Polêmicas continuam dando combustível para CPI da Pandemia no Senado

Ainda causa polêmica a prisão de Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, durante o seu depoimento na CPI da Pandemia que investiga as medidas de enfrentamento à crise sanitária, a compra de vacinas e ainda a aplicação dos recursos federais destinados para Estados e municípios.

Além disso, um dos principais questionamentos de parlamentares é sobre até onde vai o poder da comissão parlamentar para tomar decisões tão audaciosas, desafiadoras, como aconteceu nos trabalhos durante a sessão de quarta-feira (07), quando Ferreira  Dias foi preso por determinação do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). 

Consultada, até a presidência do Senado admitiu não poder fazer ingerências na decisão da CPI, alegando que a comissão tem autonomia nos seus trabalhos. E não poderia fazer nada. O grupo G7, de oposição, viu também com bastante estranheza o ato do senador Omar Aziz de mandar prender um dos convocados pela comissão.

A prisão de Ferreira Dias também repercutiu negativamente na alta cúpula das Forças Armadas, principalmente após Omar Aziz lamentar que uma “banda podre” dos militares estivesse envolvida em “falcatruas dentro do governo”. Ele fez essas declarações ao saber que o ex-diretor de Logística do MInistério da Saúde tinha sido sargento da Força Aérea Brasileira.

Além disso, há outros militares que integram ou integraram o Ministério da  Saúde que estão sob suspeita nas transações para compra de vacinas pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido). E esses casos se referem a atos ocorridos durante a gestão do então ministro Eduardo Pazuello, que também foi convocado para depor na CPI.

General da ativa, Eduardo Pazuello foi ministro da Saúde de maio de 2020 a março de 2021, no período mais grave da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Além de ser alvo da CPI, ele já responde a duas ações por improbidade administrativa por causa de sua gestão na área.

Até agora, chega a dez o número de militares citados na CPI da Pandemia e que estariam envolvidos em possíveis episódios sobre irregularidades na condução do enfrentamento da crise sanitária. O total envolve pessoal da ativa e inativos, segundo as investigações.

‘Mentiras

Omar Aziz alegou que Ferreira Dias mentiu ‘descaradamente’ durante o seu depoimento aos senadores. “Chame a polícia do Senado. O senhor está detido pela presidência do Senado, pela presidência da CPI”, bradou o senador Omar Aziz ao autorizar a prisão do ex-diretor da Saude. A decisão gerou bate-boca entre os senadores, principalmente da ala que defende o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Mesmo assim, Omar Aziz emendou. “Estou tentando ajudá-lo, sendo sincero. Agora, chegar aqui e dizer que saiu do Ministério da Saúde, não sabe por quê, que lhe tiraram poderes de seu departamento….Nós queremos só a verdade…”, acrescentou o parlamentar.

O ex-diretor Ferreira Dias foi libertado pela polícia do Legislativo ainda na noite da última quarta-feira após pagar uma fiança de R$ 1.100.

É a primeira vez que a CPI manda prender um dos convocados para depor sobre as medidas de enfrentamento à pandemia. Muitos senadores concordaram com a prisão de Ferreira Dias determinada por Aziz, mas avaliaram que o ex-diretor é uma espécie de ‘peixe pequeno’ no suposto esquema de corrupção envolvendo os recursos da saúde.

Ainda assim, a maioria dos parlamentares preferiu não expor as discordâncias em público, mas agora decidiram polemizar e questionar o ato de Omar Aziz.  A defesa de Ferreira Dias protestou contra a prisão. E argumentou que a detenção foi ilegal, já que o ex-diretor estava cooperando com os trabalhos da CPI.

O senador oposicionista Alessandro Vieira (Cidadania-SE) se manifestou. “O depoente está mentindo, mas a comissão não botou um general que estava mentindo na cadeia”, disse em referência ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello que  por duas vezes falou na CPI.

A líder da bancada feminina do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), pediu uma acareação entre Ferreira Dias e o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco.  “Aí nós saberemos quem está mentindo, quem não está e quem tem que sair algemado desta comissão”, ressaltou a parlamentar.

Aziz respondeu que não fará acareação “com dois mentirosos”. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), se dirigiu a Aziz e pediu respeito aos direitos de Roberto Dias. “Vossa excelência nunca se afastou desta posição de equilíbrio”, argumentou Bezerra.

 Aliado do Palácio do Planalto, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) perguntou a Omar Aziz em qual fato e em qual argumento o presidente da CPI da Pandemia se baseou para determinar a prisão.

Aziz, então, respondeu: “Perjúrio desde o início”. Marcos Rogério, na sequência, indagou: “Qual o fato?”. Aziz, em resposta, disse: “Vários. Vários. Vários. Dizer que não tinha conhecimento que ia se encontrar com o Dominghetti. Marcar uma audiência relâmpago…”.

Foto/Destaque: Pedro França/Agência Senado

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