25 de junho de 2022

Phillips e Bruno já são ícones na luta em defesa da Amazônia

O Brasil é acusado de negligenciar a defesa da Amazônia. E cresce o desgaste do País no cenário internacional com o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira no Vale do Javari, em Atalaia do Norte (AM).

Ao ser cobrado pelos países mais ricos por ações mais efetivas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi suscinto, como lhe é muito peculiar. “Em primeiro lugar, precisa dizer que a Amazônia é do Brasil, não de vocês”.

Deu a mesma resposta ao ser inquirido por Dom Phillips logo após assumir a Presidência da República. E jamais se imaginava que o jornalista britânico estaria de novo sob os holofotes da mídia. Agora, não só como um defensor incansável da Amazônia, mas lamentavelmente também como vítima de criminosos que atuam livremente na região.

Tudo indica que Phillips e Bruno estão mortos. Possivelmente, pagaram com a própria vida por se dedicar a proteger terras tão extensas, não importassem os riscos que corressem. O amor pelas florestas e pelos povos tradicionais o impulsionavam a seguir adiante, como também o fez Chico Mendes, morto covardemente.

Uma força-tarefa se empenha em localizar os dois desaparecidos. A logística montada emergencialmente não tem similar na região. Todas as forças de segurança estão mobilizadas nas buscas. As pressões vêm de todos os lados.

O caso repercute em todos os países, reverberando nas Nações Unidas, nos principais parlamentos da Europa, dos Estados Unidos. E ainda nos jornais de maior circulação mundial. O sumiço choca o mundo. Nas ruas do Brasil, a população se manifesta, cobrando a localização de Phillips e Bruno. E o mesmo acontece nas nações ricas e de maior prestígio socioeconômico.

O nome de Phillips e Bruno aparecem em cartazes e faixas nas manifestações que exigem a sua localização. Jamais se assistiu tanta comoção mundial. Afinal, os dois desaparecidos simbolizam a bandeira de luta em defesa da tão cobiçada Amazônia, alvo constante de garimpeiros e pescadores ilegais.

Por lá também estão incrustados o narcotráfico e as facções criminosas que lavam dinheiro, transportando drogas pelas florestas, tão densas que tornam impossível a fiscalização das autoridades constituídas.

Os criminosos estão embrenhados nas matas. Camuflam-se com facilidade. Seus mimetismos são capazes de confundir qualquer transeunte. E a vegetação fechada conspira para ajudá-los a manter suas ações ilegais e atrocidades. São tantas barbáries que as próprias adversidades do meio ambiente se encarregam de dissipá-las, sem deixar nenhum vestígio.

Os criminosos são audaciosos. Cooptam os serviços de pescadores incautos que, muitas vezes, não têm a menor noção na arapuca em que se meteram, corroborando para situações de ameaças e intimidações. Bem o disseram Phillips e Bruno, mas infelizmente ignoraram seus algozes, provavelmente sabendo que poderiam ser emboscados a qualquer momento. Nada os deteve do firme propósito de proteger a Amazônia e as comunidades indígenas, tão desprotegidas e isoladas do resto do Brasil e do mundo.

Certamente, os responsáveis pelo crime nunca imaginaram que o episódio tivesse tanta repercussão. E talvez tivessem recuado de tanta ousadia se pudessem mensurar a proporção que o episódio alcançou na comunidade nacional e internacional. O Amazonas é uma região continental. É tão inóspita e desafiadora que intimida qualquer um que ouse incursioná-la.

Phillips e Bruno sabiam disso. Conviveram durante vários anos com as florestas e seus povos. E o amor e a dedicação dispensada a eles servirão de exemplo às futuras gerações. Tornaram-se ícones do movimento mundial que luta para preservar uma região tão rica e ainda eivada de mistérios.

Perfil

Fome está matando o brasileiro

Nunca o brasileiro passou tanta fome. O aumento dos preços dos alimentos atingiu índices tão alarmantes que obriga muitas pessoas a levarem apenas o essencial para casa. Os produtos de marca mofam em prateleiras e gôndolas de supermercados, nas grandes redes de varejo, dando lugar a itens mais baratos e desconhecidos dos consumidores. Agora, a estratégia é só comprar o que pode amenizar o estômago. Salsichas, linguiças e ovos já fazem parte da dieta da maioria da população. A carne está inacessível para muitos. E até o frango está mais salgado.

No Amazonas, 65% da população tem insegurança alimentar, segundo o IBGE. A desnutrição avança. A ZFM gera muitas riquezas, mas o fruto e as benesses proporcionadas por toda essa cadeia econômica e industrial estão apenas nas mãos de uma pequena elite. Na realidade, o amazonense se alimenta muito mal. As regiões Norte e Nordeste são as mais vulneráveis. Felizmente, o peixe ainda ameniza a situação por aqui. Mas, infelizmente, o nordestino está comendo até calango e biscoito assado de terra para sobreviver. Bolsonaro disse que o Brasil alimenta mais da metade do mundo, enquanto grande parte dos brasileiros não tem nem o básico para comer. Um paradoxo.

Empregos

Políticos atribuem o crescimento da insegurança alimentar à falta de empregos. Pouco se faz para aumentar a oferta de vagas no mercado. Não há políticas públicas que fomentem as atividades econômicas. E, hoje, os desempregados somam quase 14 milhões em todo o País. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) avalia que o atual governo é moroso, só priorizando medidas eleitoreiras. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) compartilha da mesma opinião. As eleições estão próximas. É hora de mudar.

Federações

Partidos ainda costuram federações para fortalecer a campanha eleitoral que está prestes a acontecer. Por ora, o franco favorito para vencer a disputa pelo governo do Estado é Amazonino Mendes (Cidadania), seguido do governador Wilson Lima (UB) e Eduardo Braga (MDB). Porém, o apoio declarado do prefeito David Almeida (Avante) a Lima deve mudar o cenário, avaliam analistas. Almeida é o maior cabo eleitoral de Lima para a campanha pela reeleição. A máquina estatal também faz muita diferença.

Gastos

A Câmara Municipal tem ocupado os holofotes da mídia por investir em medidas tidas como extremamente supérfluas. A construção do anexo acabou não sendo viabilizada depois de tanta encrenca. Os gastos exorbitantes na compra de novos equipamentos para divulgação de material publicitário dos vereadores também estiveram no ápice das críticas. A nanica oposição vem pegando no pé da presidência. Está o tempo todo vigilante para qualquer bobeada da Mesa Diretora que renda polêmica. Muita treta.

Buscas

Ontem, o mundo amanheceu surpreso com a notícia de que tinham localizado os corpos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira no Vale do Javari, em Atalaia do Norte, onde os dois desapareceram. Porém, posteriormente a Polícia Federal não confirmou a informação. Foi encontrada uma mochila contendo pertences dos dois desaparecidos, segundo a PF. A operação encontrou um estômago humano na região onde aconteceu o sumiço. Inóspitas, as águas apagam qualquer vestígio.

Mutirão

A prefeitura e o governo do Amazonas mantêm o mutirão de vacinação em pelo menos 55 pontos nesta semana em Manaus. Agentes estão vacinando contra a Covid-19, sarampo e gripe (influenza). A mobilização acontece simultaneamente nos outros 61 municípios do interior do Estado. Segundo dados oficiais, grande parte das pessoas só tomou a primeira dose do imunizante que combate o coronavírus. Muitos ainda mantêm a crença de que correm risco ao se vacinar. É o negacionismo em ação.

Varíola

O Brasil já registra o terceiro caso da varíola do macaco, que se espalhou da África para países da Europa e os Estados Unidos. A primeira infecção foi detectada em São Paulo. O infectado esteve em Portugal e Espanha, onde há um surto da doença. As autoridades de saúde recomendam os mesmos cuidados preventivos adotados contra a Covid-19 – uso de máscaras, de álcool em gel, manter mãos e ambientes sempre limpos, evitando aglomerações. Pena que muitos estão negligenciando a prevenção.

Violência

A violência continua desenfreada em Manaus, provavelmente alimentada pela guerra entre facções criminosas. Todos os dias são registrados assassinatos na cidade. Alguém é fuzilado literalmente em ruas e até em casa, tanto no centro da capital como nos bairros da periferia. Nem toda a tecnologia usufruída hoje pelos aparatos de segurança consegue frear a ação dos bandidos. A disputa de traficantes por territórios deixa também mortos e feridos. Estamos mesmo à mercê do crime. Nem a polícia dá jeito.

Eleições

Lula continua liderando as intenções de voto para a Presidência, segundo nova pesquisa do Instituto FSB, contratada pelo banco BTG Pactual e divulgada ontem. O petista tem 44% das preferências do eleitorado, contra 32% de Bolsonaro, no cenário estimulado – quando os entrevistados recebem uma lista com os nomes de pré-candidatos. Ciro Gomes (PDT) está em terceiro, com 9%. O Planalto ignora os números e argumenta que esses dados podem ser manipulados. Será? Veremos mais adiante.

FRASES

“Encontramos materiais biológicos que estão sendo periciados”

Nota da PF, ao negar notícia que haviam sido encontrados sumidos no Vale do Javari.

“Não existe isso daí”.

Jair Bolsonaro (PL), presidente, sobre suposto pedido a Biden para ajudá-lo a vencer eleições.

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