PIB do Amazonas em 2020 tem alta de 0,55% ante 2019

O PIB do Amazonas foi de R$ 105,787 bilhões, ao final de 2020 e apresentou alta nominal de 0,55% ante 2019 (R$ 105,207 bilhões). Em sintonia com a flexibilização econômica, a demanda reprimida pela primeira onda da pandemia e a injeção de liquidez proporcionada pelo auxílio emergencial, houve ainda uma aceleração de 5,91% entre o terceiro (R$ 26,870 bilhões) e o quarto (R$ 28,457 bilhões) trimestres –que também foi 4,19% superior ao registro do mesmo período de 2019 (R$ 27,314 bilhões). 

Descontada a inflação, no entanto, o PIB amazonense encolheu 3,79% no ano e 0,32% na comparação do quarto trimestre de 2020 com igual período de 2019, embora ainda tenha conseguido avançar 2,69% no confronto com o terceiro trimestre do ano passado. Entre os setores analisados, apenas a agropecuária recuou na variação anual, enquanto o maior ganho relativo veio da arrecadação tributária. Os números são da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação) e foram calculados a partir dos dados das Contas Regionais do PIB Brasil, do IBGE.

Embora tenha sido responsável por apenas 15,73% do PIB anual do Amazonas, a rubrica “imposto” foi a que mais avançou em todas as comparações. O incremento foi de 2,45%, entre 2019 e 2020, e de 6,15%, no confronto dos valores do quarto trimestre do ano passado com os de igual intervalo de 2019. A variação anual foi impulsionada principalmente pelo incremento de 7,69% na arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), de acordo com a análise da Sedecti, no texto do estudo.

Saúde e consumo

Responsável por 51,13% do PIB estadual, o setor de serviços (R$ 53,806 bilhões) teve a maior alta no ano (+0,52%) e da comparação do quarto trimestre com o mesmo intervalo de 2019 (+4,16%). Foi alavancado pela administração pública (+3,80% e R$ 19,025 bilhões) – pelos “investimentos em saúde pública para priorizar vidas humana frente à covid-19”, conforme a Sedecti. Educação e saúde privadas (+1,63% e R$ 2,126 bilhões), assim como atividades imobiliárias (+0,59% e R$ 8,261 bilhões) vieram na sequência, enquanto comércio e serviços de manutenção e reparação (R$ 9,688 bilhões) caíram 1,92%.

“Os mais de 100 dias em que comércio e serviços ficaram fechados pesaram muito. O varejo melhorou com a reabertura gradual, mas não conseguiu recuperar todas as perdas. No quarto trimestre, sofremos falta de produtos, por motivos logísticos e pela falta de insumos e embalagens na indústria. As vendas aceleradas baixaram os estoques, mas não houve reposição. Culminamos em um dezembro traumático, com a sinalização de uma nova rodada de restrições aos lojistas”, resumiu o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota. 

Com fatia de 28,04% no PIB amazonense, a indústria (R$ 29,632 bilhões) cresceu 0,11%, na base anual, e 3,72%, na trimestral. No ano, a atividade foi carreada pela indústria de transformação (+2,57% e R$ 23,647 bilhões) e extrativa (+7,12% e R$ 1,849 bilhão), em detrimento dos serviços industriais de utilidade pública (-7,37% e R$ 2,307 bilhões) e da construção (-21,16% e R$ 1,861 bilhão) –a “principal atividade afetada pela pandemia”, na análise da Sedecti.

“O PIM ficou parado mais de dois meses, praticamente. Então, não é de se espantar o resultado. Começamos 2021 com esse impacto todo [da pandemia], que começou no Amazonas, e agora se espalha pelo país. Deve se repetir o que aconteceu no ano passado. O risco do fechamento do comércio dos Estados do Sul e do Sudeste afetar a nossa atividade é grande. Temos de aguardar para ver como vai ficar essa situação”, lamentou o presidente do Cieam, Wilson Périco.      

Agropecuária em queda

Ainda minoritária no PIB (5,19%), a agropecuária (R$ 5,393 bilhões) também foi a única atividade econômica a amargar recuo na comparação anual (-2,38%), embora tenha conseguido fechar no azul, no comparativo trimestral (+1,15%). As retrações anuais se deram nos três segmentos analisados pela Sedecti: pecuária (-2,95% e R$ 380 milhões), agricultura (-2,48% e R$ 3,170 bilhões) e produção florestal e pesca (-2,09% e R$ 1,843 bilhão). 

“Essa redução em 2020 teve relação principalmente com os efeitos da pandemia e as restrições de circulação das pessoas, que impactaram diretamente no consumo interno, nos canais de comercialização dos produtos rurais e na dificuldade logística de acesso a insumos em municípios do interior”, justificou o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço.

Para o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrucio Magalhães Júnior, o incremento do quarto trimestre de 2020 aponta para recuperação da agricultura, da produção florestal, da pesca e da pecuária amazonenses. “É fato que o período foi ainda melhor do que todos os trimestres de 2019. Isso demonstra uma franca recuperação das atividades econômicas e que a desaceleração de 2,38% entre 2019 e 2020, possivelmente decorra da retração macroeconômica imposta pela pandemia, que isolou pessoas e diminuiu consumo”, amenizou.

“Mudanças de hábitos”

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o titular da Sedecti, Jório Veiga, explicou que o setor de serviços do Amazonas teve “grande apoio” do auxílio emergencial, sendo que a maior parte dos valores recebidos pelos amazonenses beneficiados foi direcionado ao consumo doméstico. O setor foi beneficiado ainda pelas mudanças de hábitos das famílias brasileiras em favor da melhora das condições de conforto e facilidades do lar, em detrimento dos gastos com viagens e consumo fora de casa –novidade que beneficiou principalmente o PIM e sua indústria de bens de consumo. 

A agropecuária, por sua vez, teria sofrido ajustes como a retração dos setores de eventos, alimentação fora do lar e turismo. Outro fator que contribui para isso, conforme o titular da Sedecti, foi a menor utilização do crédito rural durante o ano, “em função de propriedades não regularizadas”, o que impede a obtenção de empréstimos. Jório Veiga ressalta que o item “imposto” foi carreado pelos resultados de comércio e serviços, do reflexo da alta do consumo no país na atividade industrial e das importações de combustível, “que aportam valores expressivos ao longo dos meses”. Ele destaca influências também da valorização do dólar e dos esforços de fiscalização da Fazenda estadual. 

“O primeiro trimestre de 2021 deve apresentar uma retração importante para o PIB do Amazonas, em virtude do pico da pandemia neste ano, não só no Amazonas, mas em todo o país. Nos demais períodos, especialmente no segundo semestre, como resultado das medidas tomadas e do processo de vacinação, esperamos um desempenho melhor, de forma a fechar 2021 com um pequeno crescimento real sobre 2020”, encerrou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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