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PIB mostra cenário positivo da economia nacional

Puxado pela agropecuária (+15,1%) e, em menor grau, pelos serviços (+2,4%) e indústria (+1,6%), o PIB brasileiro fechou 2023 com 2,9% de alta, ao somar R$ 10,9 trilhões em valores correntes. O Produto Interno Bruto do país repetiu o índice de crescimento apresentado em 2022, e performou seu terceiro ano consecutivo de expansão. O resultado foi influenciado também pelo avanço do consumo das famílias (+3,1%), em sintonia com a recuperação do mercado de trabalho e as políticas de transferência de renda. Mas, a taxa de investimento (-3%) sofreu seu primeiro declínio desde 2020 – o ano inicial pandemia. 

O PIB, no entanto, estagnou na virada do terceiro para o quarto trimestre, sinalizando desaceleração para 2024. Nesse cenário, a economia foi induzida principalmente pela indústria (+1,3%) e pelos serviços (+0,3%), mas não pela agropecuária (-5,3%). O confronto com o mesmo período do ano anterior apontou para um incremento de 2,1%, o 12º resultado positivo seguido nesse tipo de comparação, em um cenário de positivo para as exportações (+7,3%) e negativo para as importações (-0,9%). É o que revelam os números do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgados nesta sexta (1º), pelo IBGE.

A performance trimestral do PIB foi melhor do que a calculada pelo IBC-Br, que tem metodologia diferente. O indicador do Banco Central retraiu 0,22% ante o trimestre anterior e subiu 1,80% sobre o mesmo acumulado de 2022, embora a elevação no ano (+2,45%) fosse maior. A mesma base de dados mostra números menos generosos para o Amazonas, em função dos impactos da vazante, mas a confirmação do desempenho do Estado só será disponibilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística dentro de dois anos.

Indústria e construção

A indústria, que foi o motor de crescimento do PIB no trimestre anterior, se manteve aquecida no quarto trimestre. Mas, o dinamismo ficou restrito às indústrias extrativas, que escalaram 10,8% frente ao mesmo trimestre de 2022 e avançaram 8,7%, sendo puxadas pela alta na extração de petróleo, gás e minério de ferro. Outro destaque veio do grupo que reúne eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (+8,7% e +6,5%), graças ao aumento das temperaturas e à melhora nas condições hídricas. O dado negativo veio da indústria de transformação (-0,5% e -1,6%), que é predominante no PIM.

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Fieam, Antonio Silva, avaliou que os resultados do setor não atingiram o patamar aguardado em função “do cenário da histórica estiagem em 2023” e de que a redução da taxa básica de juros ocorreu em ritmo inferior ao aguardado e desejado pela indústria. Mas, ressaltou que os diversos indicadores de desempenho reafirmam o “sólido posicionamento do Polo Industrial de Manaus” e atestam a estabilidade do modelo com “leve tendência positiva”. “A meu ver, devemos seguir em ritmo similar ao longo de 2024”, conjecturou.

A construção aqueceu no trimestre (+0,9%), após a taxa negativa sofrida no levantamento anterior (-3,8%). Mas, o impulso não foi suficiente para salvar o ano de uma retração de 0,5%. Em entrevistas à reportagem, o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, lembrou que o ano começou mais tarde para o setor, inibindo investimentos. O motivo foi a demora para os acertos na nova formatação do programa Minha Casa Minha Vida – que responde por mais de 80% do mercado imobiliário do Amazonas. Mas, o dirigente se mostrou otimista em relação a 2024, em função das reduções da Selic. 

Serviços e agropecuária

Responsável pela parte majoritária do PIB, os serviços cresceram 2,4% no ano passado, após aceleraram 1,9% na variação trimestral. Todos os seus segmentos fecharam 2023 no azul: atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (+6,6%); Atividades imobiliárias (+3%); “outras atividades de serviços” (+2,8%); informação e comunicação (+2,6%); transporte, armazenagem e correio (+2,6%); administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (+1,1%). O comércio, que também integra a base dos serviços brasileiros subiu apenas 0,6% no ano e retraiu 0,1% no trimestre.

Em entrevista recente, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, enfatizou que os serviços são o setor “mais robusto” da economia, além de ser também o que mais emprega e arrecada. Mas, acrescentou que o comércio ainda sofre os impactos do aumento de custos pós-vazante e de um consumidor ainda estrangulado por dívidas e juros altos. “O programa Desenrola e os decréscimos da Selic tendem a contribuir. Isso é positivo, mas ainda falta fazer muita coisa”, ponderou

A agropecuária foi o setor econômico que alavancou o PIB no ano, com uma decolagem de 15,1%, sendo favorecida pelo crescimento da produção e da produtividade da agricultura. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do IBGE, destaca os recordes das safras de soja (+27,1%) e milho (+19%) – no Amazonas, o avanço vem apenas da primeira. Já a estabilidade no comparativo trimestral pode ser explicada pelos declínios das culturas de trigo (-22,8%), laranja (-7,4%), mandioca (5,1%) e cana-de-açúcar (14%).

Em recente conversa com a reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Faea, Muni Lourenço, lembrou que as safras do Amazonas sofreram impactos significativos da “fortíssima estiagem” do ano passado. Ainda assim, o dirigente salientou que a atividade tem potencial e que o Sul do Estado vem se destacando, em virtude seus “campos naturais, com grande vocação e potencial para a produção mecanizada e tecnificada de grãos”. 

Consumo e investimentos

Pela ótica da demanda, o destaque positivo do PIB brasileiro veio da Despesa de Consumo das Famílias, que avançou 3,1% em relação a 2022. Na análise do IBGE, o aumento da massa salarial real dos trabalhadores, o arrefecimento da inflação contribuíram para o resultado, refletindo-se também em uma taxa trimestral positiva de 2,3% para a rubrica. “Os programas de transferência de renda do governo colaboraram de maneira importante, especialmente em alimentação e produtos essenciais não duráveis”, frisou a coordenadora da sondagem, Rebeca Palis, em texto postado na Agencia de Notícias IBGE.

As despesas do governo (+1,7% e +3%) também subiram, mas a Formação Bruta de Capital Fixo/investimentos (-3% e -4,4%) diminuiu especialmente máquinas e equipamentos (-9,4% no ano). “Houve recuo na taxa de poupança porque teve um consumo das famílias crescendo mais do que o PIB no ano passado”, disse Palis em entrevista coletiva de imprensa após a divulgação do PIB”, concluiu Rebeca Palis.

Já o consumo das famílias aumentou 1,1% no trimestre, enquanto os dispêndios do governo subiam 0,5%. A variação anualizada apresentou altas respectivas de 3,7% e 1%. “O crescimento é explicado pelos programas governamentais de transferência de renda, pela continuação da melhora do mercado de trabalho, pela inflação mais baixa e pelo crescimento do crédito. Por outro lado, apesar de começarem a diminuir, os juros ainda estão altos e as famílias seguem endividadas. Houve também a queda no consumo de bens duráveis”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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