Políticos discutem efeitos da saída da Petrobras do AM

Políticos amazonenses acreditam que há pouca ou nenhuma chance da Petrobras continuar atuando na produção de petróleo e gás no Estado do Amazonas. Sexta-feira, 26, a estatal informou ao mercado, que dando continuidade à sua estratégia de gestão de portfólio, com foco em investimentos na exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas e ultra-profundas (pré-sal), colocará à venda as concessões de seus sete campos terrestres na Bacia de Solimões, nos municípios de Coari e Tefé, no estado do Amazonas.

Desde que a notícia foi publicada, o governador Wilson Lima, o prefeito de Manaus, Arthur Neto, parte das bancadas federais e estadual vem se manifestando sobre a estratégia da petrolífera. No entanto, as apostas seguem na direção de que a estatal deixará em breve sua atuação no Amazonas, como já fez em alguns estados e, a preocupação se volta para a manutenção de empregos e a expectativa sobre a empresa que comprará os direitos e a infraestrutura da petrolífera nacional.

“Há por parte da Petrobras desinvestimentos em vários estados, entre eles, Alagoas e agora o Amazonas. Ela já vendeu a Bacia de Campos, no litoral fluminense. Seu foco é no pré-sal. Seria muito bom novos investimentos no Amazonas. Há alguns anos a Petrobras já não vinha fazendo investimentos no nosso Estado. Agora é urgente resolvermos o problema do gás no Amazonas. O Estado tem que abrir o mercado. Qual empresa quer ser obrigada a vender para apenas uma empresa, no caso a Cigás, pelo preço que ela estripular?”, indaga o senador Omar Aziz (PSD/AM), coordenador da bancada amazonense no Congresso Nacional, sobre o monopólio pela Cigas, em cima da comercialização do gás extraído no Estado.

Segundo Omar, o gás produzido em Urucu é o mais caro do Brasil, mas que com investimentos e com uma boa política seria possível o gás das reservas em território amazonenses abastecerem o interior do Amazonas e mais os estados de Roraima e Rondônia. “Temos gás com viabilidade comercial em Silves, Itapiranga, nas calhas dos rios Purus, Juruá, enfim, em todo nosso Estado. Só temos que avançar na exploração e comercialização. Quanto à saída da Petrobras, eu não vejo prejuízos. O Estado deverá continuar com a mesma ou maior arrecadação. Mas temos que cuidar dos empregos”, disse o parlamentar. 

O senador Plínio Valério (PSDB/AM) também não observa com grandes preocupações a saída da Petrobras, do Estado.”A Petrobras é uma empresa, portanto visa lucro. Continua com um bom conceito, apesar do mensalão, mas não podemos interferir na política interna dela. Podemos reunir com ela e expor as nossas preocupações, dizer que é importante ficarem no Amazonas. Mas é um novo tempo, um novo mundo. A empresa está decidindo que é mais rentável para ela vender o que tem aqui e aplicar no pré-sal. Mas também não é o fim do mundo. A Petrobras sair do Amazonas é ruim, é preocupante, mas podemos superar”, ponderou o senador.

Segundo Plínio Valério, no contexto atual o mais importante é focar sobre a empresa que vem para o Amazonas ocupar o espaço da Petrobras. “ Naturalmente tem que ter porte. Tem que estar no nível da Petrobras, senão não tem como arrematar e pagar concessões. Então a minha preocupação maior é com a continuidade, os impostos continuarão sendo arrecadados. Agora quanto aos postos de trabalho, preocupa sim. Mas a Petrobras está dizendo que não vai demitir. Aí sim, cabe a nós vigiarmos, conversar permanentemente e acompanhar. Então, temos que ter é preocupação com a empresa que vem. Mas essa preocupação vai estar no edital e na licitação”. 

Quanto à posição do governo estadual, o governador Wilson Lima afirmou, no sábado (27/06), que a preocupação do estado com a venda dos campos de petróleo e gás do polo de Urucu, na bacia do rio Solimões, anunciado pela Petrobras, é no sentido de que não haja descontinuidade nos investimentos e produção na reserva.

“A preocupação que nós temos é a de que não haja descontinuidade da exploração. Estamos pleiteando junto ao Ministério das Minas e Energia o compromisso de que a Petrobras mantenha os investimentos e a produção durante processo de transição para o novo investidor que vai assumir as operações no campo de Urucu”, afirmou Wilson Lima, ao também ressaltar que a expectativa é que novos investimentos devem tornar a exploração e produção de petróleo e gás no Amazonas mais eficiente.

O governador entende que a decisão da Petrobras é resultado da estratégia da companhia em concentrar investimentos na produção em reservas de petróleo em alto mar (offshore). Conforme anunciado recentemente, a empresa está vendendo ativos ‘onshore’ (terrestres) não só no Amazonas. A bacia petrolífera de Urucu, na avaliação do governo do Estado, tem potencial para atrair grandes investidores com atuação e interesse no mercado ‘onshore’ de petróleo, que poderão ampliar investimentos de longo prazo no Amazonas.

Prefeito pede diálogo  

“É muito grave para o Amazonas uma saída dessas em meio a uma economia enfraquecida pela qual estamos passando”, disse o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, ao analisar as consequências da possível retirada da Petrobras de terras do Amazonas.  

“A Petrobras é uma das maiores empresas do Brasil, ou até da América Latina, e não pode sair da região mais fundamental para o país. Acredito que tem de haver um diálogo entre a cúpula da petroleira com a cúpula do governo do Estado, para uma negociação viável para os dois lados”, disse Virgílio.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o prefeito de Manaus destacou a importância da geração de empregos que a empresa proporciona na região do interior do Amazonas, e a consequente preservação do meio ambiente. “Ela [Petrobras] ajuda a preservar a floresta amazônica em pé, está presente em uma área de mais de 350 quilômetros quadrados, por todas essas razões não podemos ver como inimigos e sim procurar manter como uma parceira permanente para eu nunca mais pense em sair do Amazonas, que tem uma grande perspectiva de futuro. Sair daqui não me parece uma ideia muito inteligente”, completou Arthur Neto.

Deputado quer compensação

Na Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD), recomendou um conjunto de providências a serem tomadas para evitar perdas à economia local. Dentre as medidas estão a busca de uma compensação junto à União e a quitação de eventuais débitos da estatal com o Estado relativos ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“Antes que a Petrobras saia daqui, é preciso buscar a quitação de possíveis dívidas de ICMS, já que a petrolífera sempre pagou menos impostos do que deveria para o Estado. Outra medida necessária é negociar com o governo Federal uma compensação para o Amazonas pelos prejuízos que essa decisão poderá gerar a nossa economia”, enfatizou o parlamentar, em publicação feita em suas redes sociais no último domingo, 28 de junho.

De acordo com Ricardo Nicolau, a saída da Petrobras reforça a necessidade do governo Estadual de montar um planejamento estratégico que torne o Amazonas mais atrativo para novos investidores nacionais e estrangeiros. Para o presidente da CAE, o estado tem potencial tanto para aumentar a produção de óleo e gás como para viabilizar a exploração de outras áreas.

“O Amazonas tem um enorme potencial para atrair novos empreendimentos na indústria de óleo e gás, gerando emprego e renda sem colocar em risco o meio ambiente”, argumentou o deputado, acrescentando que a implantação do polo petroquímico, que nunca saiu do papel, é uma das possibilidades viáveis dentro do segmento de petróleo e gás natural para alavancar a economia amazonense.

O que está à venda 

Segundo o anúncio publicado sexta-feira, 26, a Petrobras colocará à venda o campos terrestres na Bacia de Solimões, que englobam os campos de Arara Azul, Araracanga, Leste do Urucu, Rio Urucu, Sudoeste Urucu, Cupiuba e Carapanaúba, além de infraestruturas de apoio operacional. 

A venda destes ativos está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultra profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos. Além disso, essas iniciativas deverão contribuir para a redução do endividamento da Petrobras, que ainda é elevado quando comparado com a de seus pares.

A empresa acredita que a entrada de novos players no segmento de óleo e gás nos campos terrestres no estado do Amazonas irá alavancar o desenvolvimento da região não somente pelo potencial aumento de produção e reservas, mas também pelo consequente aquecimento de toda a cadeia de serviços relacionada à atividade de exploração e produção.

Um exemplo positivo da entrada de novos atores no setor de óleo e gás, foi a venda em 2019 do campo de Azulão, na Bacia do Amazonas, que tem resultado em investimentos para viabilizar a produção de gás e geração de energia com o consequente aquecimento da economia local.  

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