PIB mostra impacto da pandemia do Covid-19 na economia

Impactado pela pandemia do Covid-19 e pelas primeiras medidas de isolamento social, o PIB nacional não passou de R$ 1,80 trilhão, até março e sofreu quedas de 1,5% ante o trimestre anterior, e de 0,3% em relação ao mesmo período de 2019. Puxado para baixo pelo consumo das famílias e pelo setor de serviços, o saldo fechou no vermelho pela primeira vez, após quatro trimestres de alta, levando a economia brasileira ao mesmo nível do segundo trimestre de 2012. Os dados foram divulgados nesta sexta (29), pelo IBGE. 

Entre as atividades econômicas, a única que cresceu foi a agropecuária (R$ 119,70 bilhões), que avançou 0,6% e 1,9%, respectivamente. A retração foi puxada por comércio e serviços (-1,6%), que respondem por 74% do PIB (R$ 1,10 trilhão) –, com baixas mais fortes para transportes e correios (-2,4%) e de informação e comunicação (-1,9%), levando a CNC a projetar queda de 6,1% para o Produto Interno Bruto deste ano. No acumulado até março, comércio (+6%) e serviços (+5,4%) cresceram no Amazonas.

Com decréscimos respectivos de 1,4% sobre o quarto trimestre e de 0,1% em relação a igual intervalo de 2019, a indústria veio em segundo lugar no ranking das quedas, totalizando 305,50 bilhões. O resultado veio em sintonia com o desempenho da manufatura amazonense, no acumulado dos três meses iniciais do ano (-1,2%). Os subsetores extrativo (-3,2%) e de construção (-2,4%) sofreram os maiores abalos nacionais. Majoritária no PIM, a indústria de transformação tropeçou 1,4%. Em um cenário base, a CNI estima que o PIB deve recuar 4,2% neste ano – com recuo de 3,9% para a produção industrial.

No lado da demanda, o consumo das famílias (R$ 1,30 trilhão) – que responde por 65% do PIB – tombou 2% em relação ao último trimestre de 2019 e apresentou a maior contração desde a crise do apagão no terceiro trimestre de 2001 (-3,1%). Frente ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 0,7%. Combinado com a queda dos serviços, o menor consumo das famílias brasileiras foi o principal responsável pela retração da economia, conforme análise do IBGE. 

Os gastos do governo (R$ 343,5 bilhões), por outro lado, ficaram praticamente estáveis nos três meses iniciais de 2020 (+0,2% e zero, respectivamente). Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), por outro lado, cresceram 3,1% e 4,3% nas comparações respectivas com o quarto e do primeiro trimestres de 2019, sendo puxados pela importação líquida de máquinas e equipamentos e pelo setor de petróleo e gás. 

“Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos. Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academia, alojamento, alimentação sofreram bastante com o isolamento social”, destacou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, em entrevista à Agência de Notícias IBGE.

Fora da curva

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, ressalta que o primeiro bimestre foi muito positivo para os setores de comércio e serviços, tanto em nível local, quanto nacional. O dirigente observa ainda que fatores como “o pagamento de dois salários atrasados” pelo governo estadual, no período, também ajudou a reforçar o Estado como um ponto fora da curva, até a chegada da pandemia. 

“Todo mundo estava acreditando muito no setor, no começo do ano. Tanto é que tivemos contratações em janeiro e fevereiro, coisa que não acontecia há muito tempo. Em março, parou tudo e, em abril, começaram as demissões. No caso dos serviços, só para você ter ideia, a arrecadação caiu de R$ 91 milhões para R$ 50 milhões, entre janeiro e abril. A coisa só não foi pior porque, nas zonas Leste e Norte, o isolamento teve muito baixa adesão. Do jeito que está aguardamos melhora só a partir de setembro”, comentou.

Incógnita na indústria

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, considera que o PIB já reflete os impactos da crise do Covid-19, tendo em vista o ritmo acelerado de contágio da doença, e antecipa que 2020 será um ano de “forte desaceleração econômica”. O dirigente diz que a situação atual das indústrias ainda é uma  incógnita, pois depende do prazo de duração da pandemia, mas torce para que haja liderança governamental capaz de gerar boas perspectivas de crescimento para o país no pós-crise, possibilitando “arranque de mercado” e busca empresarial de boas oportunidades.

“Sinto muito em dizer, mas acredito que o segundo trimestre deva revelar uma situação pior, simplesmente porque as medidas mais rígidas contra o Covid-19 só foram tomadas na segunda quinzena de março. Nosso parque industrial deu uma resposta positiva no auxílio ao combate da pandemia e acredito que a ZFM será mais uma ferramenta para o Brasil superar as dificuldades do período pós-crise. Não tendo a mesma capacidade de endividamento de um país mais desenvolvido, o Brasil terá que usar todas as possibilidades para superar os problemas, objetivando o retorno normal das atividades. Para isso deverá dar continuidade à agenda de reformas”, concluiu. 

Fonte: Marco Dassori

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