Pinhão manso pode ajudar país a cumprir meta do programa

A menos de três meses para a obrigatoriedade da mistura de 2% de óleo vegetal ao diesel comum, prevista pelo Programa Nacional do Biodiesel, a partir de 2008, é sabido que a demanda pelo óleo vegetal no Brasil será de 840 milhões de litros/ano. O país produz atualmente apenas um terço da quantidade necessária, ainda assim com 90% dessa produção baseada na extração da soja, uma commoditie que, por competir na cadeia alimentar, não garante competitividade em preço. Em resumo, fatalmente no ano que vem haverá um verdadeiro “apagão” do biodiesel no Brasil.

O contexto mundial também não admite perda de tempo. O valor do barril de petróleo sofre altas consecutivas, a iminência da escassez do combustível fóssil, acelerada pelo crescimento desmedido de países como a China (que soma à sua frota 7 milhões de veículos/ano), são motivos para que os países dos cinco continentes corram atrás de soluções energéticas. Caso o Brasil demore para investir na pesquisa e estabelecimento de culturas alternativas à da soja, como base de produção do biodiesel, estará fadado a perder, definitivamente, a vanguarda mundial dos biocombustíveis.

Na esteira dessa discussão, o pinhão manso, cientificamente conhecido como Jatropha curcas, vem se apresentando ao mundo como a mais vantajosa matéria-prima para a produção do biodiesel. Muitos países já investem na pesquisa para desenvolvimento de melhores metodologias de cultivo e aperfeiçoamento genético da planta. A D1-BP, joint-venture inglesa e a maior produtora mundial de pinhão manso, vai investir 130 milhões de dólares em 2008 para o plantio de até 1milhão de hectares da Jatropha nos cinco continentes. Em países como Austrália, Índia, Moçambique, Portugal e México, o número de hectares disponibilizados para o cultivo da espécie aumenta em proporção geométrica. Enquanto isso, no Brasil, esta planta tropical, de origem certamente americana e provavelmente brasileira, ainda não possui o Registro Nacional de Cultivares, embora já tenha capacidade industrial para extrair seu óleo.

Mas essa realidade deve mudar nos próximos dias. Após reunião concluída no último dia 17, em Brasília, que reuniu o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e representantes da indústria do biodiesel, o ministério decidiu que, nos próximos dias, poderá incluir a Jatropha curcas no Registro Nacional de Cultivares. Só faltam algumas tramitações jurídicas. Assim que oficializado o registro, o cultivo e a comercialização do pinhão manso ficam liberados.

A ABPPM (Associação Brasileira de Produtores de Pinhão Manso) realizou dia 24 último em Jales, Estado de São Paulo, o 1º. Encontro Nacional do Pinhão Manso, que reuniu produtores, investidores e empresários do agronegócio para conhecerem as vantagens da planta. Segundo Mike Lu, presidente da ABPPM, a oleaginosa oferece inúmeras vantagens, entre elas a facilidade de adaptação da planta, cultivável em qualquer lugar entre os trópicos, o alto teor de óleo, cultivo que dispensa a necessidade de maquinário e vida produtiva superior a 50 anos. “Além de todas as vantagens, a Jatropha atende à política social originalmente prevista no Programa Nacional de Biodiesel, pois é a planta ideal para a agricultura familiar, um dos pontos mandatórios do programa”, afirmou.

Para os produtores interessados em investir na cultura da Jatropha, a compra de toda a produção está garantida: a D1-BP, com interesse em fomentar o cultivo da planta no Brasil, garante por contrato a compra de qualquer volume produzido.

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