Plantas inibem hipertensão e diabetes

Um estudo realizado pelo pesquisador Emerson Silva Lima da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) revelou que plantas amazônicas como jucá e embaúba da Amazônia possuem efeitos inibidores em doenças como hipertensão e diabetes.
Com o tema, “Plantas amazônicas com efeitos inibidores sobre enzimas-chave na hipertensão e diabetes”, a pesquisa foi realizada durante dois anos. No período, o pesquisador identificou várias espécies com potencial para o desenvolvimento de fitoterápicos.
“Podemos citar o jucá (Caeadaphinea ferrea), com resultados promissores na inibição de glicose e de uma espécie de embaúba da Amazônia capaz de inibir lípase pancreática, que é uma enzima produzida pelo pâncreas, responsável pela quebra dos lipídios em substâncias simples (ácido graxo + glicerol álcool), que pode ser utilizada para o tratamento de pacientes diabéticos e com colesterol elevado no sangue”, informou.
O pesquisador desenvolveu estudos com várias plantas, algumas delas utilizadas pela população amazonense para o tratamento de diversos problemas de saúde.
“Por motivo de sigilo, uma vez que os dados gerados pela pesquisa podem ser utilizados em solicitações de patentes, alguns nomes de espécies estudadas ainda não podem ser divulgados”, justificou Lima, acrescentando que também realizou estudos com a insulina vegetal (Cissus sicyoides), espécie de planta utilizada popularmente para combater diabetes.

Extração de substâncias

A partir das plantas estudadas foram realizadas a extração de substancias utilizadas pelo organismo humano no processo de metabolismo como glucosidases, amilases, lípases e enzima conversora de angiotensina. “Nós não trabalhamos diretamente com modelos das doenças em si”, lembrou o pesquisador.
O objetivo do estudo, segundo o especialista, foi identificar substâncias isoladas capazes de inibir enzimas-chave no diabetes e hipertensão. “A pesquisa buscou bioativos da floresta amazônica que pudessem ser explorados biotecnologicamente no desenvolvimento de novos remédios naturais (fitoterápicos)”.
Os métodos utilizados na pesquisa foram baseados em teste in vitro, ou seja, testes químicos baseados na atividade da enzima alvo. “Normalmente, a atividade da enzima (adquirida comercialmente) é refletida a partir da reação com um cromóforo (é a parte ou conjunto de átomos de uma molécula responsável por sua cor). Ao se incubar a enzima, com o possível inibidor, a cor da reação é inibida. A partir de uma curva de concentração do bioativo inibidor encontrado é calculada a concentração capaz de inibir 50% da atividade na enzima”, explicou.

Saiba mais sobre a inibição enzimática

Segundo o pesquisador, o mecanismo de ação de alguns remédios utilizados no tratamento de diversas doenças, incluindo as doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão, são baseados na inibição de enzimas reguladoras do metabolismo como carboidratos e lipídeos, que são biomoléculas compostas por carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O), fisicamente caracterizadas por serem insolúveis em água, e solúveis em solventes orgânicos, como o álcool, benzina, éter, clorofórmio e acetona.
A inibição de uma determinada enzima pode estar correlacionada diretamente com o efeito esperado. Por exemplo, a inibição da enzima HMG-COa-reductase (enzima que limita a velocidade na síntese de colesterol) é o principal mecanismo de ação das estatinas que estão na classe de medicamentos mais eficazes no controle do colesterol endógeno.

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