PIB pode ficar positivo em 2014

Mudança na metodologia da estimativa do PIB pode alterar o resultado de negativo para positivo

A mudança na metodologia da estimativa do PIB pode levar o resultado de 2014 sair de negativo e ir para o território positivo, mas não mudará a leitura de que foi um ano de atividade econômica fraca e de que o país vem perdendo produtividade nos últimos anos, segundo economistas.
O principal fator a levar o resultado de 2014 de uma retração da casa de 0,15%, última previsão do mercado, para uma alta de até 0,6% é o chamado “carregamento estatístico”, uma espécie de crescimento inercial da economia. Esse “carregamento” depende do ritmo de crescimento do ano anterior, no caso de 2013, cujos dados só serão conhecidos no final do mês.
Nos países desenvolvidos que tiveram essa mudança de metodologia no cálculo do PIB, o impacto médio foi da ordem de 1 ponto percentual, segundo economistas. O Brasil, no entanto, teve aumento de apenas 0,1 ponto entre 2001 e 2010; apenas em 2011 é que o impacto foi de 1,2 ponto percentual (de 2,9% para 3,7%), o que chamou a atenção dos economistas.
Para Fernanda Consorte, economista do Santander, qualquer estimativa do resultado de 2014 será “um chute”, antes de conhecer os dados de 2013. No entanto, ela reconhece que o impacto deverá ser positivo, o que pode facilmente levar o resultado de -0,2% para 0,2 no ano passado. “Mesmo que ocorra isso, a leitura é que o 2014 foi um ano de enfraquecimento da atividade econômica, em que o país continuou perdendo produtividade”, afirmou.
Segundo Ricardo Macedo, professor do Ibmec do Rio, a nova metodologia do cálculo do PIB vai atenuar os efeitos de uma recessão por dois anos (2014 e 2015, como preveem governo e mercado), mas se trata de um efeito meramente estatístico porque a economia se tornou maior do que era estimada.
“A nova metodologia atenua os números, mas não podemos nos iludir nem achar que é uma vitória. O ano foi de fraca atividade econômica”, afirmou.

Em 2000, a participação da indústria era de 28,1%

A adoção de uma nova metodologia de cálculo do PIB levou a indústria e a agropecuária a perder peso na economia do país, em detrimento ao setores de serviços. A tendência que já vinha ocorrendo nos últimos anos ficou mais explícita com os dados revisados, divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (11).
Na série antiga do PIB, com base em 2000, a participação do setor industrial era de 28,1%. Na revisão, a atividade perdeu espaço e correspondia a 27,4% da produção nacional em 2010 (novo ano de referência utilizado pelo IBGE). As maiores perdas ocorreram nos subsetores da indústria de transformação e energia, gás, água, esgoto e limpeza urbana. A indústria extrativa e a construção ganharam peso, mas não compensaram a perda dos demais segmentos.
A indústria perdeu terreno apesar da incorporação dos gastos em pesquisa e desenvolvimento como investimento, o que turbinou o PIB como um todo. O motivo principal é que as atividades administrativas e auxiliares realizadas pelas sedes das companhias, que dão suporte à atividade produtiva, migraram para o setor de serviços, segundo o IBGE.
De 2001 a 2011, a taxa média anual de crescimento do PIB industrial (volume de bens e serviços produzidos) subiu de 2,7% para 3,1%. Isso ocorreu, em boa medida, por causa da introdução das atividades de pesquisa e desenvolvimento como investimentos, e não mais como despesas das empresas. O setor industrial é o que mais investe em inovação, atrás apenas do governo (com suas agências de fomento e universidades públicas), segundo o IBGE.
Já o peso da agropecuária caiu de 5,3% para 4,9%. Sua expansão média foi de 4,1% -a estimativa original era de 4%. Foi o setor com maior incremento no período.
Os serviços, por seu turno, viram sua participação elevada de 66,6% em 2000 para 67,8% em 2010. Os maiores avanços ficaram com atividades imobiliárias, serviços de informação e outros serviços (alimentação, alojamento, entre outros). Transportes e intermediação financeiras (bancos, seguradoras e outros) perderam um pouco de espaço.
O PIB dos serviços cresceu, em média, 3,7% pela nova série do IBGE, quase a mesma variação apresentada na antiga (3,6%).

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