PIM e Argentina já negociam em peso e real

Após o estouro da crise que balançou as economias globais no fim do ano passado, o país vem discutindo alternativas para pegar carona no enfraquecimento do dólar e substituir a moeda americana nas relações comerciais bilaterais. A ideia ganhou força após a consolidação de um mecanismo implementado com um dos mais importantes parceiros comerciais do PIM (Polo Industrial de Manaus), o mercado argentino.
Segundo o diretor-executivo da Aceam (Associação do Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, desde outubro do ano passado, os dois países adotaram o SML (Sistema de Pagamentos em Moedas Locais). O mecanismo prevê, segundo o executivo, o uso do real e do peso argentino nas operações de comércio exterior de bens e serviços, sem a necessidade do câmbio para o dólar americano. “Com o novo método, importadores e exportadores diminuíram custos e se protegeram melhor dos riscos de variação cambial”, revelou.
Embora tenha lembrado que a migração para o novo sistema ainda esteja incipiente entre as empresas do Amazonas, Bittencourt assegurou que em pouquíssimo tempo o método se tornará mais usual na atividade. Conforme o diretor- executivo, a partir da consolidação do SML, a simplificação nas transações poderá efetivar aumento da base de exportadores locais, abrindo perspectivas para pequenas e microempresas passarem a atuar no mercado externo. “Além disso, se a moeda utilizada é a nacional, pode-se controlar despesas e restrições, negociar e resolver problemas facilmente, algo que não se faz com uma terceira moeda em ação. É um bom estímulo para que os negócios sejam expandidos”, explicou.
Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) apontam que quando foi lançado, no início do ano, do volume transacionado entre Brasil e Argentina (US$ 202.70 milhões) a partir do PIM (Polo Industrial de Manaus), apenas 0,0047% era por SML. Em junho passado, esse índice avançou para 1,72%. Em julho, novo aumento (1,86%) na adesão do novo sistema, que fechou agosto com 2,1% do total exportado para o país vizinho.
Em nota ao Jornal do Commercio, o vice-presidente da Riffel, Sigbert Geisler, disse considerar interessante a estratégia do governo para dar fôlego às exportações num quadro de dólar baixo, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo. O executivo avaliou que a iniciativa vai permitir a eliminação do dólar nas compras e vendas bilaterais, integração mais sólida entre os parceiros do Mercosul, além de facilitar as liquidações financeiras. “No nosso caso, consideramos como fatores positivos ainda a redução dos custos das transações de câmbio e dos obstáculos aos fluxos comerciais com os compradores argentinos, já que teoricamente o mercado ganhará mais eficiência no câmbio entre peso e real que hoje praticamente não existe”, ponderou.
Embora tenha evitado comentários mais aprofundados, o economista e empresário Luiz Carlos Azedo Filho considerou que o horizonte comercial pós-crise apresenta ligeira tendência à criação de moedas regionais, na qual cada grupo econômico exerça uma influência, nos moldes do que houve com o Euro. “Todo esse quadro vai depender do próprio desempenho da economia americana, mas acredito que haverá uma elevação da importância de várias moedas, com condições para lidar com as volatilidades do novo quadro monetário pós-crise”, finalizou Luiz Carlos Azedo Filho.

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