Pior desempenho em 12 meses

Nem mesmo o dia das mães, segunda data mais importante para o comércio, foi suficiente para evitar o resultado negativo do setor no mês de maio no Amazonas. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o índice de maio do Volume de Vendas do comércio varejista do Amazonas foi o único entre todos Estados brasileiros a apresentar número negativo na comparação com igual mês do ano passado: –0,9%. De acordo com Adjalma Nogueira, disseminador de informação do IBGE, o resultado é reflexo do que já vinha acontecendo nos últimos meses, quando os números, mesmo positivos, vinham rondando a proximidade de zero.
Com isso, o Amazonas acumula o quarto pior desempenho no ano de 2013 entre todos as unidades da federação com um acumulado de apenas 0,9% em cinco meses, à frente apenas de Minas Gerais, Piauí e Santa Catarina. Já o acumulado dos últimos doze meses no Estado caiu para 1,9%, o pior índice entre todos os 26 Estados brasileiros.
Já o Índice de Variação da Receita Nominal, que não sofre qualquer deflator, teve um crescimento de 6,6% em relação a maio/2012. Mas mesmo com este desempenho, foi também o pior índice de variação da receita do país. Com isso, o acumulado no ano de 2013 foi a 8,4%, fazendo que seja o segundo pior indicador do ano no país. O acumulado dos últimos doze meses foi a 7%, mas também é o pior do país até maio.
Para Adjalma embora o crédito ainda esteja disponível, o consumidor ainda enfrenta algumas restrições para continuar indo às compras no comércio.
“Entre as principais dificuldades, estão as restrições de crédito para grande parte dos consumidores e o endividamento das pessoas, que as impede de continuar consumindo nos mesmos níveis do ano passado. Estes e outros fatores fazem com que o comércio local siga o ano com fraco desempenho até mesmo abaixo da média nacional”, esclareceu.

Alimentos são vilões

O vice-presidente da Fecomércio, Aderson Frota, além de também citar a inadimplência como uma das causas do desaquecimento do comércio, cita a disparada no preço dos alimentos como um dos fatores que contribuíram com os números. Segundo Aderson, queda nas safras, crise de abastecimento e estiagem acabaram gerando um aumento exagerado nos preços dos alimentos, o que por sua vez contribuiu para o aumento da inflação. Isso acabou transferindo parte do orçamento familiar para a comida.
“As pessoas podem deixar de fazer uma viagem, podem adiar a reforma da casa, mas não podem deixar de comer. Todos os dias temos que comprar alimentos. Houve um deslocamento do orçamento familiar muito grande para os alimentos. Isso acabou esfriando as vendas no comércio. Por isso passamos a experimentar, principalmente a partir do mês de abril um decréscimo de vendas”, explicou.

Expectativas

Apesar de admitir que minimizar os efeitos da crise no comércio em curto prazo será difícil, o representante do comércio mostrou otimismo com relação ao desempenho do setor neste segundo semestre, que tradicionalmente apresenta os melhores resultados. Ele revelou ainda que, comparativamente, neste ano o comércio local teve melhores resultados que no início de 2012.
Além disso, Aderson citou os números relativamente estáveis da macroeconomia como um dos motivos para a CNC (Confederação Nacional do Comércio) estimar um crescimento entre 6% e 7% para o comércio em todo o país ainda este ano, mesmo com todos estes problemas pelos quais o setor passou nos últimos três meses.
“O nível de emprego continua positivo; a renda familiar, embora esteja crescendo menos continua estável; a inflação, apesar de ter disparado um pouquinho está relativamente domada; e o que é mais interessante: os alimentos estão começando a ter uma regressão em termos de preços. Tudo isso nos leva a crer que teremos este crescimento estimado”, concluiu.

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