, perdendo 15% do seu faturamento somente com impostos”, desabafou.

Sem incentivo

O setor têxtil no Brasil, foi um dos ramos de atividades mais beneficiados nos últimos dois
anos pelo governo Federal, por conta dos incentivos no setor para amenizar os efeitos da crise mundial.
O presidente da ABIT (Associação Brasileira das Indústrias Têxtil e de Confecção), Aguinaldo Diniz Filho, considera que as medidas anunciadas pelo governo são um importante passo, no sentido de dar às exportações brasileiras maior competitividade no cenário internacional. O dirigente destacou, contudo, que apenas as grandes empresas que estão no lucro real ou presumido, serão beneficiadas em relação ao credito tributário acumulado nas exportações. Dessa forma, a maior parte das 30 mil empresas que compõem o setor têxtil e de confecção brasileiro não serão contempladas.
O dirigente disse ainda que mesmo com a exclusão dos resultados de exportações no faturamento das indústrias inscritas no simples para efeito de enquadramento, até o limite de R$ 2,4 milhões, não será benéfico para os micros e pequenos empresários do setor, pois existem ainda os tributos estaduais de fronteira que inviabilizam maiores negociações e penalizam os pequenos.

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