Plano contra terceira onda traz confiança na economia do Amazonas

O governador Wilson Lima pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, apoio para o enfrentamento de uma eventual terceira onda da Covid-19 no Amazonas. O pedido, que inclui reforço no abastecimento de kits de intubação e na rede de atendimento hospitalar do Estado, foi feito em reunião realizada em Brasília, nesta quinta (22). Na oportunidade, o chefe do Executivo do Amazonas também apresentou seu plano de contingência ao ministro. 

Lideranças classistas ouvidas pelo Jornal do Commercio consideraram que a conversa foi positiva para gerar mais confiança, embora se mostrem reticentes quanto à possibilidade de uma terceira onda, no curto prazo. Os dirigentes, contudo, ressaltam que o medo já difundido junto à população está contribuindo para uma retração mais forte na disposição ao consumo de itens que não sejam os essenciais, enfraquecendo as vendas do varejo e a economia do Amazonas.

A principal preocupação do governo estadual é garantir o abastecimento de kits de intubação e outros insumos. Para Wilson Lima, a antecipação do planejamento é necessária, em razão dos gargalos logísticos locais e do fato de que vários Estados ainda sofrem com a escassez dos materiais. “O Amazonas tem sido o primeiro que tem agravado em relação ao restante do país. Assim se deu na primeira onda e, também, na segunda”, justificou o governador, em texto distribuído pela Secom (Secretaria de Comunicação Social).

O planejamento inclui a ampliação da rede de assistência, com leitos clínicos e de UTI exclusivos para covid-19. A estrutura seria montada em cinco cidades polos, para “desafogar a capital” e reduzir os dispêndios com o translado por UTI aérea. Segundo Wilson Lima, o ministro Marcelo Queiroga informou que há processos de compras internacionais para a aquisição dos kits de intubação e disse que vai agilizar a habilitação de leitos no Amazonas, além de se colocar à disposição para a ampliação da rede de saúde, em conjunto com o Estado.

O governador estima, contudo, que uma eventual terceira onda teria impacto menor do que o da segunda, em virtude da vacinação e da proximidade do fim do período sazonal das síndromes respiratórias no Amazonas. “Estamos entrando no período de estiagem, que é conhecido como verão amazônico, quando há uma diminuição das síndromes respiratórias agudas graves. De qualquer forma, o plano de contingência prevê medidas para o pior cenário”, amenizou.

“Efeitos drásticos”

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, disse que o setor vê as medidas anunciadas com bons olhos. O dirigente considera que a preocupação do governo do Estado é pertinente, dado o recrudescimento da pandemia na Europa. Mas, entende que o roteiro da próxima etapa da pandemia será diferente, em âmbito local.

“O que aconteceu na segunda onda foi que desarmamos os hospitais e tivemos de eventos que agravaram a pandemia, como o período eleitoral, os eventos de fim de ano – que não dá para evitar – e as festas clandestinas. E ainda tivemos um inverno com muita chuva. Não é demais o governo se acautelar para não ser surpreendido, e todo investimento em saúde é válido. O que não podemos é sermos surpreendidos novamente”, frisou.

Aderson Frota considera que, se a infraestrutura tiver reforço, os efeitos de um repique da pandemia seriam menores e lembrou que as vacinas é que vão “chancelar a libertação” das empresas da crise da covid-19. O presidente da Fecomercio-AM informou ainda que as lideranças “estão preparando o espírito” dos órgãos para que o varejo não volte a ser responsabilizado pelas contaminações. “Supermercados, sim, mas eles são uma pequena parcela da atividade”, frisou, acrescentando que feiras, coletivos, bancos e lotéricas têm maior potencial de gerar aglomerações.

“Dias melhores”

Na mesma linha, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, avalia que, se vier, a terceira onda será “fraca” e na metade das dimensões registradas pela primeira. O dirigente descarta a hipótese de uma repetição dos episódios dramáticos vividos pelo Estado, durante a segunda onda, e argumenta que o Amazonas já está “bem mais preparado” e conta com avanço no processo de imunização. 

“Não podemos nos esconder e a população vai ter de se expor a esse vírus. Mas, o avanço da vacina está bem alto, inclusive no Amazonas. A mão de obra que está sendo vacinada é a da faixa etária mais perigosa, e temos um histórico de baixa contaminação na atividade. Essa terceira onda, se vier, não vai ser como a do começo do ano – um evento único, que mostrou o quão despreparados nós estávamos. Acho que vamos ter dias melhores, inclusive com uma equalização melhor no fornecimento de insumos para o setor”, analisou.

“Brigas de interesses”

O presidente da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Jorge de Souza Lima, também avalia que o diálogo entre o governador e o ministro foi uma sinalização positiva. O dirigente diz que entende a preocupação do Executivo do Amazonas para não ser pego de surpresa, mas ressalta que a divulgação constante de uma “terceira onda” acaba gerando medo junto aos consumidores e menor disposição às compras, em um período difícil para o varejo. 

“O governador está preocupado em não desativar leitos e espero que essa ajuda do governo aconteça. Isso ameniza um pouco e traz mais confiança. As vendas estão muito fracas, principalmente no Centro, que é nosso termômetro, já que é lá que o pessoal do interior faz suas compras. É claro que isso acontece por causa da pandemia e pela falta de renda circulando. Mas, toda essa divulgação da terceira onda acaba sendo negativa e vem junto com essas brigas de interesses e disputas políticas que não ajudam”, ponderou.

“Para não fechar”

Já o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, disse à reportagem do Jornal do Commercio que não tem como opinar sobre os riscos reais da ocorrência de uma terceira onda em âmbito local, ou mesmo sobre os impactos da percepção da clientela quanto a essa questão, nas vendas, argumentando que não teria como falar sobre saúde.

Questionado se as vendas fracas relatadas pelos comerciantes decorrem de medo de uma eventual terceira onda, ou apenas de fatores econômicos, o dirigente respondeu que os resultados se devem a “um pouco de cada coisa”. Mencionou apenas que um anúncio como o de ontem, sem um plano de contingência, não ajudaria em nada para gerar confiança junto aos empresários. “Toda ajuda é bem vinda e o planejamento é fundamental para que não precisemos fechar o comércio novamente”, finalizou. 

Foto/Destaque: Maurílio Rodrigues

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