PIB brasileiro é revisado para baixo novamente

Já é dado como certo que o PIB brasileiro deve encolher entre 6% e 8% ao final de 2020, sob os efeitos da crise da covid-19. Há dúvidas, no entanto, a respeito da velocidade e força da retomada econômica do país no pós-pandemia, seja pelas perspectivas de demora para que uma vacina ou remédio chegue à população, seja pela volatilidade política e fragilidades econômicas internas do Brasil, que já se anunciavam antes e se intensificaram com a pandemia. 

Fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio estimam que o PIB do Amazonas deve encerrar o ano com retração de 4% a 7%, em virtude dos diferenciais regionais do Estado, cuja economia é alavancada pela produção industriais de bens de consumo voltados para o mercado doméstico. O calendário de ciclos de retomada do comércio e serviços divide opiniões, mas todos são unânimes de que a recuperação vai depender muito da capacidade de reação do governo federal.   

Na semana passada, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) reforçou sua estimativa de queda do PIB de 2020, de 1,8% para 6% negativos. A estimativa de recuperação em 2021 também foi corrigida, de 3,1% para 3,6%. A previsão é que a economia brasileira mergulhe 10,5% no segundo trimestre – puxado por indústria (-13,8%), serviços (-10,1%) e consumo das famílias (-11,2%) – e comece a se recuperar a partir do terceiro. 

Abril teria sido o fundo do poço, na análise do Ipea. Entre os argumentos está a leve recuperação, na passagem para maio, dos níveis de confiança e uso da capacidade fabril, além da alta do consumo de energia nos subsetores de veículos automotores (60,9%), de papel e celulose (26,9%) e de metalurgia (17,9%). A confiança no comércio também estaria subindo, assim como as vendas em segmentos como o automotivo. O Instituto pondera também que a flexibilização do isolamento e as políticas de preservação de emprego, renda e produção devem ajudar.

Mais cético, o Banco Mundial também reviu suas contas recentemente e apontou para uma queda mais acentuada no PIB deste ano, além de uma recuperação mais fraca em 2021. Nas contas do organismo internacional, o país vai amargar sua pior recessão da história, ao encolher 8% em 2020 – e não os 2,5% antes projetados. Já a estimativa de retomada no próximo ano foi revista para 2,2%, menos da metade do valor projetado previamente (+5%) e bem abaixo do PIB global aguardado para o período (+4,2%). 

Segundo o Banco Mundial, a saída da recessão pode ser mais vagarosa, caso os efeitos da pandemia sejam mais longos e a agenda de reformas não avance. Considerando as projeções divulgadas para todos os países, o Brasil terá o 15º pior desempenho, em um ranking de 135 nações. A queda brasileira projetada é pior do que a aguardada para México, Equador e Argentina, por exemplo.

Reabertura e ações

O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão, avalia que a qualidade da retomada da economia brasileira vai depender muito da capacidade de reação dos governos e avalia que, dadas as características particulares da economia amazonense, o PIB local deve recuar entre 5% e 6%. Mas o economista considera a reabertura do comércio prematura e lembra que um eventual repique no número de casos de covid-19 pode por tudo a perder para o Estado.

“O risco é alto, porque tem muita gente circulando nas ruas e nem todos tomam os devidos cuidados. A recuperação vai depender desse cuidado, além das medidas do governo para a volta da demanda e da retomada do emprego e da confiança, que sofreram ruptura. A MP de suspensão de contrato ou redução de jornada não ajudou tanto, porque muitas empresas demitiram logo no começo da pandemia. A liberação de FGTS e aumento no número de parcelas do auxílio emergencial me parecem paliativas. Vamos ver se o governo vai adotar, por exemplo, uma característica mais protecionista em relação à indústria nacional, o que ajudaria na retomada do consumo”, ponderou.

Medo e risco

Na mesma linha, embora mais pessimista, o economista e consultor empresarial Hélio Pereira da Silva, estima uma queda de 6% a 6,5% para o PIB do Amazonas concorda que as medidas econômicas serão decisivas. Mas, salienta que a velocidade e intensidade da retomada das atividades dependerá também das perspectivas de uma vacina ou remédio para a covid-19, uma vez que o medo da doença trava inciativas de empreender, trabalhar e consumir – ou até mesmo sair de casa.

“Todos estão com medo. Meus clientes na indústria que voltando, trabalham com baixa intensidade, no mesmo ritmo das encomendas e investimentos. Conversei com um empresário que fabrica componentes em São Paulo e que pretendia abrir uma fábrica aqui, mas desistiu, depois de ter que demitir 200 pessoas na empresa dele. Se tivermos alguma recuperação, vai ser em setembro e outubro, para as festas de fim de ano. E até mesmo isso pode ser comprometido. Infelizmente, o pessoal não segue os protocolos de segurança, e isso traz o perigo de termos de reverter a política de ciclos”, frisou.   

Fatores de retomada

O titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, avalia que a pandemia está durando mais do que o esperado e projeta queda de 6,5% para o PIB do Amazonas. O secretário estadual pondera, entretanto, que há fatores positivos que devem ajudar o Estado em uma retomada mais forte e mais rápida. 

De acordo com o executivo, ajudou o fato de parte das fábricas do PIM ter operado, mesmo no período mais grave da pandemia, assim como o papel do comércio eletrônico na manutenção de parte das vendas do varejo. Jório Veiga destaca que a indústria está abrindo o leque com produtos para a área de saúde e lembra que a agropecuária amazonense registra safras recordes para o Estado – ainda que proporcionalmente pequenas para os padrões nacionais.

“Temos uma ação importante no Sul do estado, que de fato é a área mais cobiçada por todos, pela facilidade logística, qualidade das terras e bom clima. Nesta semana, o governador fez a abertura da safra do arroz, que será recorde para o Estado, já como fruto da atenção que se está dando à região. Também temos projetos em implantação que envolvem arranjos agroflorestais, pecuária e a abertura de pelo menos dois novos frigoríficos. E há a presença do Estado com assistência técnica, regularização fundiária e fiscalização, para evitar as queimadas e desmatamento ilegal”, concluiu.

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