PIM comemora data de olho no segundo semestre de 2009

Dirigentes industriais do PIM (Polo Industrial de Manaus) afirmam que há o que comemorar no Dia da Indústria, 25 de maio. Numa dobradinha entre o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco e o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, eles apontam que o mercado começa a viver um processo de estabilização econômica, puxando a retomada da atividade industrial, o que é um sinalizador positivo para recuperação dos empregos perdidos.
Passada a fase de grande turbulência, eles atestam que o nível de ocupação de máquinas e equipamentos nas indústrias do PIM oscila entre 60% e 89%. O segmento eletroeletrônico, por exemplo, chegou a trabalhar com 40% de sua capacidade produtiva no fim do ano passado e em janeiro deste ano. Em março, esse segmento registrou faturamento de US$ 748.755 milhões e crescimento de 20,51% ante o mês anterior.
Diante desse cenário, Wilson Périco disse que o simples fato dos empresários estarem superando esse momento já seria motivo de sobra para comemorações.
“Conseguimos minimizar os impactos sociais dessa crise. Apesar do número de demissões, o nível de desemprego no Brasil é muito menor que a grande maioria dos países e a expectativa é muito positiva para o segundo semestre de 2009. Logo, temos sim, motivos para comemorar”, assinalou.
Na opinião de Maurício Loureiro, o Brasil, mesmo enfrentando todo o abalo císmico mundial, está conseguindo aos poucos superar todos os percalços da crise mundial. “Com relação à ZFM (Zona Franca de Manaus), podemos dizer que também sofremos com o abalo císmico mundial, muito embora estejamos aos poucos superando a crise mundial e interna”, garantiu.
Ao serem questionados se há sinal positivo de aquecimento de produção e venda neste primeiro quadrimestre de 2009, ambos os dirigentes apontam que a base industrial do polo de Manaus encolheu neste período em torno de 12% .
“É só comparar os dois períodos que se verificará esse resultado”, assinalou Loureiro.

Redução de impostos auxilia os segmentos

Para Loureiro, houve um movimento dos governos estadual e federal, o que foi salutar. “Mas o fundamental foi mesmo a iniciativa de consumo ocorrida em abril com a queda da taxa Selic que está em 10,25% ao ano”, assegurou.
Segundo Périco, as medidas de redução de impostos ajudaram, principalmente os segmentos de duas rodas e termoplástico. “Sem essas medidas os impactos sociais teriam sido muito maiores”, admitiu o dirigente.
Ao comentarem o último relatório do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgado nesta semana, apontando a perda de 1.069 vagas em abril e 15 mil postos no quadrimestre, face ao mercado brasileiro que apresentou recuperação, ambos avaliaram como um resultado ruim, reconhecendo que desempregar não é algo saudável socialmente falando. Loureiro lembrou que a economia do Amazonas sofreu uma grande queda em sua demanda, basta verificar a queda havida no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009. “Em termos relativos, a queda local foi de 14,7%, segundo o IBGE. Nossa estimativa é a de que no primeiro quadrimestre essa queda represente 12%. Logo, é plausível que tenhamos restauração nos empregos de um modo geral”, justificou.

Situações distintas

Périco defendeu que não dá para comparar o ano de 2009 com 2008, porque são realidades completamente diferentes. No primeiro semestre de 2008 houve um boom de crescimento econômico mundial, enquanto que em 2009 a indústria vive plena crise mundial. “Totalmente o oposto, chega a beirar o masoqusimo”, comparou, lembrando que se comparando gradativamente os meses deste ano nota-se uma redução nesse comparativo. “Esperamos poder voltar a ter resultado positivo, nesse comparativo do Caged, no segundo semestre”, disse.

Incremento demonstra reação da indústria

A Suframa (Supe­rinten­dência da Zona Franca de Manaus), por meio dos Indicadores Industriais do PIM, aponta que os cinco principais segmentos industriais apresentaram resultados positivos no comparativo entre os meses de março e fevereiro. O segmento eletroeletrônico registrou em março faturamento de US$ 748,755 milhões e crescimento de 20,51% ante o mês anterior; o segmento de duas rodas, faturamento de US$ 367.187 milhões e crescimento de 29,32%; o segmento químico, faturamento de US$ 223.543 milhões e crescimento de 26,26%; o segmento metalúrgico, faturamento de US$ 131.559 milhões e crescimento de 31,70%; e o segmento termoplástico, faturamento de 105,016 milhões e crescimento de 12,08%. Juntos, esses segmentos foram responsáveis por mais de 90% do faturamento do PIM nos três primeiros meses de 2009.
Maurício Loureiro disse que esse incremento pode ser um sinalizador de que a indústria do PIM começa a reagir. “Mas é bom lembrar que estamos comparando meses bastante fracos como base comparativa. Se os comparássemos com os mesmos meses do ano anterior sem deflacionarmos, teríamos números escandalosamente piores. De qualquer forma há um ajustamento da produção em relação à demanda, que nos permite ter expectativas positivas ao longo de 2009. Porém nada muito alvissareiro”, avaliou.
Mais otimista, Wilson Périco disse que, sem dúvida, os indicadores apontam que a indústria local está retomando suas atividades e que logo, logo, estará recuperando os números de empregos também.

Copa do Mundo pode elevar venda de TV

Ao serem perguntados se a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010, vai ajudar a aquecer as vendas de televisores do PIM como aconteceu em 2006, ambos concordaram ser possível. Os dirigentes não têm dúvidas de que os TVs de LCD e Plasma com alta definição serão as vedetes de vendas.
Segundo Loureiro, o Brasil como sede da Copa de 2014, começará a colher frutos de sua indicação e isso motivará e encorajará o consumidor a optar por uma televisão de padrão melhor, além do advento da transmissão digital. 
Por outro lado, acredita que a economia nacional estará mais estabilizada e com possibilidade de oferecer ao consumir acesso mais fácil a compra desse tipo de produto, em especial, as TVs de LCD, Plasma e até mesmo os de Oled -uma tecnologia criada pela Kodak em 1980 e que promete telas planas muito mais finas, leves e baratas que as atuais telas de LCD.

Oportunidade no comércio

Na opinião de Périco, será uma boa oportunidade para esse segmento devido à cultura do povo brasileiro pelo futebol.
“Tenho certeza de que as indústrias estarão muito focadas em lançamentos com grande apelo tecnológico e comercial. Vamos torcer para que a seleção faça uma boa copa para motivar o consumo. Como torcedores sofremos muito na copa passada, como representante do segmento observamos que a seleção não conquistou o carinho do consumidor”, avaliou.

Expectativa é positiva

Périco pontuou que observado crescimento mês a mês, fevereiro foi melhor que janeiro, março foi melhor que fevereiro. Diante desse crescimento ele acredita que o segundo trimestre será melhor que o primeiro.
“A expectativa quanto ao segundo semestre é positiva, será, também, melhor que o primeiro semestre”, disse.
Perguntado se as indústrias do PIM estão começando a sair da crise, Loureiro respondeu que alguns segmentos tiveram pequena melhora.
Outros ainda sentem o movimento negativo do consumo. “Entre os segmentos que tiveram pequena melhora foi o de duas rodas e o de motocicletas, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)”, citou.
Périco também comunga da ideia de que a indústria conseguiu uma estabilização e que começa a retomar a atividade. “Existe muita diferença de segmento para segmento, mas os resultados do PIM têm sido melhores e continuarão assim, melhor mês a mês”, avaliou.
Os representantes empresariais do PIM admitem que a ajuda governamental –estadual e federal– foi fundamental para conter os efeitos negativos da crise econômica que abalou a estrutura econômica mundial, entre o fim do ano passado e o início deste.

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