Políticos cristãos marcam território

Frente parlamentar evangélica participa de conferência para afinar discurso pró-família

Membros das bancadas cristãs na Câmara e no Senado Federal, lideranças políticas e religiosas do Amazonas e fiéis cristãos de diversas denominações participaram ontem (29) em Manaus da Primeira Conferência de Liderança Cristã com o tema “O Brasil que queremos”, realizado no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques. O evento, organizado pela Omeam (Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas) teve como objetivo promover discussões sobre temas como a situação político-econômica brasileira, a atuação dos cristãos como agentes contribuintes ao contexto social e à liberdade de expressão.
Participaram das discussões o presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o ex-ministro da Pesca, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ); o senador Magno Malta (PR-ES); o líder da frente parlamentar evangélica na Câmara Federal, deputado federal João Campos (PSDB-GO); o presidente da Comissão do Projeto de Lei do Estatuto da Família, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ); o titular da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputado Marcos Rogério (PDT-RO); além do prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB). Entre os assuntos debatidos estão a valorização do modelo tradicional de família, direitos dos casais homoafetivos e redução da maioridade penal.
A conferência realizada nesta segunda-feira em Manaus foi a primeira preparatória para a Conferência Nacional, que terá a mesma configuração, envolvendo agentes políticos com formação cristã de todo o país. Ao final da Conferência Nacional será elaborado um documento que será entregue à presidente Dilma Rousseff, ao presidente do STF, e ao presidente da Câmara dos Deputados. Na opinião do deputado João Campos, caso as sugestões indicadas após as conferências sejam adotadas pelo o Brasil dará um salto de desenvolvimento.
“O documento será fruto de um debate democrático. Imagino que (após as sugestões) não teremos mais o país da roubalheira e da corrupção, o país da violência, o país que aparelha o Estado partidariamente, aumentando absurdamente os custos da máquina. Enfim, nós haveremos de dizer o que queremos e o que não queremos para o Brasil”, resumiu o parlamentar. Já Eduardo Cunha, na condição de presidente da Câmara dos Deputados, destacou a importância de debate sobre temas polêmicos no âmbito do Legislativo.
“Não podemos esquecer de que eu sou o presidente da Câmara, e portanto de todos os deputados. Temos que ouvir todas as posições possíveis. Sou cristão, mas não posso exercer apenas à minha opinião. Consequentemente tenho que me ater à discussão e cumprir o regimento”, afirmou Cunha.

Polêmicas
Ao defender seu ponto de vista, o senador Marcelo Crivela disse acreditar no modelo tradicional de família como “a gênese das civilizações”. Na opinião do parlamentar, algumas das mazelas que a sociedade brasileira vive hoje seriam consequências de uma suposta mudança na configuração familiar.
“Nós defendemos a família porque Deus é família. Deus é pai, filho e Espírito Santo. Estamos vivendo um momento difícil porque querem mudar o conceito de família. É importantíssimo que essa convenção saia com os nossos princípios e valores sagrados”.
Já com relação à votação da redução da maioridade penal, marcada para hoje, o presidente Eduardo Cunha manteve a postura favorável. Para ele, se um jovem de 16 anos já tem responsabilidade e maturidade suficiente para definir o futuro do país, então também está apto a responder criminalmente pelos seus atos. “Costumo dizer que, se você dá ao jovem de 16 anos o direito de votar e cometer o maior crime que ele pode cometer, que é escolher quem vai governá-lo, ele também deve assumir suas obrigações. Se você acha que 16 anos não é a idade ideal para a maioridade, então também não é tempo de votar. Eu defendo a isonomia”, enfatizou.
Além disso, Eduardo Cunha defendeu maiores investimentos para a recuperação do sistema penitenciário brasileiro e segurança pública, rebatendo críticas de que as penitenciárias do país não dariam conta, caso a redução da maioridade penal seja aprovada. “A maior desculpa que se pode dar para não cumprir a lei é de que o sistema penitenciário está cheio. Na semana passada o presidente do Supremo me explicou sobre o esforço que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) está fazendo que tirou 150 mil presos da cadeia. Se a gente acha que o sistema penitenciário está saturado, então não vamos cumprir mais o Código Penal”, polemizou o deputado.

Lucas Câmara

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