PIM fatura R$ 60,9 bilhões de janeiro a maio de 2021

O faturamento do PIM voltou a acelerar, na passagem de abril para maio, tanto em dólares, quanto em reais. As vendas também ficaram acima dos patamares do ano passado –época em que a indústria incentivada engatava trajetória ascendente, embalada pela demanda reprimida do pós-primeira onda. Os empregos, contudo, foram na direção contrária e registraram seu pior desempenho no ano. É o que revelam os dados mais recentes dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados pela Suframa, nesta quinta (5).

O faturamento acelerou 5,70% na variação mensal, passando de US$ 2.28 bilhões para US$ 2.41 bilhões, e superou a marca de 12 meses antes (US$ 1.32 bilhão) por uma margem de 72,72%. Contabilizados em reais (R$ 12,59 bilhões), os acréscimos em relação a abril de 2021 (R$ 12,34 bilhões) e maio de 2020 (R$ 7,16 bilhões) foram de 2,02% e 75,84%, respectivamente. O acumulado do ano segue positivo para ambas as moedas. O faturamento escalou 44,74% em dólar (US$ 11,17 bilhões) e decolou 63,29% na conversão em divisa nacional (R$ 60,92 bilhões). 

A Suframa destaca que a “fase do PIM é tão positiva” que 25 dos 26 subsetores de atividades monitorados mensalmente fecharam o acumulado do ano no positivo, na análise em reais. As principais influências positivas vieram dos segmentos de bens de informática (R$ 16,76 bilhões e +86,17%) e eletroeletrônico (R$ 13,45 bilhões e +41,28%), duas rodas (R$ 7,39 bilhões e +61,95%), termoplástico (R$ 5,53 bilhões e +95,43%), metalúrgico (R$ 5,4 bilhões e +56,97%) e químico (R$ 5,03 bilhões e +54,03%). 

Em dólares, 24 dos 26 subsetores do parque fabril de Manaus listados pela Suframa avançaram na mesma comparação, quantidade maior do que a de abril (20). Os únicos dados negativos vieram de brinquedos (-3,86%) e do polo mecânico de bens de informática (-99,13%). Responsáveis por perto da metade das vendas do PIM, os polos eletroeletrônico (US$ 2.48 bilhão e 22,17% de participação) e de bens de informática (US$ 3.07 bilhão e 27,52%) cresceram 25,44% e 66,91%, respectivamente. Já o polo de duas rodas (US$ 1.36 bilhão) aumentou sua fatia no faturamento global do PIM de 11,66% para 12,14%, entre abril e maio, e avançou 40,06% sobre o aglutinado dos cinco meses iniciais de 2020.

Produtos e empregos

Assim como ocorrido nos dois meses anteriores, os principais resultados das linhas de produção vieram dos bens de informática e eletroeletrônicos. O subsetor de bens de informática foi puxado pela fabricação de celulares (5.737.385 e +27,37%), tablet PC (772 mil e +207,64%), microcomputador portátil (356.945 e +76,49%). Principal produto do PIM em faturamento, os televisores com tela de cristal líquido (4.570.479 e +1,93%) também tiveram desempenho positivo, embora por uma margem bem mais modesta. O maior crescimento proporcional veio dos home theaters (50.293 e +276,28%).

A Suframa destaca, no texto de divulgação dos Indicadores, que outras linhas de produção importantes para o PIM tiveram índices de fabricação em alta. O segmento de duas rodas é outro exemplo. De janeiro a maio de 2021, o Polo fabricou 467.261 unidades de motocicletas, motonetas e ciclomotos (aumento de 47,94% em relação a igual período do ano passado) e 289.713 unidades de bicicletas, inclusive, elétricas (crescimento de 43,68%). 

O dado negativo veio dos empregos, que amargou queda no ritmo das contratações. Em maio, o PIM registrou média de 97.564 postos de trabalho, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. O desempenho superou em 11,12% o patamar de maio de 2020 (87.800), mas retrocedeu 3,66% em relação a abril de 2021 (101.274), além de ter sido o pior dado do ano –que teve seu ápice em março (103.486).

A média mensal de mão de obra do parque fabril de Manaus, no acumulado de janeiro a maio deste ano, foi de 101.647 postos de trabalho, sendo 7,60% superior à média registrada ao longo de 2020 (94.464). Foi também o melhor número desde 2016, (86.161), embora ainda tenha ficado distante do patamar de 2015 (105.015). O saldo acumulado pela indústria incentivada nos cinco meses iniciais deste ano foi de 2.178 vagas, dado o predomínio das contratações (12.882) sobre os desligamentos (10.704).

“Atenuação progressiva” 

Em texto da assessoria de imprensa da Suframa, o titular da autarquia federal, Algacir Polsin, considerou que os números de maio apontam que o PIM está “em um momento muito firme”. A expectativa do superintendente é que o Polo tenha um segundo semestre com resultados “ainda mais robustos”, dados os fatores de “atenuação progressiva” das “restrições socioeconômicas” impostas pela pandemia e as “ações do governo federal visando à recuperação do país”. 

“O Polo tem batido recordes sucessivos de faturamento nos últimos meses, e a empregabilidade é a melhor em muitos anos. Estamos muito satisfeitos com esses resultados, mas sabemos que ainda temos espaço para melhorar, pois a expectativa é que o mercado brasileiro, que é o destino de praticamente 90% da nossa produção, possa evoluir até o final do ano”, afiançou.

“Demanda cíclica”

Em material divulgado pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o presidente da entidade, Marcos Fermanian, pontuou que os números de maio já mostravam “curva de recuperação”. O dirigente garantiu que as montadoras trabalham para atender a demanda reprimida e que, embora a produção siga o ritmo esperado, pode revisar para cima a projeção anual (1.060.000 unidades), nos próximos meses. 

“Há condições favoráveis, mas também uma série de fatores, como o aumento dos juros, do índice de desemprego e da diminuição da renda dos brasileiros, que ainda pode impactar o mercado”, listou. “Além disso, precisamos avaliar se o que temos hoje é uma demanda cíclica, em função da redução da produção, ou se é algo sustentável”, complementou.

Quarentena e insumos

O presidente da Eletros, José Jorge do Nascimento Júnior, reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que o segmento vem mantendo desempenho “importante” e “interessante” em todo o país, principalmente na ZFM. Segundo o dirigente, as quarentenas ajudaram a impulsionar a produção e vendas de eletroeletrônicos, mas a flexibilização no distanciamento social, mediante o avanço da vacinação, deve mudar o cenário. Mesmo assim, o dirigente aponta que a sazonalidade do segundo semestre deve ajudar na manutenção do desempenho.

Em texto divulgado na Revista Eletrolar News, o presidente da Eletros observa que há obstáculos significativos no caminho, como a inflação, as incertezas da reforma Tributária e a crise hídrica. “Os altos custos dos insumos, em especial do aço, tem forte impacto sobre os preços dos produtos, o que pode gerar retração nas vendas. Os indicadores da economia internacional apontam estabilização na demanda do aço, mas isso ainda não se refletiu internamente. Outro aspecto positivo é que o dólar vem perdendo força, e o real está se valorizando”, encerrou. 

Foto/Destaque: Pascal Sijen/WikimediaCommons

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