Políticas de geração de trabalho e renda – Parte 2

As causas e origens do desmatamento foram comentadas anteriormente, mas o desafio do tema segue sendo em torno da construção de estratégias apropriadas para alterar tendências de uso da terra, beneficiando também as populações tradicionais e povos indígenas, que dependem da floresta para a sua sobrevivência, que a meu ver passa necessariamente pela institucionalização de uma ampla política florestal. 

Neste contexto, na semana passada foram lançados os principais resultados do Relatório de Avaliação Global dos Recursos Florestais (FRA 2020), que é produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mostrando que a área total de cobertura florestal do mundo é de 4,06 bilhões de hectares, o que corresponde a 31% da área total. O documento mostra que mais da metade das florestas do mundo (54%) está localizada em apenas cinco países: Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China. O Serviço Florestal Brasileiro – (SFB) é responsável pela organização e produção das informações sobre as florestas do Brasil, por meio do Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF) e, conforme comunicação pessoal com o Diretor de Pesquisa e Informações Florestais do SFB, Dr. Joberto Veloso de Freitas, as informações fornecidas pelo relatório FRA2020 servem de apoio para o desenvolvimento de políticas, práticas e investimentos que envolvem florestas, tanto no âmbito de cada país ou região, como tem sido prática feito em fóruns internacionais que abordam temas relacionados às florestas. 

O Brasil apresenta a segunda maior área de florestas, de 497 milhões de hectares, atrás apenas da Rússia, com 815 milhões de hectares, valores projetados para o ano de 2020. Isso coloca nosso país em posição estratégica, desde que alinhada a uma visão de oportunidades em face da abundância desse recurso. 

O documento informa ainda que 93% (3,75 bilhões de ha) da área de florestas em todo o mundo são compostos por florestas nativas e 7% (290 milhões de ha) por florestas plantadas. É ressaltado ainda que cerca de 30% de todas as florestas são usadas principalmente para produção. No geral, em torno de 1,15 bilhão de ha de florestas são gerenciados principalmente para a produção de produtos florestais madeireiros e não madeireiros, que há meu ver, em termos de Brasil, pode ser uma das alternativas sustentáveis para a bioeconomia, por exemplo, na Amazônia brasileira.

De uma certa forma isso corrobora a assertiva da oportunidade do uso sustentável das florestas, como um dos elementos propulsores para geração de trabalho e renda, em regiões com essa vocação, e que sem dúvida será um dos grandes desafios pós pandemia que, infelizmente,  afeta tragicamente os povos da floresta.

No relatório da FAO aqui citado, Avaliação Global dos Recursos Florestais (FRA2020), destaca-se que foi elaborado com base em relatórios individuais de 236 países e territórios e será publicado na íntegra em junho de 2020. A avaliação global dos recursos florestais é realizada pela FAO a cada cinco anos, desde 1947.

*Sérgio Gonçalves é doutor em Ciências do Ambiente /  Economia Ambiental – Universidade Federal do Amazonas

Fonte: Sérgio Gonçalves

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