Piscicultura afetada pelo clima extremo

Pescadores e piscicultores também sentem os impactos das cheias no Amazonas. Embora pesquisa divulgada nesta semana pela Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural) não aponte os danos, as culturas vêm sido prejudicadas em algumas regiões.
Segundo o chefe do departamento de pesca e aqüicultura da Sepror, Ivo Calado, a piscicultura demanda tantos cuidados quanto o plantio de hortaliças, por exemplo. Com a subida do nível das águas, é necessária a construção de muros de proteção com tábuas de madeiras ou instalação de telas resistentes.
“Caso os tanques não sejam isolados, a tendência natural é que os peixes saiam em direção ao rio”, explica. Deste modo, o apicultor – assim como o produtor de várzea – perderá todo o investimento.
Para amenizar as perdas, o Idam (Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável do Amazonas) tem realizado ações de capacitação e Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural) a piscicultores dos municípios que trabalham efetivamente com a cultura. O objetivo das atividades é levar técnicas de preparo e racionamento de ração, tratamento de água e o criadouro propício a cada espécie de peixe.
Entre os municípios envolvidos no projeto, estão: Iranduba, Manacapuru, Novo Airão, Autazes, Caruari, Coari, Codajás, Manicoré, Tefé, Borba, Apuí, Anori e Caapiranga.
Em Manicoré (localizado a 332 quilômetros da capital), as atividades foram apresentadas pelo engenheiro de pesca, João Bosco Siqueira e pelo técnico da Unidade Local do Idam no município, Oyama Rodrigues Pedraça.
De acordo com Pedraça, é importante que a agricultura familiar continue se desenvolvendo independente dos fenômenos naturais. “Não há como controlar o volume das águas nas cheias nem sua ausência no período de seca. Precisamos aprender a nos adaptar”, destaca o técnico.
O pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) Geraldo Mendes dos Santos levanta a importância de conhecer o comportamento da água doce. “Na época da cheia, os dois componentes básicos dos rios – canal principal e áreas marginais – se confundem, tornando-se discerníveis apenas nas partes mais profundas”, explica.
Segundo o secretário executivo da Sepror, Airton Schneider, a pesca não foi inclusa no último levantamento de perdas agrícolas da enchente devido à falta de dados disponibilizados pelas unidades do Idam nos municípios atingidos.

Cheia e os peixes

Independente do nível das cheias, a cheia é um fenômeno que acontece anualmente entre os meses de maio e junho. Durante essa temporada, os peixes desovados e os jovens recrutas, em fase de crescimento, se alimentam intensamente, aproveitando a farta oferta de frutos, sementes, raízes, folhas e invertebrados e outros alimentos proporcionados pela floresta inundada.
Essa intensa atividade alimentar resulta na produção e no acúmulo de gordura e outras substâncias de reserva, as quais serão utilizadas quando o período de seca chegar.

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