PIB do Amazonas fica no azul no primeiro trimestre

O PIB do Amazonas foi de R$ 28,69 bilhões, no primeiro trimestre de 2021. A despeito dos impactos econômicos da segunda onda da covid-19, o Estado conseguiu avançar 11,07% ante o mesmo período de 2020 (R$ 25,83 bilhões) e subir 2,22% em relação aos três meses finais do ano passado (R$ 28,06 bilhões). Descontada a inflação do IPCA, as altas respectivas foram 4,69% e 0,17%. Os números são da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação) e foram calculados a partir dos dados das Contas Regionais do PIB Brasil, do IBGE.

Entre os setores analisados no estudo da secretaria estadual, os melhores desempenhos nominais na variação anual vieram da agropecuária (R$ 1,49 bilhão) e dos serviços (R$ 14,77 bilhões) – que engloba também o comércio. As elevações foram de 13,01% e de 11,84%, na ordem. No confronto com o quarto trimestre de 2020, ambos os setores também apresentaram taxas de crescimento, em preços correntes (de 4,01% e de 2,93%). Indústria (R$ 7,99 bilhões) e impostos (R$ 4,44 bilhões) vieram nas posições seguintes.

Embora tenha sido responsável por apenas 5,19% do PIB do Amazonas, a agropecuária foi a atividade econômica que mais avançou (+13,01%) ante o mesmo intervalo do exercício anterior (R$ 1,32 bilhão). No corte por segmentos, agricultura (+22,09%) e produção florestal (+4,05%) alavancaram o desempenho, a despeito do dado negativo da pecuária (-19,22%). O incremento foi de 2,93% na comparação com o valor do quarto trimestre do ano passado, com a mesma dinâmica para os subsetores.

“Percebemos um nítido crescimento no PIB. Creio que os serviços para o governo devem ter tido destaque, já que os segmentos voltados para as famílias, como restaurantes e hotéis, estão tendo dificuldades em função da pandemia e do distanciamento social. Há também um aumento significativo da indústria, mostrando uma pequena luz no fim do túnel. Mostra uma reação, em vista do auxílio emergencial e o aumento da taxa de investimentos, em função do aumento das taxas de juros”, avaliou o economista e conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior.

Estoques e reabertura

Responsável por 51,48% do PIB estadual, o setor de serviços teve a segunda maior alta (+11,84%), em relação ao mesmo trimestre de 2020 (R$ 13,21 bilhões). As melhores performances vieram de artes, cultura e recreação (+16,77%), educação e saúde privadas (+16,50%), transporte (+15,81%), atividades imobiliárias (+14,58%), informação e comunicação (+13,86%) e atividades profissionais (+13,75%). “Comércio e serviços de manutenção e reparação” (R$ 2,67 bilhões) cresceu 12,92% na comparação com o mesmo período de 2020 (R$ 2,36 bilhões) e 3,89%, ante o trimestre anterior (R$ 2,57 bilhões).

“O comércio esteve fechado até março, quando começou a se recuperar gradativamente. Foi diferente da indústria, que se manteve em operação e cresceu muito no período. Entramos primeiro na segunda onda e, quando reabrimos, enfrentamos problemas de abastecimento e estoques, porque a pandemia tinha recrudescido no resto do país, onde estão nosso fornecedores. Mas a situação começou a normalizar em maio e esperamos números melhores para o segundo semestre, que costuma ser melhor para o varejo”, resumiu o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota. 

“Demanda reprimida”

Com fatia de 27,84% no PIB amazonense, a indústria cresceu 10,27%, na base anual (R$ 7,24 bilhões), e 1,52%, na trimestral (R$ 7,87 bilhões). No primeiro cenário, a atividade foi carreada pela construção (+19,87% e R$ 545 milhões) e pelos serviços industriais de utilidade pública (+13,07% e R$ 637 milhões). A indústria extrativa (+17,05% e R$ 528 milhões) veio na posição seguinte, enquanto a majoritária indústria de transformação (+8,72% e R$ 6,28 bilhões) ficou na última colocação – além de avançar 8,84% diante do resultado dos três meses iniciais de 2020 (R$ 5,77 bilhões).

No entendimento do presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), os números mostram a força do PIM, mesmo diante das dificuldades decorrentes da segunda onda em Manaus – que levou a um novo fechamento geral ao atendimento presencial nos segmentos não essenciais de comércio e serviços, e a um inédito toque de recolher, que persiste até hoje. O dirigente destaca também que as medidas do governo estadual foram essenciais para o desempenho positivo do setor, no período. 

“Mesmo no pico do agravamento da pandemia, em janeiro e fevereiro, as indústrias foram classificadas como atividades essenciais e puderam operar, ainda que com determinadas restrições. Os números demonstraram uma boa recuperação e que ainda há uma forte demanda reprimida. A expectativa é de que consigamos replicar cenário salutar no segundo trimestre”, ponderou.

Incertezas e vacinação

Respondendo por 15,49% do PIB do Amazonas do período, a rubrica de “imposto” (R$ 4,44 bilhões) apresentou acréscimo de 9,37% em relação ao primeiro trimestre do ano passado (R$ 4,06 bilhões) e praticamente empatou (+0,68%) com o trimestre anterior (R$ 4,41 bilhões). Foi impulsionada principalmente pelo ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que responde por 90% da arrecadação – e que cresceu 6,02% na comparação do acumulado dos três meses iniciais de 2021 (R$ 2,82 bilhões) com igual intervalo de 2020 (R$ 2,66 bilhões), conforme a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda).  

Em texto da assessoria de imprensa da Sedecti, a secretária executiva de Planejamento do órgão estadual, Sônia dos Santos Gomes, avalia que o crescimento do PIB amazonense no primeiro trimestre já sinaliza uma normalização da economia no Estado. “No mesmo período de 2020, o Amazonas enfrentou problemas como a falta de insumos para o PIM, somada às incertezas sobre o futuro, dada a pandemia. A situação desse primeiro trimestre é totalmente diferente e a expectativa é que o avanço da vacinação, ao longo dos próximos trimestres, ajuda na aceleração da recuperação econômica”, encerrou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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