Pobre de ti, Porto de Lenha

Os compositores Aldysio Filgueiras e Zeca Torres deram de presente a Manaus, na virada dos anos 70 para os 80, a bela canção “Porto de Lenha”, que virou uma espécie de hino informal da cidade. A letra fala da transformação ocorrida a partir da instalação da Zona Franca de Manaus.
Para os dois, Manaus, antes conhecida como “Porto de Lenha”, por causa da decadência registrada depois do fim da era da borracha, jamais chegaria a ser uma Liverpool, a bela cidade industrial inglesa que serviu de berço para os Beatles.
Eram profetas os compositores. O que se viu em Manaus desde os anos 70 foi uma profusão de ilegalidades, que aos poucos foram sendo regularizadas pelo poder público.
Foi assim com invasões de terra como aquelas que deram origem aos bairros Alvorada, Compensa, Coroado e tantos outros. Ontem mesmo o Governo do Estado ainda entregava títulos de terra a alguns destes moradores que, há 40 anos, se estabeleceram nas terras alheias.
Os micro-ônibus, que sucederam as malfadadas kombis-lotação, que pululavam a zona Leste na década de 90, também foram legalizados e chamados de “transporte alternativo”.
Agora é a vez dos insanos mototaxistas. Claro que não se pode fechar os olhos para os problemas sociais e de mobilidade urbana que deram origem a essa modalidade de transporte. Regularizá-la, entretanto, é abrir as portas para uma série de problemas.
A começar pela insegurança que nasceu junto com a motocicleta, passando pela falta de higiene no compartilhamento de capacetes e chegando na possibilidade que se abre para a multiplicação da criminalidade, uma vez que, por ser um transporte muito mais veloz que os táxis normais, estas motos podem ser utilizadas em larga escala por traficantes e bandidos em fuga.
Agora, como diriam os mais antigos, a “Inês é morta” e a cidade vai ter que conviver com essa realidade.

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