Polo Industrial de Manaus comemora o Dia da Indústria

Com o fim do período de acordos de redução de jornada, licença remunerada e suspensão temporária dos contratos de trabalho, que resultou em momentos de tensão entre patrões e empregados, os setores de metalurgia e termoplásticos passam por fases distintas de acomodação.
Se de um lado, a metalurgia ganha fôlego com os incentivos estaduais e a possibilidade de ampliação dos investimentos industriais principalmente no segmento de usinagem, de outro a injeção plástica ainda mantém funcionários com jornada reduzida e aumento no custo do trabalho, fator que pode levar o segmento a fazer novos ajustes no quadro de pessoal ainda neste semestre.
O fim dos acordos de jornada reduzida que em ambos os setores garantiam estabilidade aos trabalhadores, entretanto, preocupa os sindicatos.
O presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, disse que a produtividade na indústria (relação entre a produção e o número de horas pagas) cresceu 1,2% no primeiro quadrimestre. Nos 12 meses até abril, apontou o executivo, o custo unitário do trabalho, já descontado a inflação, avançou 1,6% em relação a igual período.
“Muitos questionam a indústria com relação à redução da jornada de trabalho e à redução de salário, mas o nosso setor, além de manter o custo da mão-de-obra que onerou em quase 2% a folha de pagamento, manteve o otimismo em relação à produção. O custo na folha das empresas metalúrgicas será absorvido em seis meses mediante o ritmo de crescimento da produtividade”, asseverou.
Mariano disse ainda que uma das responsáveis pelo novo ânimo do setor foi a ampliação dos benefícios fiscais por parte das esferas do governo estadual e federal para as indústrias do setor de duas rodas. O executivo falou que a resposta imediata do mercado à redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), com aumento significativo das vendas de todos os bens beneficiados na região Sudeste, principal mercado consumidor dos produtos ‘made in Amazonas’, reforçou a convicção na viabilidade e oportunidade de uma verdadeira reforma tributária no país. “A redução do IPI das motos e eletrodomésticos criou o chamado ciclo virtuoso do desenvolvimento econômico e bem-estar social da população, graças ao efeito imediato na cabeça e no bolso do consumidor, com reflexos positivos para toda a cadeia produtiva. Nesse contexto, alguns setores da metalurgia avançaram na produção”, observou.

Preços reduzidos

Para o empresário Mário Gomes Miranda, atuante no setor de usinagem e estamparia, o componente psicológico tão importante no processo econômico sempre é precedido de uma decisão motivada por estímulos das emoções. No entendimento do administrador, os produtos beneficiados pelo corte de impostos tiveram preços reduzidos e em seguida as vendas elevadas, ajudando a manter empregos no segmento, além das receitas com os demais tributos e ganhos decorrentes da atividade econômica preservada e estimulada. “Na prática, a manutenção e expansão da demanda de bens de consumo representam, para começar, a preservação, na pior das hipóteses, das atividades e investimentos na indústria, com consequente geração de emprego, renda, tributos e estabilidade social no setor de transformação. No nosso caso, entendemos que com o emprego garantido, os trabalhadores ganharam a condição de clientes do comércio e setor de prestação de serviços, ajudando a manter também os empregos, a renda e os tributos gerados nestes outros segmentos produtivos”, concluiu.
Outro que referendou esse pensamento foi o empresário Arthur Magalhães, atuante no setor de beneficiamento de metais, segundo o qual o otimismo do consumidor que saiu às compras fez o setor se recuperar, melhorando a qualidade de vida de trabalhadores, estimulando novos empreendimentos empresariais e aumentando a arrecadação de impostos. “Esse conjunto de eventos favoráveis forma o quadro que chamamos de progresso. Se o pacote de benefícios do governo teve por objetivo o estimulo à economia, cujo crescimento foi afetado pela crise mundial, está cumprindo integralmente suas finalidades”, acentuou.
Mas o economista Álvaro Smont criticou os contratos temporários de redução da jornada de trabalho que têm marcado a maioria dos segmentos metalúrgicos. Na avaliação do especialista, com ou sem redução de salário, esses acordos obrigaram o operário a fazer em 40 horas o trabalho que antes era feito em 44 horas. “Além disso, essa redução da jornada de trabalho, além das suspensões temporárias de contrato tiveram um impacto direto na redução da geração de novas frentes de trabalho. Acredito que essas medidas, embora de caráter provisório, deixaram de gerar pelo menos 2,5 mil novos postos de trabalho entre diretos e indiretos no Amazonas durante o quadrimestre”, calculou.

Termoplastia apresenta desempenho fraco

O sociólogo Renato Alves da Silva, professor doutor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), apresentou propostas que poderiam gerar mais vagas no mercado de trabalho na indústria, entre as quais o estímulo dos investimentos produtivos, a redução tributária de investimentos que geram emprego e das exportações, redução das despesas de contratação, criação de contratos especiais e a regulamentação do efetivo terceirizado. Mas o professor questionou se, com o fim dos contratos de redução da jornada, as empresas voltarão a manter o ritmo de contratação ou terão equipamentos suficientes para incorporar essa nova mão-de-obra. “Sem contar que ninguém ainda questionou se o fim dos benefícios fiscais vai gerar um novo tipo de custo que será repassado para o produto final”, disse.

Sem otimismo

Na contramão do otimismo metalúrgico, o setor termoplástico se ressente de uma ociosidade que atinge 55% das linhas fabris. A informação divulgada pelo presidente do Simplast (Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus), Carlos Monteiro, aponta que nos 12 meses até abril, a retração no faturamento foi de 52%. O executivo avaliou o custo unitário do trabalho na termoplastia (que nos 12 meses do ano passado ficou em 2,8%, passou para 4,4% no acumulado até janeiro e já atinge 6,1% até o momento), dizendo que “esse último resultado inclui o impacto do reajuste do salário mínimo e o pagamento de horas extras em alguns setores”.
A maior parte desse desempenho pouco promissor para a saúde da termoplastia, segundo Monteiro, vem do segmento de injeção de componentes plásticos, que enfrenta uma involução de até 12% no faturamento em relação ao ano passado. Sem citar nomes, o executivo explicou que o baixo desempenho do segmento se deve à reprogramação de linhas fabris e à redução de até 10% no volume de produção de motocicletas no polo industrial. “A expectativa das indústrias desse segmento se volta para o segundo semestre, quando historicamente ocorrem picos de produção de eletroeletrônicos e de motocicletas”, explicou.
Monteiro ainda revelou que das 80 empresas que compõem o leque da atividade de termoplastia na capital amazonense, apenas as 45 indústrias de injeção de componentes plásticos não têm boa perspectiva de crescimento. “Na realidade, a produção de forros e garrafas PET, por exemplo, sequer foi influenciada pela crise econômica. Esse segmento é o que manteve em níveis razoáveis o desempenho do setor de termoplastia”, revelou.

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