PIB do Amazonas em agosto fica acima da média nacional

Para o bem e para o mal, a prévia do PIB de agosto recolocou o Amazonas com números bem acima da média nacional, em praticamente todas as comparações. O Estado avançou 2,26%, entre julho e agosto, mais do que o dobro do Brasil (+1,06%). Não foi suficiente para impedir queda de 1,19% na comparação com o mesmo mês de 2019, foi quatro vezes maior do que o número brasileiro (-3,92%). Já o acumulado (-5,54%) seguiu no vermelho e praticamente empatou com o desempenho do país (-5,44). 

Os dados são do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central). Visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, o indicador é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda a autoridade monetária a tomar suas decisões sobre a taxa básica de juros, além de ajudar investidores e empresas a adotarem medidas de curto prazo. A metodologia de cálculo é diferente da empregada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que calcula o PIB brasileiro.

Foi a quarta alta consecutiva do IBC-Br na comparação mensal, mas os números vieram abaixo do esperado pelo de mercado. O governo federal estima que o PIB nacional deve encolher 4,7% neste ano, no que seria o pior resultado da série histórica. Analistas financeiros ouvidos semanalmente na pesquisa Focus do BC apontam, por outro lado, que o decréscimo deve ser de 4,81%, conforme a divulgação mais recente, desta segunda (26).

Embora incorpore dados sobre os setores da indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos, a divulgação do BC não informa o desempenho de cada um. Dados setoriais do IBGE, por outro lado, já haviam apontado a continuidade do processo de recuperação da economia amazonense, em agosto, em meio à flexibilização das medidas de restrição ao contato social impostas pela pandemia. O desempenho gerou também reflexos positivos na arrecadação estadual, segundo a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda).

Setores e arrecadação

Depois de avançar 13,9% no levantamento anterior, a atividade industrial amazonense reduziu a marcha, e registrou incremento de apenas 4,9%, na passagem de julho para agosto de 2020. A indústria amazonense também fechou novamente no azul na comparação com o mesmo mês de 2019 (+0,7%), mas a performance foi igualmente inferior à apresentada na pesquisa anterior (+6%). Os acumulados do ano (-13,7%) e dos últimos 12 meses (-5,7%), por sua vez, seguem devendo.

O varejo amazonense, por seu lado, emendou o quinto mês seguido de elevação e avançou 1,1% entre julho e agosto, número mais modesto do que o anterior (+5,6%), registrado no segundo mês de reabertura das lojas de Manaus para vendas presenciais. Em relação ao mesmo mês de 2019, o volume de vendas escalou 18,1% – contra os 19,9% de junho. Pela segunda vez, desde a eclosão da crise da covid-19 em terras locais, o comércio fechou o acumulado do ano no azul (+4,7%), além de se manter ascendente no aglutinado dos 12 últimos meses (+6,9%). 

Já o volume de serviços subiu 2,1% frente a julho de 2020, em performance igual à do levantamento anterior, já revisado. No confronto com agosto de 2019, a trajetória se manteve descendente (-0,6%) – embora com menos força do que 30 dias antes (-1,5%). O acumulado do ano também não conseguiu sair do vermelho (-1,8%), ao passo que o aglutinado de 12 meses mal se segurou no campo positivo (+0,9%). A média nacional só foi melhor no primeiro caso, ao pontuar +2,9%, -10%, -9% e -5,3%, respectivamente.

Dados da Sefaz, por sua vez, apontam que a soma de impostos, taxas e contribuições totalizou R$ 1,18 bilhão nominais, 5,88% a mais do que em agosto (R$ 1,02 bilhão). A alta foi de 20,21% sobre setembro de 2019 (R$ 981,62 milhões) – e de 16,78%, descontada a inflação. O Amazonas voltou a se segurar no azul (+6,67%) no acumulado, com R$ 8,61 bilhões (2020) contra R$ 8,07 bilhões (2019) – sendo que a diferença líquida foi de 3,70%.

Fragilidade e incertezas

O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Assis Mourão Junior, ainda mantém sua projeção de queda de 4% a 6% para o PIB do Estado em 2020. O economista voltou a atribuir à indústria da ZFM as diferenças de performance do Estado em relação à média nacional no IBC-BR, assim como a maior sensibilidade às oscilações da demanda nacional. E, assim como ocorrido em demais unidades federativas das regiões Norte e Nordeste, o maior peso proporcional do auxílio emergencial na economia local também teria feito diferença, ao inflar a demanda.

Francisco Assis Mourão Junior não se diz surpreso diante do desempenho descolado do Amazonas em relação à média brasileira, pois já estimava melhora para agosto e, possivelmente, setembro também. Mas, o presidente do Corecon-AM não arrisca números para os demais meses, em função das incertezas inerentes a uma segunda onda global de covid-19 – que inibe investimentos – e da retirada programada de estímulos anticíclicos da economia brasileira – que compromete a demanda –, entre outros fatores que situam o país em uma posição de maior fragilidade.

“Sem o auxílio emergencial, não haveria consumo, com reflexos positivos em vendas e produção. E a Zona Franca se beneficiou desse aquecimento em nível nacional. Mas, o benefício já vem pela metade e deve ser extinto no fim do ano. Ao mesmo tempo, temos o aumento dos casos da covid e a possibilidade de que tudo volte a ser fechado. O governo do Estado se encontra muito pressionado, por empresários, de um lado, e pelos números da pandemia, do outro. Acredito que teremos um 2021 ainda difícil, com possível recuperação só no segundo semestre. Isso, se houver vacina”, encerrou. 

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