PIB mostra evolução da economia mesmo com pandemia

Em paralelo com a flexibilização econômica em todo o país, o PIB brasileiro (R$ 1,891 trilhões, em valores correntes,) avançou 7,7% na virada do segundo para o terceiro trimestre, registrando a maior alta desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Em relação ao mesmo período de 2019, contudo, houve recuo de 3,9%. A variação mensal inédita também não conseguiu repor as perdas da pandemia. O acumulado ficou negativo em 5%, levando a economia a estacionar no mesmo patamar de 2017. 

O desempenho veio em sintonia com a prévia do PIB apresentada pelo IBC-BR (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) –que conta com metodologia diferente. O indicador do BC havia apontado um incremento de 9,47% para a economia nacional, em relação ao segundo trimestre de 2020, retração de 3%, no confronto com o terceiro trimestre de 2019, e queda de 4,93%, no acumulado deste ano. Ainda não se sabe como foi a performance do Amazonas. Caso siga o padrão do IBC-BR (+26,72%, +1,48% e -4,43%), ficará novamente acima da média nacional.

O PIB nacional foi puxado pela Indústria (+14,8% na variação mensal), serviços (+6,3%). Mas, pela ótica da despesa, o que mais pesa no PIB é o consumo das famílias (65%), que teve expansão de 7,6%. O subindicador havia caído 11,3% no segundo trimestre, mas conseguiu recuperar vigor no terceiro, especialmente pelo consumo de bens duráveis e alimentícios da cadeia agroalimentar. 

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), por outro lado, cresceram 11%, mas o IBGE destaca que o resultado foi influenciado pela fraca base de comparação do segundo trimestre (-16,5%). No acumulado do ano, a queda é de 5,5%. “O país ainda tem investimento em equipamentos importados e como o dólar está alto, influencia para baixo”, observou a coordenadora de Contas Nacionais do órgão federal de pesquisa, Rebeca Palis, no texto da Agência de Notícias IBGE.

Indústria e serviços

A indústria se saiu melhor na transformação (23,7%), mas também avançou em eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (+8,5%), construção (+5,6%) e indústria extrativa (+2,5%). O aglutinado de janeiro a setembro (-5,1%) se manteve no vermelho, assim como o desempenho ante o mesmo trimestre do ano passado (-0,9%). A indústria de transformação (-0,2%) foi puxada para baixo, neste caso, por confecções e veículos (de quatro e duas rodas), além de metalurgia e máquinas e equipamentos. 

Nos serviços –setor com mais peso na economia (73%), e que também mais sofreu durante o auge da crise da covid-19 –o crescimento se espraiou por todas as atividades: comércio (+15,9%), transporte, armazenagem e correio (+12,5%), outras atividades de serviços (+7,8%), informação e comunicação (+3,1%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (+2,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (+1,5%) e atividades imobiliárias (+1,1%). O setor, entretanto, se manteve negativo em 5,3%, no acumulado do ano, assim como na variação anual (-4,8%) –onde foi puxado por outras atividades de serviços (-14,4%) e transporte, armazenagem e correio (-10,4%).

O único setor econômico analisado pelo IBGE que apresentou desempenho negativo foi a agropecuária (-0,5%). Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do órgão federal de pesquisa, Rebeca Palis, o retrocesso na variação mensal se deu em virtude de um ajuste de safra. No acumulado, cresceu 2,4% e, na comparação com o mesmo trimestre de 2019, subiu 0,4%, puxada pela produção e ganho de produtividade de safras relevantes, como café (+21,6%), cana de açúcar (+3,6%), algodão (+2,5%) e milho (+0,3%). 

PIM e auxílio

Na análise do presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão, assim como ocorreu com a prévia pelo IBC-Br, o PIB amazonense deve ter apresentado um resultado mais robusto do que o nacional, no terceiro trimestre. O economista salienta que, diferente do que acontece em âmbito nacional –onde a agropecuária fez a diferença –, o desempenho local deve ser puxado pelo PIM e pelo aquecimento do consumo proporcionado pelo auxílio emergencial.

“Já deve haver alguma desaceleração no quarto trimestre, como já é possível antever, pelos indicadores econômicos setoriais. O benefício assistencial do governo já foi cortado pela metade e isso impacta, na economia. Creio que, pelos números que temos até agora, o PIB do Amazonas deve fechar com queda de 4,5% a 5%. A dúvida é como vai ficar no ano que vem, que não terá auxílio emergencial, MP-936/2020 (que flexibilizou o emprego) e Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). E há dificuldades em torno da vacina”, ponderou.

Reforma e vacina

Já o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, reforça que a indústria do Amazonas tem dado uma boa resposta de recuperação, confirmada nos indicadores industriais de setembro. O dirigente lembra que faturamento e horas trabalhadas registraram a quinta variação positiva consecutiva, naquele mês, com ganhos de 6,2% para as vendas acumuladas no ano e de 9% para os empregos, no mesmo período.

“Acredito que, devemos superar 2019 em faturamento na moeda nacional, mas as vendas em dólar devem ter redução de 17%. O próximo ano é uma incógnita, tendo em vista vários fatores, como o comportamento da pandemia, a eficácia das vacinas que venham a ser autorizadas pelas autoridades sanitárias e a continuidade das aprovações das reformas pelo Congresso. A forma como será aprovada a Reforma Tributária é a grande preocupação de nós, da ZFM. Esperamos ser preservados nos nossos direitos constitucionais”, arrematou. 

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